Um estudo publicado na revista Nature demonstrou que a produção de autoanticorpos na COVID-19 é significativa e pode estar implicada no processo de gravidade da doença.
Atualmente os cientistas já possuem conhecimento suficiente para afirmar que uma resposta imune inata desregulada faz parte do processo de agravamento do doente infectado pelo SARS-CoV-2.
No entanto, o envolvimento do sistema imune adaptativo na resposta desregulada ainda não está totalmente definido. Confira abaixo detalhes do estudo e fique por dentro do tema.
Como o estudo foi realizado
Os pesquisadores do estudo em questão utilizaram testes que detectam autoanticorpos, rastreando a presença dos mesmos numa coorte de 194 participantes que haviam sido infectados pelo novo coronavírus.
Os testes foram realizados para detectar autoanticorpos dirigidos contra 2.770 proteínas extracelulares.
Resultados mostraram presença de autoanticorpos
Os resultados do estudo mostraram que os pacientes com COVID-19 apresentaram aumentos significativos nos níveis de autoanticorpos, quando comparados à indivíduos não infectados.
Entre os diversos autoanticorpos aumentados, prevaleceram aqueles dirigidos contra componentes do sistema imune: proteínas imunomoduladoras, do complemento, de superfície celular, citocinas e quimiocinas.
Autoanticorpos desregulam o sistema imune
Segundo os autores do estudo, os achados do estudo apontam para uma consequência desfavorável: a desregulação do sistema imune. Isto porque a presença dos autoanticorpos é capaz de prejudicar diversas etapas necessárias para combater o vírus.
Por exemplo, há prejuízo na sinalização de imunorreceptores e alteração da composição das células do sistema imune.
Em camundongos com a presença de tais autoanticorpos, foi verificada maior gravidade da doença naqueles modelos infectados pelo SARS-CoV-2.
Autoanticorpos contra o tecidos
O estudo ainda identificou a presença de autoanticorpos direcionados a vários tecidos nos pacientes com COVID-19.
As células que foram alvo dos autoanticorpos estavam presentes em estruturas como tecido vascular, conjuntivo, pulmão, sistema nervoso central, pele, sistema gastrointestinal, dentre outros.
Os autoanticorpos foram ainda identificados contra plaquetas e fatores de coagulação. Os pesquisadores buscaram associar a presença destes autoanticorpos com fenótipos clínicos.
Os resultados mostraram correlação com marcadores de gravidade como D- dímero, ferritina, proteína C reativa e lactato.
O papel patológico dos autoanticorpos
A presença dos autoanticorpos sugere que os mesmos influenciam diretamente na gravidade da doença.
Dessa forma, não somente a desregulação da imunidade inata, mas também da imunidade humoral poder estar implicada na patogênese da COVID-19.
Os achados apontam para a necessidade de mais estudos na área, devido à ampla gama de autoanticorpos identificados.
A descoberta de como cada autoanticorpo altera o curso da doença, em que sistema age, como influencia o curso clínico do paciente, pode ajudar na formulação de terapias que busquem agir e modular a resposta imune, atenuando os efeitos maléficos dos autoanticorpos.
Referências
Diverse functional autoantibodies in patients with COVID-19 – Nature