Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de San Diego e da Califórnia, nos Estados Unidos, e da Universidade de Genoa, na Itália, sugere que a imunidade celular de quem teve COVID-19 ou foi vacinado com os imunizantes da Pfizer e da Moderna não sofre alterações significativas diante das novas variantes do coronavírus.
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Divulgado na plataforma de pré-publicação bioRXiv, o trabalho estudou a resposta de dois tipos de células T — a CD4 e a CD8 — às variantes do Brasil, do Reino Unido e da África.
A análise foi feita com base no soro de pacientes que se recuperaram da COVID-19 e de amostras que pessoas já vacinadas e concluiu que as novas cepas não interferem na capacidade de esses agentes do sistema imunológico combaterem o SARS-CoV-2.
Embora positivo, o estudo foi realizado com base em pequena amostragem e ainda precisa ser revisado por pares. Os cientistas destacam que são necessárias novas pesquisas para confirmar os resultados.
O achado deve ajudar na compreensão do papel que os anticorpos desempenham no combate ao patógeno. O que se sabe, por enquanto, é que, além da resposta mediada pelas células de defesa (chamada de imunidade humoral), a imunidade celular que envolve o linfócito T também têm importância na defesa do corpo.
A grande questão dos cientistas é entender por quanto tempo duraria a imunidade e, uma vez adquirida, se ela permaneceria eficaz mesmo diante das variantes do coronavírus.
“Os dados fornecem algumas notícias positivas à luz da preocupação justificada sobre o impacto das variantes do Sars-CoV-2 nos esforços para controlar e eliminar a atual pandemia”, disse uma das autoras do estudo, Alba Grifoni. “A resposta celular pode contribuir para limitar a gravidade da COVID-19 induzida por variantes que, parcialmente ou amplamente, escapam de anticorpos neutralizantes”, completou.
Nesse artigo, a nossa colunista Gabriela Sartori explica, em detalhes, o mecanismo de defesa do corpo no combate ao vírus e levanta as principais dificuldades da ciência em relação aos vírus.
Ponto para as vacinas
Outro ponto de destaque da análise são as evidências de que as vacinas analisadas – Pfizer e Moderna -, além de seguras, continuam eficazes mesmo diante das variantes do novo coronavírus já identificadas. Até então, o que se sabia era que os anticorpos tinham ação reduzida frente às novas cepas.
Um estudo recente, e ainda sem revisão por pares, identificou que a variante brasileira P.1 tem a capacidade de escapar de anticorpos neutralizantes induzidos por uma vacina de vírus inativado, que é o caso da CoronaVac, fabricada pelo Instituto Butantan e principal imunizante usado no Brasil.
Porém, o trabalho destaca que a proteção da CoronaVac contra casos graves não é baseada apenas em anticorpos neutralizantes, já que as respostas de outras células do sistema imunológico podem reduzir a severidade da doença.
*Com informações do Uol e do Correio Braziliense