Comunicar
cientificamente causa arrepios em muitos alunos quando vão redigir seu primeiro
projeto ou artigo. A inexperiência, o nervosismo e a pressão envolvida levam a
erros, e muitos deixam de fazer novos projetos, negligenciando, a partir daí,
uma parte essencial da formação e constante atualização do profissional da área
da saúde.
A escrita
científica assume a função de transmitir de forma simples, direta e lógica os
achados de um estudo. Ela deve ser capaz de comunicar sem brumas, por isso
exige antes de tudo o comedimento, a
impessoalidade e a objetividade. Não é uma linguagem para impressionar o
leitor. A língua, portanto, não deve se expressar mais do que os dados e
conclusões de um estudo.
Muitos autores
possuem dificuldade de dissociar o texto de suas pessoas. Empregam pronomes
possessivos, primeira pessoa do singular ou do plural. Utilizam expressões como
“concluímos”, “jugamos que”, “deduzimos”, “meus estudos”. Além disso, muitos se
apegam à subjetividade e utilizam expressões como “pensamos”, “parece-nos”, “me
parece”. A terceira pessoa do singular concede o distanciamento adequado entre
o autor e o seu texto e deve ser prioritária.
Na redação, é
importante ser informativo e ao mesmo tempo em que se instrui. O artigo
científico precisa transmitir conhecimentos e informações, deve ser, desta
forma, oriundo de análises, síntese, argumentação e conclusão — processos que
devem ficar evidentes.
A escolha das
palavras e expressões empregadas deve se pautar pela busca da clareza e
precisão. O sentido figurado deve ser abominado, assim como a linguagem
demasiadamente rebuscada e a redundância. Deve-se adotar os termos no sentido
denotativo e se evitar palavras que possam ter mais de um significado ou até
mesmo significados antagônicos (ex. o adjetivo famigerado). Cuidado também com emprego de termos desnecessário
como adjetivos e advérbios.
Na construção do
texto científico, são indicadas frases curtas, visto que períodos
demasiadamente longos prejudicam a compreensão. A ordem direta da oração também
é mandatória. Deve-se manter a coerência e a conexão entre frases diferentes,
para tanto, pronomes demonstrativos e relativos, advérbios e conjunções são
ferramentas que devem ser exploradas, sempre se evitando termos desnecessários.
Não se deve
esquecer dos princípios básicos de toda a escrita, científica e não científica:
leia mais do que escreva, consulte boas gramáticas (cuidado com a pontuação e a
com a concordância verbal e nominal), tenha dicionários na cabeceira, releia
seu texto até que encontre a melhor versão dele, não seja preguiçoso (planeje,
monte uma estrutura lógica, esquematize antes de redigir). Lembre-se que
ninguém é o melhor corretor de si mesmo e tenha em mente que “errare humanum est”.
“Para a imensa maioria dos eruditos, sua
ciência é um meio e não um fim. Desse modo, nunca chegarão a realizar nada de
grandioso, porque para tanto seria preciso que tivessem o saber como meta, e
que todo o resto, mesmo sua própria existência, fosse apenas um meio”.
Arthur Schopenhauer.
Autor: Josué Brito, Estudante de Medicina
Instagram: @josuebrito98