O escorbuto aflige os seres humanos há séculos. Documentos antigos mostram que os egípcios já conheciam a doença desde 1515 a.C., mas ela foi associada à deficiência de vitamina C no organismo apenas no século XVIII.
Durante as Grandes Navegações muitos marinheiros morreram dessa enfermidade. O médico escocês James Lind, no ano de 1747, realizou o primeiro ensaio clínico de que se tem notícia na história da medicina para encontrar as causas da doença. Lind dividiu doze dos marinheiros que se encontravam acometidos por essa doença em seis grupos de dois.
Todos tinham a mesma dieta, no entanto, cada grupo recebia uma complementação com um item específico. Entre os seis grupos, apenas um se curou – aquele que recebeu como complemento nutricional limões e limas frescas. Diante dos resultados obtidos em seu experimento, James Lind foi o primeiro a relacionar a mortalidade dos marinheiros à deficiência de vitamina C. No entanto, o fator antiescorbuto nos mais diversos alimentos só foi descoberto, isolado e denominado de vitamina C no ano de 1928, pelo cientista Albert von Szent-Györgyi.
Nos dias atuais,
o escorbuto é uma doença de baixa prevalência. Os casos observados dessa doença
atualmente ocorrem em grupos especiais, os chamados grupos de risco. Esses grupos são constituídos, por
exemplo, por pessoas que não têm uma dieta adequada ou que apresentam distúrbios alimentares, problemas
de absorção e alcoolismo.
Os sintomas de escorbuto costumam aparecer 3 a 6 meses após a interrupção
ou diminuição do consumo de alimentos ricos em vitamina C, o que provoca alterações
em vários processos do corpo, e leva ao aparecimento de sinais e sintomas da doença,
sendo os principais: sangramento fácil da pele e da gengiva; dificuldade na cicatrização
de feridas; cansaço fácil; palidez; inchaço das gengivas; perda do apetite; deformidades
e quedas dentárias; pequenas hemorragias; dor muscular; dor nas articulações. No
caso dos bebês, pode ser notada também irritabilidade, perda de apetite e dificuldade
em ganhar peso, além de também poder haver dor nas pernas a ponto de não querer
movimentá-las.
O diagnóstico é feito pela análise dos
sintomas e da história de vida do paciente, bem como por meio da administração de
vitamina C. A aplicação de vitamina C pode ser utilizada no diagnóstico em razão
da rápida melhora dos sintomas após o início do tratamento com ela. Exames de dosagem
dessa vitamina no organismo também podem ser realizados.
O tratamento
para escorbuto deve ser feito com suplementação de vitamina C por até 3 meses, podendo
ser indicado pelo médico o uso de 300 a 500mg de vitamina C por dia. Além disso,
é recomendado incluir na alimentação mais alimentos fonte de vitamina C, como acerola,
morango, abacaxi, laranja, limão e pimentão amarelo, por exemplo. Pode ser também
interessante tomar de 90 a 120ml de suco de laranja ou de tomate maduro acabados
de fazer, todos os dias, por cerca de 3 meses, como forma de complementar o tratamento.
Os sintomas já começam a apresentar melhoras a partir de 24 horas após o início
do tratamento. É importante destacar que a suplementação deve ser realizada sob
orientação médica. Jamais o paciente deve
se automedicar.
Somado a isso,
é importante destacar que o uso de
vitamina C sintética não é o mais
recomendado para a prevenção dessa doença. Muitas pessoas têm o hábito de ingerir
a vitamina C sintética acreditando que ela auxilia na prevenção não só do escorbuto,
mas de diversas outras doenças, como a gripe. No entanto, a melhor forma de prevenção
é a ingestão de frutas e vegetais.
Além da vitamina C, frutas e vegetais são ricos em outras vitaminas e compostos
que trazem grandes benefícios à saúde, como os compostos antioxidantes, que atuam no combate de
radicais livres no organismo, os
quais estão associados ao envelhecimento e a doenças como artrite, cardiopatias,
câncer, doenças do sistema imune, entre outras.
A vitamina C,
também conhecida como ácido ascórbico, pode ser encontrado em frutas cítricas como
laranja, limão, abacaxi e acerola, e nos vegetais como batata, brócolis, espinafre
e na pimenta-vermelha. Essa vitamina permanece num suco durante aproximadamente
meia hora e não resiste ao calor, por isso os vegetais ricos nessa vitamina devem
ser consumidos crus. A recomendação diária de vitamina C é de 30 a 60mg, mas é recomendado
um consumo maior durante a gravidez, amamentação, por mulheres que tomam a pílula
anticoncepcional e nas pessoas que fumam. Pode-se evitar o escorbuto consumindo
cerca de 10mg por dia.
Um exemplo recente
foi o caso de uma australiana, em Sydney. De acordo com o jornal australiano local,
Sydney Morning Herald, Penelope Jackson se tornou a primeira, de alguns residentes,
no oeste de Sydney a ser diagnosticada com o chamado “flagelo dos mares” – já que
a maioria das vítimas era marinheiros, uma vez que passavam muito tempo navegando
e não consumiam alimentos que continham vitamina C, como frutas. Seus principais
sintomas foram uma úlcera que não cicatrizou em meses, hemorragia nas gengivas,
dores musculares e queda de dentes. Mas seu diagnóstico final só veio após seu endocrinologista
decidir investigar sua dieta e descobrir a doença. Jackson quase não comia frutas
e cozinhava os vegetais em tempo máximo, até que se desintegrassem ao toque e, assim,
expelisse todos seus nutrientes.
As principais funções da vitamina C estão na síntese do colágeno – o que ajuda a garantir a saúde dos ossos, dentes, gengivas e vasos sanguíneos, além de contribuir para aumentar a absorção do ferro consumido na dieta.
Autora: Julya
Pavão
Instagram: @julyapavao