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Estiramento no joelho: lesões comuns, diagnóstico e reabilitação

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O estiramento no joelho é uma condição frequente tanto em atletas quanto em indivíduos não atletas, caracterizada pela lesão de fibras musculares ou ligamentares decorrente de movimentos bruscos, sobrecarga ou instabilidade articular.

O joelho, por ser uma das mais complexas e exigidas do corpo humano, está constantemente exposta a forças que podem ultrapassar sua capacidade de resistência, favorecendo o surgimento de lesões. Portanto, reconhecer os mecanismos de ocorrência, as estruturas mais acometidas, os sinais clínicos e os métodos diagnósticos é essencial para orientar o tratamento adequado e promover uma reabilitação eficaz, prevenindo complicações.

Anatomia funcional do joelho

O joelho é a maior articulação do corpo humano e funciona principalmente como uma dobradiça, permitindo os movimentos de flexão e extensão, embora também possibilite rotação, compressão e pequenos deslocamentos, limitados pela estabilidade dos tecidos moles.

Estruturalmente, é uma articulação sinovial composta pelas articulações tibiofemoral e patelofemoral, envolvendo ossos como fêmur, tíbia e patela, esta última atuando como ponto de inserção do quadríceps e proteção da face anterior femoral.

A estabilidade do joelho depende de estruturas estáticas e dinâmicas. Entre os estabilizadores estáticos estão a cápsula articular, ligamentos extracapsulares (como o colateral medial e o colateral lateral), ligamentos intra-articulares (ligamento cruzado anterior e ligamento cruzado posterior) e os meniscos, que atuam como amortecedores e redutores de atrito.

Já os estabilizadores dinâmicos correspondem aos músculos que envolvem a articulação, em especial o quadríceps femoral, principal extensor e elemento chave para o alinhamento, e os flexores (isquiotibiais, grácil, gastrocnêmio e poplíteo), responsáveis pela flexão, rotação e auxílio na proteção contra deslocamentos.

Ademais, diversas bursas, como a suprapatelar, pré-patelar e anserina, reduzem o atrito entre estruturas durante os movimentos. Dessa forma, a integração entre ossos, ligamentos, meniscos, bursas e músculos garante a função do joelho como uma articulação de suporte de peso essencial para caminhar, correr e saltar, ao mesmo tempo em que assegura mobilidade e estabilidade.

Conceito de estiramento no joelho

O estiramento no joelho é uma lesão comum que geralmente ocorre após uma entorse ou movimento de torção da articulação. Nessa condição, estruturas estabilizadoras como ligamentos, tendões e cápsula articular são esticadas além do seu limite fisiológico, mas sem chegar à ruptura completa. Embora dolorosa, costuma cicatrizar espontaneamente na maioria dos casos, sem necessidade de cirurgia.

Classificação dos estiramentos

Os estiramentos classificam-se em graus de gravidade, conforme a intensidade da lesão:

  • Grau I: lesão leve, com estiramento discreto das fibras, dor localizada, mas sem perda significativa da função.
  • Grau II: lesão moderada, caracterizada por rompimento parcial das fibras, dor mais intensa, edema, instabilidade ou dificuldade de movimentação.
  • Grau III: lesão grave, com ruptura completa das fibras musculares ou ligamentares, dor acentuada, perda de função e, muitas vezes, necessidade de tratamento cirúrgico.

Causas e fatores de risco

O estiramento no joelho está frequentemente associado a situações em que a articulação é submetida a movimentos excessivos ou inadequados.

Entre as principais causas, destacam-se a sobrecarga durante a prática esportiva, especialmente em modalidades que envolvem giros, saltos ou mudanças rápidas de direção, e a realização de atividades físicas sem o devido aquecimento e alongamento, o que reduz a flexibilidade e aumenta o risco de lesão. Os traumas diretos, como choques em esportes de contato, e os movimentos bruscos ou torcionais também são desencadeadores comuns de estiramentos ligamentares e tendíneos.

Além disso, desequilíbrios musculares ou alterações biomecânicas, como desalinhamento dos membros inferiores, comprometem a estabilidade articular e favorecem lesões.

Existem ainda condições predisponentes que aumentam a vulnerabilidade ao estiramento, como:

  • Obesidade, que sobrecarrega a articulação;
  • Histórico prévio de lesões, que fragiliza ligamentos e tendões;
  • Instabilidade articular, que dificulta o controle dos movimentos do joelho.

Lesões comuns associadas ao estiramento do joelho

Lesões comumente associadas ao estiramento do joelho envolvem estruturas ligamentares, musculares e cartilaginosas.

  • Ligamento colateral medial (LCM): dor e instabilidade medial;
  • Ligamento cruzado anterior (LCA): instabilidade anterior e rotacional;
  • Ligamento cruzado posterior (LCP): instabilidade posterior;
  • Distensões musculares: envolve músculos como quadríceps, isquiotibiais e gastrocnêmios;
  • Lesões meniscais e de cartilagem: podem ser traumáticas ou degenerativas.

Quadro clínico do estiramento do joelho

O estiramento do joelho pode manifestar-se com dor localizada, sensibilidade ao toque e sinais inflamatórios, como inchaço e hematomas. Em muitos casos, o paciente relata dificuldade para dobrar a articulação ou caminhar, além de perceber que o joelho torna-se instável, podendo até “ceder” em atividades como subir ou descer escadas.

Dependendo da gravidade e da estrutura atingida, pode haver também limitação para apoiar o peso corporal na perna lesionada.

Lesões ligamentares, em especial no ligamento cruzado anterior (LCA), frequentemente estão associadas a episódios de instabilidade súbita, geralmente durante movimentos de giro, corte ou aterrissagem de um salto.

Diagnóstico do estiramento do joelho

O diagnóstico do estiramento do joelho começa com avaliação clínica, na qual o médico examina a articulação, verifica dor, sensibilidade e instabilidade, além de testar a amplitude de movimento. Em alguns casos, o exame físico é suficiente para identificar o estiramento, mas exames de imagem podem ser solicitados para confirmar a extensão da lesão ou descartar fraturas.

Entre os métodos de imagem, a ressonância magnética (RM) é considerada a principal ferramenta para diagnosticar lesões ligamentares, tendíneas e capsulares, com alta sensibilidade e especificidade. Ela permite avaliar a continuidade das fibras, alterações de sinal e a presença de lesões associadas, como danos aos meniscos, ossos e cartilagem.

Além disso, exames complementares, como radiografias, ajudam principalmente a descartar fraturas ou avulsões ósseas, enquanto a tomografia computadorizada (TC) é útil em casos específicos, como avaliação da perda óssea e planejamento de revisões cirúrgicas.

Tratamento do estiramento do joelho

Manejo inicial

O manejo inicial do estiramento no joelho envolve medidas de proteção e alívio dos sintomas.

Portanto, recomenda-se um protocolo que envolve proteção, repouso, gelo, compressão e elevação:

  • O joelho deve ser protegido com joelheira, tala ou bandagem elástica;
  • A articulação precisa de descanso, muitas vezes com uso de muletas;
  • A aplicação de gelo reduz dor e inchaço;
  • Compressão ajuda na estabilização;
  • Elevação diminui o edema.

Além disso, analgésicos e anti-inflamatórios, como paracetamol e ibuprofeno, podem ser usados para aliviar a dor.

A maioria dos estiramentos evolui bem com tratamento conservador, sem necessidade de cirurgia, especialmente quando não há ruptura completa das estruturas.

Reabilitação

Após o controle da dor e do inchaço, inicia-se a reabilitação com exercícios leves de alongamento e progressão gradual para atividades funcionais.

Portanto, a fisioterapia desempenha papel central, com foco na recuperação da amplitude de movimento, fortalecimento de quadríceps, isquiotibiais, abdutores do quadril e core, e melhora do equilíbrio muscular.

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico é indicado em casos específicos, como rupturas completas em pacientes jovens ou ativos que praticam esportes de alto impacto, ou quando há instabilidade funcional significativa.

Além disso, o sucesso cirúrgico depende também da reabilitação pré e pós-operatória, que garante recuperação da amplitude de movimento e força muscular.

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Referências

  • Evans J, Mabrouk A, Nielson Jl. Lesão do Ligamento Cruzado Anterior do Joelho. [Atualizado em 17 de novembro de 2023]. Em: StatPearls [Internet]. Ilha do Tesouro (FL): StatPearls Publishing; jan. de 2025. 
    Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK499848/.
  • Neal S, Lawson D. Rehabilitation of common knee injuries and conditions. UpToDate, 2023.
  • Educação do pacinete: entorse de joelho. UpToDate, 2025.
  • Educação do paciente: Dor no joelho (além do básico). UpToDate, 2025.

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