INTRODUÇÃO
O Coronavírus (CoVs) constituem uma família de vírus de RNA que têm potencial de causar, normalmente, doenças respiratórias leves em humanos. Em janeiro de 2020, a comissão municipal de saúde de Wuhan, na China, alertou sobre um surto de uma nova forma de pneumonia viral causada pelo “Wuhan coronavírus n-Cov”, a qual ficou conhecida como Covid-19 e pode evoluir com Síndrome Respiratória Aguda Severa. Este novo vírus é o sétimo coronavírus conhecido com capacidade para infectar seres humanos, sendo nomeado como Sars-Cov-2. O surto se expandiu rapidamente, configurando uma pandemia e as instituições de saúde, vigilância epidemiológica, universidades, associações médicas e editoriais de revistas científicas ao redor do mundo estão trabalhando intensamente para definir precisamente as características clínicas e epidemiológicas do SARS-CoV-2.
Estudo de Casos Surto de Covid-19 em Lares de Idosos
No Brasil não é diferente, pois desde as instituições nacionais e públicas, como o Ministério da Saúde, até as privadas e locais, como as instituições de lares para idosos, estão empenhadas em proteger a população do vírus. As medidas que são requeridas para o “achatamento da curva” de transmissão da Covid-19 como o isolamento, o distanciamento social e a quarentena da população também apresentam “efeitos colaterais”, como por exemplo, o anseio e a angústia dos familiares que têm seus entes queridos residindo em Lares para Idosos, os quais encontram-se sob risco de vivenciarem um surto pela COVID-19.
Um exemplo disso é um surto de COVID-19 que houve em um Residencial de Longa Permanência para Idosas na cidade de Canela, em 08/02/2021, onde foram registrados quatro óbitos, sendo que três deles foram em decorrência da COVID-19. Diante disso, funcionários do Oásis foram afastados das atividades devido à suspeita de terem contraído o Coronavírus, sendo que o local foi o primeiro a receber a vacinação contra a doença, na cidade. Os dados foram coletados pelo Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Canela e repassados para a 5ª Coordenadoria Regional de Saúde, segundo à Prefeitura. Um dos motivos que pode ter colaborado para o surto foi o fato dos idosos terem recebido apenas a primeira dose do esquema vacinal, e sabe-se que é necessário serem tomadas 2 doses para se obter a resposta imune esperada para a correta prevenção da COVID-19.
O Medo da Covid-19 em Lares de Idosos
Desde o início da pandemia, estabeleceu-se uma grande preocupação em relação aos idosos e portadores de comorbidades, os quais foram considerados população de risco e realmente apresentam grandes taxas de morbimortalidade, as quais têm sido transmitidas pelos veículos de comunicação. Pensando em um grupo de pessoas com essas características residindo em um mesmo local e tendo de ser cuidadas por profissionais da saúde que vêm de fora, sendo que muitos deles fazem uso de transportes coletivos, somado a notícias devastadoras que relatam números cada vez maiores de mortes culminou em um clima de insegurança e preocupação para gestores e profissionais da saúde que atuam em Lares de Idosos em todo o país. Tal fato ocorre devido à elevada possibilidade de infecção por um surto pela COVID-19 nesses locais. Portanto, sintomas como tosse e cansaço, que são muito comuns em idosos com múltiplas comorbidades representam um desafio para o profissional de saúde que assiste a Lares de Idosos e trabalha com essa população vulnerável.
O Descaso Das Autoridades Brasileiras Diante de Surtos Pela COVID-19 Em Lares de Idosos
A capacidade de controlar a disseminação comunitária da infecção pela Covid-19, proteger populações vulneráveis, e reduzir sua letalidade (particularmente nos segmentos mais longevos) falhou ou mostrou-se insuficiente em grande parte do mundo. Nesse contexto, dados do Reino Unido sugerem que 72% dos óbitos de idosos que vivem em Lares de Idosos de Longa Duração por causas relacionas à COVID-19 ocorrerem dentro dos próprios Lares de Idosos, e que a mortalidade observada superou em mais de 50% as estimativas iniciais. Além disso, em países como Canadá, Irlanda, Bélgica, França e Eslovênia, os óbitos de residentes em Lares de Idosos representam mais de 50% do total nacional dos óbitos sendo observados até o final do mês de junho de 2020.

No Brasil, desde o início da transmissão comunitária, além do crescimento exponencial no número de casos e óbitos decorrentes da infecção, o país coloca-se, em julho de 2020, como a segunda nação com o maior número de casos cumulativos de óbitos por COVID-19, com a oitava taxa de letalidade pela doença no mundo. Vale ressaltar que apesar da população idosa residente em Lares de Idosos constituírem segmentos mais vulneráveis e de maior risco para o desenvolvimento de surtos e das formas mais graves da COVID-19, pouco se sabe sobre o perfil desta população no país, e menos ainda acerca do potencial impacto da pandemia neste segmento. Além disso, a falta de fontes de informação sistematizadas e de dados confiáveis sobre a epidemiologia da infecção neste setor dificultam o enfrentamento da pandemia e o estabelecimento de políticas públicas emergenciais. Sabe-se que em 2020, Dados extra oficiais do Ministério Público de São Paulo sugerem no estado mais populoso do país, o número de idosos residentes em Lares de Idosos sendo superior a 35 mil pessoas. Entretanto, a atual configuração dos sistemas oficiais de vigilância e monitoramento da COVID-19 no Brasil não permite identificar com precisão a situação de casos de surto de COVID-19 em residentes e trabalhadores dos Lares de Idosos mediante consulta direta do Sistema Único de Saúde, DATASUS ou vigilância epidemiológica.
CONCLUSÃO
Portanto, torna-se claro a falta de esclarecimentos e empenho por parte das autoridades em de fato tornar público as mortes ocorridas por surtos pela COVID-19 em Lares de Idosos de todo o país. Por fim, sabe-se que o Coronavírus não saíra de circulação por hora, ou seja, pelo menos até que as vacinas eficazes que têm sido elaboradas com muito esforço tenham alcançado toda a população mundial em larga escala. Enquanto isso, medidas preventivas, como uso de máscaras, a lavagem sistemática das mãos, o isolamento dos sintomáticos e testagens em massa frequentes ainda permanecerão como parte da nossa rotina.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências Bibliográficas:
http://pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/congressogeriatria/article/view/2350/1585
https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprint/view/1032
https://sobramfa.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Covid-19-em-Instituicoes-de-Longa-Permanencia.pdf
https://www.scielosp.org/article/csc/2020.v25n9/3437-3444/pt/