Evolução tecnológica da Medicina | Colunistas

  • setembro 5, 2020
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Evolução tecnológica da Medicina | Colunistas

Monitores eletrônicos, acessórios, estetoscópio, sonar fetal, cirurgia intrauterina, laparoscopia, robótica, realidade virtual, medicina tecnológica, médico 4.0

Smartphone, smart-TV, smartwatch, carros que estacionam sozinhos, aplicativos de mobilidade urbana, videoconferências, monitores de atividade física, aparelhos de pressão digitais, estetoscópios com função gravar, cirurgia por robô, teleconsultas.

Longe de finalizar toda a possibilidade e mostrar tudo a respeito da tecnologia, este texto vai te mostrar coisas simples que já fazem parte da nossa realidade médica.

Não faz muito temopo, o ser humano ficou intrigado com “Como eles levaram aquelas pessoas pequenas naquela caixinha a fazer tudo isso?” (Vintage Tomorrows, James Carrott14) ao se ter o primeiro contato com uma televisão.

Não faz também muito tempo que John Baird, em 1920, estruturou um rudimentar aparelho que gerava imagens. São apenas 100 anos e olha o quanto avançamos! Uma análise mais detalhada dessa história você pode ser conferir neste link3.

A tecnologia chegou a tal ponto que, neste exato momento, você está lendo esse texto em uma tela fina, nítida, leve e de uma qualidade que muito se destaca das telas que eram usadas até o início desse milênio. E agora na sua mão, ou em seu bolso, está um dispositivo mais inovador ainda: uma super composição de câmera, filmadora, rádio, ligação, mensagem, uma super tela de qualidade, com leitor de digital e acesso a qualquer informação do mundo a um clique. Conhecemos esse dispositivo comumente como smartphone. Todos esses elementos caminham com a evolução tecnológica da medicina, que faz uso de muitas das ferramentas de inovação.1

A
Internet das Coisas

Você talvez tenha ouvido esse termo em algum momento, ele resume toda a gama de possibilidades que se abre quando temos um sistema integrado e tecnológico,2 e muitos médicos neste período de COVID-19 têm realizado consultas por telemedicina.

Usamos quase todo avanço tecnológico dos últimos séculos, as nossas décadas de estudo, e conseguimos fazer um atendimento em que o paciente não vai levar horas no transito – na verdade, nem vai precisar sair de casa para conseguir seus minutos de consulta com um profissional de qualidade, e esse contato vai estar à distância de segundos após o clique de um mouse.

Um grande preconceito que se tem com a telemedicina é que não conseguimos fazer exame físico no paciente, não podemos auscultar, não tem como medir PA, FC e glicemia, por exemplo.

Mas e se isso fosse possível? E se pudéssemos ter gadgets(dispositivos eletrônicos) que medissem FC, SpO2, PA, fazer um ECG simples, monitorar as atividades físicas? Tudo isso já é realidade. Conseguimos todos esses parâmetros através de alguns dispositivos portáteis, uns mais acessíveis que outros, e essas informações podem ser salvas, podem ser enviadas ao médico para acompanhar como aquele paciente está evoluindo.

Em 2019, um grande avanço foi dado com um projeto da desafiante do Status Quo, o American College of Cardiology12 e a Food and Drug Administration13 (equivalente estadunidense da ANVISA) aprovaram o primeiro gadget Wereable (que significa “eletrônico vestível”) que tem potencial de predição de ataque cardíaco o Apple Watch 5.

O pequeno relógio consegue realizar um ECG simples – além das funções já existentes de FC, monitoramento de atividades física e, é claro, ver a hora – ligando para um telefone de emergência caso detecte que você está sofrendo uma fibrilação atrial. Apesar de também ter integração com medidores de glicose implantáveis, facilitando esse monitoramento glicêmico, aplicação desse tipo de tecnologia ainda é muito discutida mundialmente.

Mediante diversas pressões e necessidades durante a quarentena causada pelo COVID-19, o CFM flexibilizou a resolução 1.643 de 2002 6 e permitiu que os atendimentos por telemedicina fossem realizados em uma escala maior.

Com isso, essas chamadas com o paciente deixaram de ser somente uma orientação para ser uma consulta real, podendo ser feitas prescrições de atestado, pedidos de exame, encaminhamentos e prescrições de medicamentos, inclusive antibióticos7. O sistema que mais dá esse suporte é a plataforma MEMED8, que assina digitalmente essas prescrições com os dados do médico emitente.

A
tecnologia não para de avançar

Pode parecer algo muito surreal, mas não é desse ano, existem já cirurgias à distância realizadas por robôs e cirurgias feitas a distância. 5 Porém, se relativizarmos o significado de distância, toda cirurgia robótica entra nesse conceito, pois o cirurgião está em outra parte da sala, longe do paciente e controlando uma máquina que será responsável por todos os movimentos cirúrgicos.

A robótica é o próximo passo para a evolução em cirurgia. Atualmente, no Brasil a cirurgia robótica ainda é um terreno para poucos – poucos robôs e poucos cirurgiões – e somente uma empresa vende robótica cirúrgica, a Intuitive 9 . Com as plataformas DaVinci, a empresa conta com três produtos principais em seu portifólio: DaVinci Si, DaVinci Xi e DaVinci SP, em ordem crescente de tecnologia, do mais antigo ao mais atual. Sua venda é intermediada pela H. Strattner e nosso país só conta com as plataformas Si e Xi.10

Foto carrodavinciXi e visão3ddavinci http://www.strattner.com.br/produtos/medico-hospitalar/cirurgia-robotica-xi.asp

O DaVinci SP é a plataforma mais evoluída em tecnologia, apresentando acesso por um portal único e apenas 2,5cm de diâmetro, no qual se inserem a câmera e duas pinças a disposição do cirurgião. Assista ao vídeo de apresentação do produto abaixo.

A única restrição é que a troca das pinças não pode ser feita durante a cirurgia, movimento frequente nas outras plataformas quando existe a necessidade de uma pinça fenestrada no lugar de um porta-agulhas pequeno, por exemplo.

Vídeo DaVinci https://www.intuitive.com/en-us/products-and-services/da-vinci/systems/sp

Em comum as três plataformas possuem o console, que o lugar onde o cirurgião realiza a cirurgia, como vocês podem verificar lá em cima na foto do autor. Parece um grande videogame com um lugar para colocar os olhos e ver através de uma câmera composta.

A visão é surpreendente! O cirurgião enxerga em 3D as estruturas internas do paciente, além de que os movimentos do robô podem ser feitos em qualquer eixo, com mais liberdade que nossas mãos e milimetricamente corringido os tremores através do sistema da plataforma.

Em questão de possibilidades
cirúrgicas o DaVinci Xi é o mais brilhante, possuindo entradas por trocateres
mais finos, e uma câmera que pode ser inserida em qualquer portal que for usado
para as pinças, além de que o docking (posicionamento do robô no campo
cirúrgico) é mais facilitado, podendo entrar por qualquer lado do paciente, ao
contrário do que acontece na restrição de mobilidade do daVinci Si.

Existem outras plataformas robóticas no mundo, de empresas que se dedicam a avanços tecnológicos voltados à saúde, como a Verb Surgical, que faz parte da Gigante de Mountain View, e a TransEnterix.

Esta última possui o sistema Senhance11, a primeira plataforma do mundo que tem retorno háptico, ou seja, você sente a pressão através das pinças do robô, porém não existe nenhuma máquina desta no Brasil, estando presente somente nos Estado Unidos e alguns países da Europa.

Foto senhance_Surgical https://www.senhance.com/us/digital-laparoscopy

Autor:
André Quadros
@themedsurgical

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