A Esclerose Sistêmica (ES) é uma doença multissistêmica autoimune do tecido conjuntivo, caracterizada por disfunção vascular generalizada e fibrose progressiva da pele e de outros órgãos.
A doença tem dois subtipos principais, a forma difusa e a forma limitada. A extensão do espessamento da pele é o que as diferencia. Na forma limitada o espessamento com endurecimento da pele ocorre principalmente em mãos e dedos, parte distal dos membros inferiores e face. Na forma difusa esse espessamento se estende para a porção proximal os membros, tórax e abdome.
Esclerose Sistêmica e Esclerodermia
Esclerose sistêmica e esclerodermia não são sinônimos!
A esclerodermia é dividida em dois tipos: a forma sistêmica, que é a esclerose sistêmica, e a forma localizada, que afeta uma área específica da pele.
Em função dos padrões da lesão, a forma limitada da esclerodermia pode ser classificada em três grupos: morfeia (placas de esclerose bem delimitadas na pele), esclerodermia linear (bandas fibróticas longitudinais que geralmente acometem membros) e lesão em golpe de sabre (lesão esclerótica linear, geralmente em face).

Imagem: Lesão em Golpe de Sabre. Fonte: http://geriderme.com.br/2016/08/o-que-e-morfeia-ou-esclerodermia/

Imagem: Morfeia Fonte: http://geriderme.com.br/2016/08/o-que-e-morfeia-ou-esclerodermia/

Imagem: Esclerodermia linear. Fonte: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042004000100016
É uma doença rara e alguns estudos sugerem uma incidência de 1 a 2 casos por 100.000 habitantes. Apresenta um pico de incidência entre 30 e 50 anos e é pelo menos quatro vezes mais prevalente em mulheres. Negros apresentam um maior risco para o desenvolvimento, principalmente na forma difusa e com início mais precoce.
A esclerose sistêmica é uma doença complexa de etiologia desconhecida, sendo improvável que um fator isolado, genético ou ambiental, seja a causa da doença. A infecção latente por vírus pode precipitar ou piorar a doença.
Certos retrovírus têm a mesma sequência da proteína Topoisomerase I, que é um alvo na ES, e podem, portanto, ser um fator precipitante. Dentre os fatores ambientais associados ao surgimento da ES estão: contato com sílica, solventes orgânicos, drogas, rotura de próteses de silicone e fatores mecânicos.
Fisiopatologia da Esclerose Sistêmica
A patogênese da esclerose sistêmica é complexa e permanece incompleta. Três componentes são importantes na patogênese da doença: lesão vascular, ativação imune e ativação de fibroblastos com produção excessiva de colágeno.

Imagem: Componentes celulares implicados na patogênese da esclerodermia. Fonte: Uptodate
Lesão vascular
O endotélio é lesado desde as fases iniciais da ES. Os mediadores envolvidos são o óxido nítrico (vasodilatador), endotelina 1 (vasoconstrictor) e ânions superóxido.
Os ânions superóxido, liberados pelo endotélio, neutralizam a ação do óxido nítrico e facilitam a oxidação da lipoproteína de baixa densidade (LDL) circulante, que pode ser fonte de citocinas que lesam o endotélio.
Outro fator que contribui para a lesão vascular é a deficiência de precursores de células endoteliais, além de sua incapacidade de diferenciação e maturação.
Ativação imune
A atividade celular e humoral parecem ter um papel importante na ES. Alguns anticorpos foram identificados na doença, sendo alguns altamente específicos, como o anticentrômero para a forma localizada e o anti-Scl-70 para a forma difusa.
A imunidade celular participa da patogênese através da produção de citocinas como IL2, IL4, IL6, IL8, além de TGF-beta, importante indutos da síntese de colágeno e fibronectina pelos fibroblastos.