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Eritrasma: sinais, diagnóstico e tratamento

Eritrasma

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O eritrasma é uma infecção bacteriana causada por Corynebacterium minutissimum, uma bactéria Gram positiva, sendo mais comum de ocorrer em climas tropicais quente e úmido e em pacientes diabéticos.

As regiões de dobras como cotovelos, axilas e virilhas tendem a ser os locais mais comuns de manifestação do eritrasma, porém as axilas são os primeiros locais de acometimento na maioria dos casos.

O eritrasma se apresenta como uma mancha bem delimitada e é um importante diagnóstico diferencial para outras condições que se manifestam na pele nesse formato de lesão.

Devido sua ocorrência relativamente frequente no Brasil devido ao clima do país, é importante que todo médico conheça essa patologia e saiba manejar adequadamente o quadro. 

Por isso, o presente artigo visa explorar as principais informações sobre o eritrasma, apresentando seus sinais e sintomas, como o diagnóstico pode ser realizado e como deve-se dar seguimento ao tratamento.

Aproveite a leitura!

Epidemiologia do eritrasma

O eritrasma é uma das infecções cutâneas mais comum, causadas por corinebactérias – bastonetes Gram positivos que representam uma parte expressiva da flora cutânea.

Essa é uma infecção que é difícil ter uma estimativa muito precisa sobre sua epidemiologia, principalmente pela possibilidade de subnotificações. Contudo, a literatura aponta os seguintes dados:

  • É uma condição é rara em crianças;
  • Ambos os sexos são igualmente efetados;
  • Pacientes com obesidade tem maior risco;
  • A incidência é maior em pacientes da raça negra.

Ambientes com clima quente e úmido representam o fator de risco principal para infecções cutâneas por corinebactérias não diftéricas, porém existem outros fatores de risco e de predisposição importantes, como:

O eritrasma interdigital é a infecção bacteriana mais comum dentre as que ocorrem nos pés e é a forma mais frequente de eritrasma.

Sinais e sintomas do eritrasma

A lesão que caracterizamos como eritrasma se manifesta como máculas pigmentadas ou placas finas, com tendências à descamação, geralmente em locais de flexura, incluindo axilas e virilhas.

Essa lesão é superficial e ocorre pela proliferação em grande volume do Corynebacterium minutissimum dentro da camada córnea da epiderme.

O tom da lesão varia entre rosa e vermelho, geralmente são bem delimitadas e são cobertas por escamas finas e com enrugamento local associado. Contudo, à medida que a infecção evolui, a lesão pode se tornar mais acastanhada.

Prurido não é um sintoma presente em todos os casos e a maioria dos pacientes são assintomáticos.

Eritrasma disciforme

Em pacientes diabéticos, no entanto, observa-se que uma variante pode ocorrer na distribuição das lesões, fazendo com que elas se apresentem fora dos locais intertriginosos. Essa variante recebe o nome de eritrasma disciforme.

Placa hiperpigmentada, bem delimitada e com aspecto descamativo que exemplifica o Eritrasma disciforme. Fonte: Bolognia et al, 2015.

Pacientes com eritrasma e que são imunocomprometidos devem ser observados de perto, uma vez que já existem relatos na literatura referente a evolução do eritrasma para celulite e bacteremia.

Diagnóstico do eritrasma

Além do exame físico em que se espera encontrar lesão em placa e possivelmente descamada, é preciso realizar um teste chamado de fluorescência rosa-coral sob a lâmpada de Wood.

Quando a lâmpada de Wood iluminam o local da lesão, o aspecto fluorescente e brilhante num tom vermelho-coral surge em resposta às porfirinas produzidas pelas bactérias.

Além desse teste, é possível cultivar as corinebactérias no meio de cultura de tecido 199.

De forma geral, biópsias não são necessárias para confirmação do diagnóstico.

Como fazer a diferenciação de outras condições médicas?

Existe uma série de diagnósticos diferenciais para eritrasma, como tinha, dermatite seborreica e candidíase cutânea.

Outros diagnósticos diferenciais possíveis são:

  • Psoríase;
  • Dermatofitose;
  • Parapsoríase;
  • Pitiríase

É possível fazer a diferenciação clínica do eritrasma com dermatofitose devido a expressão da descamação. A descamação o eristrama é bem difuso e não há tendência ao clareamento central como ocorre com a dermatofitose.

Tratamento do eritrasma

O tratamento inclui antibióticos como terapia tópica e local, além de ser possível associar ao uso de antifúngicos orais.

Como terapia tópica, estão indicados:

  • 20% de cloreto de alumínio;
  • Clindamicina;
  • Claritromicina;
  • Pomada de Whitfield ou peróxido de benzoíla (ácido salicílico e benzoico);
  • Mupirocina
  • Ácido fusídico.

Antifúngicos azólicos podem também ser utilizados, assim como o ácido fusídico – este último se associado a corticóide tópico.

Em casos de eritrasmas disseminados ou recalcitrantes, pode-se indicar eritromicina oral ou as tetraciclinas como linha preferencial de tratamento.

Em qualquer estágio da infecção, é recomendado o uso de sabonetes com ação antibacteriana devido seu potencial de prevenção contra recorrências.

Posologia dos antibióticos no tratamento do eritrasma

Diante do diagnóstico de eritrasma, recomenda-se um macrolídeo como antibiótico de escolha.

No caso da eritromicina, indica-se a posologia de 250mg, 4 vezes ao dia (ou de 6 a 6 horas), pelo período de 14 dias.

Se a claritromicina for o antibiótico de escolha, a dose única de 1g é o suficiente.

Ambas as medicações estão disponíveis no RENAME (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais) e, por isso, idealmente são disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde. 

Contudo, é importante verificar se a posologia indicada é a mesma que é disponibilizada pelo SUS em relação a concentração/composição e sua a forma farmacêutica.

Observações importantes sobre o tratamento do eritrasma

É preciso instruir os pacientes que usam a terapia com macrolídeos como a clindamicina ou a eritromicina a cerca de seus possíveis efeitos adversos, que incluem:

  • Náuseas;
  • Dor abdominal;
  • Sensação de gosto metálico na boca;
  • Arritmias;
  • Necrólise epidérmica tóxica.

Esses efeitos, embora não tão frequentes, precisam ser informados e deve-se ter muito cuidado com pacientes que possuam comprometimento hepático nesse contexto, visto que a icterícia pode ocorrer. 

Prognóstico e possíveis complicações

Prognóstico geral

O eritrasma responde bem ao tratamento tópico na maioria dos casos, sendo uma condição com prognóstico benigno.

Contudo, as taxas de recorrência da infecção são altas, sendo necessário acompanhamento longitudinal dos pacientes.

Complicações do eritrasma

Embora raríssimas, as complicações tem maior chance de ocorrer em pacientes com imunocomprometimento que possuam outras infecções em atividade, causando condições como:

  • Abcessos;
  • Celulite;
  • Bacteremia primária;
  • Infecções relacionadas ao uso de cateter (em pacientes hospitalizados);
  • Granuloma cutâneo.

Quando muito extenso, o eritrasma pode evoluir para celulite, como visto anteriormente, sendo essa uma complicação possível e preocupante por suas repercussões sistêmicas.

A pele após o tratamento

Uma dúvida comum dos pacientes que tem eritrasma é: “a cor da pele volta ao normal após o tratamento do eritrasma?”.

Se um paciente apresenta esse questionamento, é importante que o médico informe que a cor da pele tende a normalizar com o tempo, se o tratamento medicamentoso for seguido em conformidade com os hábitos de higiene os cuidados gerais indicados.

O tempo em que a pele recuperará o tom e aspecto normal prévio à infecção depende de alguns fatores específicos como:

  • Gravidade da infecção;
  • Extensão da lesão;
  • Adesão terapêutica;
  • Resposta individual ao tratamento.

Prevenção do eritrasma

Além do processo de educação em saúde – que consiste em dialogar com o paciente sobre bons hábitos de higiene como secar adequadamente as regiões de dobras, não compartilhar toalhas com outras pessoas e usar roupas limpas – estão ações como:

  • Examinar os pacientes que já possuíram eritrasma em outras regiões além das áreas de flexuras;
  • Indicar o uso de hidratantes corporais para manter o turgor e hidratação da pele;
  • Seguir o tratamento de outras condições de base que o paciente possua, principalmente o diabetes mellitus e patologias que contribuem com o imunocomprometimento dos pacientes.
  • Evitar roupas apertadas para evitar retenção de umidade e calor;
  • Evitar o excesso de peso para redução do risco nas áreas de dobra de pele.

Acompanhamento multidisciplinar

O tratamento da maioria das condições de pele é conduzido por uma equipe composta por profissionais de diferentes áreas, principalmente no contexto da atenção primária.

Por isso, pacientes com eritrasma são acompanhados por diversos profissionais que devem estar cientes dos efeitos adversos dos macrolídeos e orientar não apenas o paciente, mas também seus familiares no contexto de observação desses eventos.

A enfermeira e o farmacêutico devem educar o paciente sobre as mudanças no estilo de vida que podem reduzir o risco de eritrasma, além de incentivar a prática de exercícios e perda peso, pois a obesidade é um importante fator de risco para eritrasma.

Nesse contexto, a nutrição é uma aliada importante para indicação de dieta saudável e limitar a ingestão de alimentos hiperglicêmicos, principalmente em pacientes com diabetes mellitus.

Veja também:

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Referências

  • ARMSTRONG, C. A. et al. Erytrasma. Uptodate, 2023. 
  • BOLOGNIA, J.L. et al. Dermatologia. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. 2792 p.
  • RIVITTI, E. Manual de Dermatologia Clínica. São Paulo: Artes Médicas, 2014.
  • AZULAY, R. D. et al. Azulay Dermatologia. 8 ed, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022. 1280p. 
  • GEN. Atlas da Dermatologia: da semiologia ao diagnóstico. 3 ed, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020.
  • SAMPAIO, S.A.P.; RIVITTI, E.A. Dermatologia. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2018.
  • SAAVEDRA, A.P. Dermatologia de Fitzpatrick: Atlas e Texto. 2015
  • Carretero HG. The relevance of dermatologic semiology in the diagnosis of skin disease. Med Cutan Iber Lat Am. 2014;42(1-3):5-11.

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