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Estreptococos: como combatê-los e prevenir complicações graves

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Estreptococos são bactérias Gram-positivas que compõem um grupo altamente heterogêneo, com importância significativa na medicina.

Presentes frequentemente como parte da flora microbiana normal de humanos e animais, esses microrganismos também são capazes de causar uma ampla gama de doenças, que variam de quadros leves a infecções agudas, crônicas ou potencialmente fatais. Entre as patologias mais relevantes associadas aos estreptococos estão a escarlatina, a febre reumática, a glomerulonefrite pós-estreptocócica e a pneumonia pneumocócica.

Classificação dos Estreptococos

A classificação clínica dos estreptococos tem se baseado, predominantemente, na identificação dos sorogrupos relacionados à composição da parede celular, em vez da simples designação por espécies.

Historicamente, o foco maior concentrou-se em Streptococcus pyogenes (grupo A) e Streptococcus pneumoniae, devido à sua alta virulência e associação com doenças graves.

Todavia, com o avanço das técnicas de sorotipagem e biologia molecular, outras espécies de estreptococos também passaram a ser reconhecidas por sua relevância clínica. Entre elas, destacam-se:

  • Streptococcus agalactiae (grupo B): principal agente de infecções neonatais, como sepse e meningite.
  • Estreptococos do grupo D, atualmente reclassificados como Enterococcus faecalis e Enterococcus faecium: frequentemente implicados em infecções hospitalares e endocardites, com destaque para sua resistência antimicrobiana.
  • Estreptococos viridans: grupo heterogêneo cuja classificação taxonômica ainda apresenta inconsistências, mas que inclui espécies associadas a cáries dentárias (S. mutans, S. sanguis), bacteremias, endocardites e infecções supurativas profundas.

Estrutura e mecanismos de patogenicidade dos estreptococos

A compreensão da estrutura e dos mecanismos de patogenicidade dos estreptococos é essencial para interpretar sua atuação como agentes infecciosos em humanos.

Esses microrganismos apresentam características morfológicas, bioquímicas e antigênicas que influenciam diretamente sua capacidade de colonização, evasão do sistema imune e indução de doença.

Espécies como Streptococcus pyogenes e Streptococcus pneumoniae, por exemplo, destacam-se pela variedade de fatores de virulência, incluindo cápsulas, proteínas de superfície e toxinas extracelulares, os quais determinam tanto a natureza das infecções agudas quanto a possibilidade de sequelas imunomediadas.

Estrutura geral e características dos estreptococos

Os estreptococos são cocos Gram-positivos, imóveis, não esporulados e geralmente necessitam de meios de cultura enriquecidos para crescer.

Streptococcus pyogenes apresenta-se em cadeias devido à divisão em um único plano, enquanto Streptococcus pneumoniae aparece como diplococos em forma de lança.

A ausência da enzima catalase os diferencia dos estafilococos. Além disso, são predominantemente anaeróbios facultativos, embora alguns sejam estritamente anaeróbios.

As colônias de estreptococos variam conforme a espécie. Por exemplo, S. pneumoniae apresenta uma depressão central nas colônias devido à autólise.

Classificação hemolítica

A classificação tradicional baseia-se no padrão de hemólise em ágar sangue:

  • β-hemólise: lise completa dos eritrócitos (S. pyogenes);
  • α-hemólise: lise parcial ou esverdeada (S. pneumoniae, estreptococos do grupo viridans);
  • γ-hemólise: ausência de hemólise.

Contudo, uma mesma espécie pode apresentar diferentes padrões hemolíticos conforme o ambiente.

Estrutura antigênica e fatores de virulência

A parede celular dos estreptococos do grupo A contém peptidoglicano e antígenos polissacarídicos específicos. A proteína M, presente em S. pyogenes, por exemplo, é um dos principais fatores de virulência por inibir a fagocitose.

Além disso, a cápsula de S. pyogenes, feita de ácido hialurônico, mimetiza os tecidos do hospedeiro, dificultando o reconhecimento imune. A membrana citoplasmática de S. pyogenes também apresenta antígenos semelhantes aos de tecidos cardíacos e musculares, contribuindo para reações autoimunes.

Por fim, a cápsula que confere resistência à fagocitose em Streptococcus pneumoniae é reconhecida como seu principal fator de virulência. Dentre os diversos sorotipos, o tipo 3 se destaca por produzir grandes quantidades de cápsula, sendo considerado o mais agressivo em termos de potencial infeccioso.

Produtos extracelulares e toxinas

S. pyogenes secreta diversos produtos que auxiliam na invasão tecidual e na evasão imune, incluindo:

  • Estreptolisinas S e O (citotóxicas);
  • Hialuronidase, que degrada matriz extracelular;
  • Estreptoquinase, que lisa fibrina;
  • Estreptodornases, com atividade nucleásica;
  • Exotoxinas pirogênicas (SPEs A, B, C), que atuam como superantígenos, desencadeando liberação maciça de citocinas e síndrome do choque tóxico.

Patogênese das infecções estreptocócicas

S. pyogenes e S. pneumoniae habitam a nasofaringe humana, geralmente em equilíbrio com a flora normal. Portanto, a doença geralmente ocorre após a aquisição de uma nova cepa ou desequilíbrio nas defesas locais.

S. pyogenes causa infecções supurativas como faringite, impetigo, otite, celulite e, em casos graves, fasceíte necrosante e síndrome do choque tóxico. Já S. pneumoniae é a principal causa de pneumonia bacteriana fora do período neonatal e também provoca sinusite, otite média, meningite e empiema. Além disso, ambos podem disseminar-se a partir do trato respiratório para corrente sanguínea, articulações, ossos e, mais raramente, para outros órgãos.

Ademais, a infecção por S. pyogenes pode levar a complicações imunológicas não supurativas, como:

  • Febre reumática aguda (FRA): associada exclusivamente à faringite, pode causar lesões cardíacas permanentes. Portanto, a profilaxia antibiótica contínua é indicada após um primeiro episódio.
  • Glomerulonefrite aguda (GN): pode seguir-se tanto a infecções de garganta quanto cutâneas, devido à deposição de complexos imunes nos glomérulos.

Essas sequelas envolvem mimetismo molecular entre antígenos bacterianos e estruturas do hospedeiro, levando a reações autoimunes.

Abordagem diagnóstica de infecções por estreptococos

O diagnóstico das infecções por estreptococos exige uma combinação de avaliação clínica, métodos laboratoriais e testes sorológicos para assegurar precisão e orientar o tratamento adequado.

Devido à semelhança dos sintomas com outras infecções, especialmente virais, o uso de técnicas bacteriológicas e sorológicas é fundamental para confirmar a presença desses agentes e suas possíveis complicações.

Diagnóstico clínico

A distinção entre faringite estreptocócica e viral é difícil apenas pelos sintomas, mesmo para clínicos experientes, tornando necessário o uso de exames bacteriológicos.

O diagnóstico de escarlatina é facilitado pela presença de uma erupção cutânea característica. Na síndrome do choque tóxico estreptocócico, por sua vez, sinais como hipotensão, choque e isolamento do S. pyogenes, junto com manifestações sistêmicas, são essenciais para o reconhecimento.

Com relação às sequelas, a febre reumática é uma complicação tardia da faringite, que caracteriza-se por febre, inflamação das articulações e do coração. Já a glomerulonefrite aguda ocorre após infecções de garganta ou pele, com sintomas como sangue na urina, edema e hipertensão.

Diagnóstico laboratorial

O isolamento de S. pyogenes é geralmente realizado a partir de culturas de garganta ou borda da lesão (em casos de celulite ou erisipela), enquanto S. pneumoniae é isolado de escarro ou sangue.

A identificação baseia-se em coloração de Gram, testes bioquímicos e sorológicos. Além disso, testes de triagem, como a suscetibilidade à bacitracina para S. pyogenes e sensibilidade à optoquina para S. pneumoniae, auxiliam na identificação presuntiva.

Os testes sorológicos, como os títulos de antiestreptolisina O (ASO) e anti-DNase B, são úteis para diagnóstico e monitoramento das infecções e suas complicações.

Tratamento de infecções por Estreptococos

A penicilina permanece o tratamento padrão para infecções por Streptococcus pyogenes, sendo uma opção segura, econômica e altamente eficaz, já que essa espécie continua universalmente sensível ao antibiótico, o que é cada vez mais raro entre os patógenos bacterianos.

O tratamento geralmente dura 10 dias para faringite estreptocócica e até 14 dias para pneumonia pneumocócica, com o objetivo principal de prevenir a febre reumática, além de acelerar a recuperação e reduzir a transmissibilidade.

Por outro lado, Streptococcus pneumoniae tem demonstrado aumento preocupante da resistência à penicilina e a outros antibióticos, especialmente em cepas envolvidas em infecções invasivas, como meningite e bacteremia. A escolha do antimicrobiano nesses casos deve ser orientada pela concentração inibitória mínima (MIC), sendo muitas vezes necessário o uso de cefalosporinas de terceira geração ou vancomicina.

Já os enterococos do grupo D, hoje reclassificados como Enterococcus faecalis e E. faecium, apresentam frequentemente resistência a múltiplas classes de antibióticos, incluindo aminoglicosídeos e vancomicina. Em infecções graves, o tratamento pode requerer a combinação de β-lactâmicos com aminoglicosídeos para efeito sinérgico.

Por fim, a resistência bacteriana, impulsionada por mutações e pela pressão seletiva decorrente do uso excessivo e inadequado de antibióticos, representa um desafio crescente, tanto em ambientes hospitalares quanto na comunidade. Assim, estratégias como o uso racional de antimicrobianos, o controle rigoroso de infecções e a vacinação tornam-se essenciais para conter a disseminação de cepas resistentes.

Prevenção

Com o aumento da resistência antimicrobiana, a prevenção das infecções causadas por estreptococos, especialmente S. pneumoniae, tornou-se uma prioridade em saúde pública. Apesar da redução da mortalidade graças ao uso de antibióticos, a incidência das doenças pneumocócicas continua significativa, o que reforça a importância das estratégias de imunização.

Nesse contexto, destacam-se duas vacinas principais:

  • Vacina pneumocócica conjugada (PCV13, recentemente substituída por versões mais amplas como a PCV15 e PCV20), que promove resposta imune robusta e duradoura, sendo indicada para crianças pequenas, idosos e imunocomprometidos;
  • Vacina pneumocócica polissacarídica (PPV23), que cobre um número maior de sorotipos, sendo recomendada para adultos acima de 60 anos e pessoas com comorbidades de risco, como doenças cardiovasculares, pulmonares e imunossupressão.

Essas vacinas são eficazes na prevenção de doenças invasivas, como pneumonia, meningite e bacteremia, além de reduzirem a colonização nasofaríngea e a transmissão comunitária. Em tempos de crescente resistência bacteriana, a vacinação é uma ferramenta indispensável na prevenção de complicações graves e na preservação da eficácia terapêutica dos antibióticos disponíveis.

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Referências

  • Patterson, M. J. Capítulo 13: Streptococcus. Microbiologia Médica, 4ª edição. 1996.

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