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Espondilite Anquilosante (AE): epidemiologia, fisiopatologia e mais

espondilite anquilosante

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Espondilite anquilosante: tudo o que você precisa saber sobre essa doença para sua prática clínica!

A espondilite anquilosante (EA) se caracteriza por ser um distúrbio inflamatório de causa desconhecida que afeta primariamente o esqueleto axial, sendo que articulações periféricas e estruturas extra-articulares também são envolvidas com frequência.

Essa classificação inclui tanto EA, definida como estágios iniciais que ainda não preenchem os critérios clássicos para EA, mas provavelmente ela também inclui outras condições com uma história natural diferente.

Epidemiologia da espondilite anquilosante 

A Espondilite Anquilosante é o distúrbio inflamatório mais comum do esqueleto axial. A EA ocorre em 0,2% da população geral, em 2% da população B27-positiva e em 20% dos indivíduos B27-positivos com um membro da família afetado.

Uma predominância pelo sexo masculino na doença é evidente, com uma relação homem/mulher variando de 2,5:1 a 5:1. No entanto, estudos epidemiológicos recentes têm revelado um menor envolvimento do sexo feminino do que tais estimativas indicavam.

A base para a predisposição de gênero ainda não foi esclarecida. Entretanto, sustenta-se que a Espondilite Anquilosante seja sub-reconhecida em mulheres, talvez devido a uma doença axial mais branda e a um início mais tardio da doença, mas outros diagnósticos de dor pélvica e dor lombar em mulheres tende a dificultar o diagnóstico desta em pacientes do sexo feminino.

Qual a fisiopatologia da espondilite anquilosante?

A fisiopatologia da espondilite anquilosante envolve um processo complexo de inflamação, reação autoimune e eventual formação de ossificação excessiva nas articulações afetadas. Embora não compreenda-se a causa exata completamente, acredita-se que fatores genéticos e imunológicos desempenhem um papel importante.

A EA tem uma forte associação com o antígeno leucocitário humano (HLA-B27), que é um marcador genético. No entanto, nem todas as pessoas com HLA-B27 desenvolvem a doença, e nem todas as pessoas com EA são portadoras desse antígeno. A presença de HLA-B27 parece aumentar a suscetibilidade à doença.

O processo começa com a ativação do sistema imunológico. Assim, acredita-se que ocorra uma resposta imunológica desregulada, onde o sistema imunológico começa a atacar erroneamente as células normais do corpo, especialmente nas articulações da coluna vertebral e sacroilíacas. Além disso, as células imunes, como os linfócitos e as células dendríticas, infiltram-se nas articulações afetadas, liberando citocinas pró-inflamatórias, como o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e interleucinas. Isso provoca uma reação inflamatória crônica nas articulações.

Dessa forma, a inflamação contínua leva à degradação do tecido articular, causando dor, rigidez e perda de função das articulações. O processo inflamatório também pode estimular a formação de tecido fibroso em torno das articulações, contribuindo para a rigidez.

Portanto, à medida que a inflamação persiste, ocorre uma reação de reparo excessiva do corpo, levando à formação de osso novo nas áreas afetadas. Isso é conhecido como ossificação ou anquilose. Com o tempo, os ossos afetados podem fundir-se, resultando na perda da mobilidade das articulações.

Manifestações clínicas da espondilite anquilosante

A espondilite anquilosante (EA) é uma doença que pode ter uma ampla gama de manifestações clínicas. Seus sintomas podem variar de leves a graves e podem afetar diferentes áreas do corpo.

A dor nas costas é um dos sintomas mais característicos da EA. Inicialmente, a dor é frequentemente intermitente e ocorre principalmente durante a noite e pela manhã. A rigidez matinal é comum e pode durar mais de 30 minutos. Com a progressão da doença, a dor nas costas e a rigidez podem se tornar mais constantes.

A EA tende a afetar as articulações sacroilíacas e as vértebras da coluna vertebral. Isso pode levar a uma inflamação das articulações entre as vértebras (denominada espondilite), resultando em:

  • Dor
  • Rigidez
  • Perda de flexibilidade da coluna

Com o tempo, as vértebras podem se fundir, levando a uma postura característica inclinada para a frente.

Além da coluna vertebral, outras articulações, como as articulações do quadril, ombros e joelhos, podem ser afetadas pela inflamação. Isso pode resultar em dor, inchaço e limitação do movimento nessas articulações.

Alguns pacientes com EA podem desenvolver uveíte anterior aguda, uma inflamação da camada média do olho (íris). Isso pode causar olhos vermelhos, dor ocular e sensibilidade à luz.

Como é feito o diagnóstico da espondilite anquilosante?

O diagnóstico da espondilite anquilosante (EA) pode ser um processo complexo que envolve a avaliação dos sintomas clínicos, exames de imagem e, ocasionalmente, testes laboratoriais. Geralmente, é necessário o envolvimento de um médico reumatologista, que é especializado em doenças musculoesqueléticas e autoimunes.

O diagnóstico precoce é importante para iniciar o tratamento adequado e gerenciar a progressão da doença.

Histórico médico e exame físico

O médico começará entrevistando o paciente para entender os sintomas e a história médica. A presença de dor nas costas crônica, especialmente durante a noite e a manhã, juntamente com rigidez matinal prolongada, é um dos principais sintomas observados na EA.

Assim, o médico também deverá examinar as articulações e a coluna vertebral em busca de sinais de inflamação ou limitação de movimento.

Critérios diagnósticos

Existem critérios diagnósticos estabelecidos para a EA, como os Critérios de Nova York (modificados) ou os Critérios de Classificação para EA. Esses critérios levam em consideração fatores como:

  • Presença de dor nas costas crônica
  • Rigidez matinal
  • Melhora com exercício
  • Duração dos sintomas
  • Evidência de inflamação nas radiografias.

Exames de imagem

Radiografias simples da coluna vertebral e da pelve podem mostrar alterações características associadas à EA, como espondilite, ossificação excessiva (anquilose) das articulações e fusão das vértebras.

No entanto, essas alterações podem levar algum tempo para se desenvolver e serem visíveis nas radiografias. A ressonância magnética (RM) é uma ferramenta mais sensível para detectar inflamação precoce nas articulações sacroilíacas e na coluna vertebral.

Exames laboratoriais

Não existe um único teste laboratorial específico para diagnosticar a EA. No entanto, alguns exames de sangue podem ser úteis para descartar outras condições e fornecer informações adicionais.

O teste para o antígeno HLA-B27 pode ser realizado, mas a presença desse antígeno não é suficiente para confirmar o diagnóstico, uma vez que muitas pessoas saudáveis também podem ser portadoras.

Tratamento

O tratamento da espondilite anquilosante (EA) é direcionado para aliviar os sintomas, reduzir a inflamação, melhorar a função articular e prevenir a progressão da doença. O tratamento é individualizado e depende da gravidade dos sintomas e do impacto da EA na qualidade de vida do paciente.

Frequentemente utiliza-se medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como tratamento inicial para aliviar a dor, a rigidez e a inflamação. Os AINEs podem ser eficazes em muitos pacientes, mas eles não alteram a progressão da doença e podem ter efeitos colaterais gastrointestinais.

Utiliza-se medicamentos biológicos, como os inibidores do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) em pacientes com EA mais grave. Também podem ser utilizados em pacientes que não respondem bem aos AINEs. Esses medicamentos têm como alvo as causas subjacentes da inflamação. Dessa forma, podem ajudar a reduzir significativamente os sintomas e melhorar a função articular.

A atividade física regular é crucial no tratamento da EA. Exercícios de alongamento e fortalecimento podem melhorar a flexibilidade, a postura e a função das articulações. Exercícios aquáticos, como natação, também podem ser benéficos.

Assim, é importante lembrar que o tratamento da espondilite anquilosante é geralmente contínuo e pode envolver uma combinação de diferentes abordagens. Portanto, o reumatologista irá trabalhar em estreita colaboração com o paciente para desenvolver um plano de tratamento individualizado que aborde seus sintomas específicos e necessidades.

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Referência bibliográfica

  • VASCONCELOS, José Tupinambá Sousa (Ed.). Livro da sociedade brasileira de reumatologia. Barueri : Manole, 2019, 788.
  • Lopes AC. Tratado de Clínica Médica. 3ª ed. Rio de Janeiro: Roca, 2016.

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