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Episiotomia: Procedimento e Cuidados Pós-Operatórios

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Confira tudo que você sabe sobre a episiotomia, o que é, quais são os benefícios, riscos, melhores práticas e mais.

A episiotomia, incisão cirúrgica realizada no períneo durante o parto vaginal, foi amplamente adotada como prática preventiva para facilitar o nascimento e evitar lacerações graves. 

No entanto, estudos recentes mostram que seus benefícios são limitados e que o procedimento pode trazer complicações adicionais, como dor persistente e disfunção sexual. 

Dessa forma, neste artigo, você entenderá as indicações atuais, os riscos envolvidos e as melhores práticas para um manejo baseado em evidências, visando decisões informadas e maior segurança para a paciente.

O que é Episiotomia?

Episiotomia é um procedimento cirúrgico que consiste em um corte realizado em uma região localizada entre a vagina e o ânus, também conhecida como períneo. 

Popularmente esse procedimento é conhecido como “pique”.

Quando é realizado?

Esse procedimento ocorre no último momento do segundo estágio do trabalho de parto. O principal objetivo era alargar a abertura vaginal com o intuito de facilitar a saída do bebê.

No entanto, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a primeira opção que deve ser priorizada é não fazer o procedimento devido aos possíveis riscos e a ausência de comprovação científica acerca da eficácia.

História

A prática da episiotomia se iniciou nos séculos passados, no momento em que o parto parou de ser realizado nos cômodos domésticos com parteiras, geralmente residências, e passou a ser feito nos hospitais com médicos. 

Como uma questão social, as pessoas decidiram ver o corpo feminino de forma mecânica, como algo que deveria funcionar melhor e, para isso, projetar ajustes.

Dessa forma, a episiotomia surgiu como forma de ajuste. Assim, os principais objetivos com a prática era:

  • acelerar o processo de parto;
  • evitar lacerações graves; e 
  • preservar o assoalho pélvico.

Em 1920, o obstetra americano Joseph DeLee era um dos principais defensores da episiotomia. Ele integra seu “manual de instruções ideais no parto”, que recomenda o uso sistemático da técnica para evitar complicações. Vários países, incluindo o Brasil, receberam bem esse modelo e o adotaram.

Tipos de Episiotomia

A episiotomia possui diferentes tipos que variam de acordo com a direção e o local do corte. Alguns dos tipos são:

  • Mediana ou central: corte em linha reta, o corte sai da comissora posterior da vulva em direção ao ânus;
  • Médio-lateral: com direção do corte feito na diagonal/lateral;
  • Lateral: corte realizado diretamente para a lateral;
  • Em “J” (jóta) : combinação do corte mediano com o corte curvado para a lateral, criando a letra “J” visualmente;
  • “T” invertido: Corte vertical combinado com um horizontal na base, formando um “T” invertido.

Tipo mais indicado

As mais comuns são a mediana e a mediolateral. Porém, a episiotomia mediolateral possui o corte na direção diagonal. Isso evita que a laceração natural do tecido durante o parto se prolongue para o esfíncter anal e reto, o que pode ocorrer mais facilmente com a episiotomia mediana. Isso reduz a chance de lesões graves de terceiro e quarto graus.

Dessa maneira, a forma mais indicada para a episiotomia é a mediolateral. Contudo, é considerada a mais dolorosa e com dificuldades para cicatrizar.

O que diz a OMS?

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a taxa recomendada de episiotomia é de somente 10%. No entanto, a partir de uma pesquisa realizada pela Fiocruz, 54% das mulheres são submetidas aos cortes durante o processo do parto.

Contra-indicações da Episiotomia

O profissional contraindica o procedimento quando analisa que os riscos superam os benefícios ou quando considera desnecessária a realização

Dessa forma, são contraindicações:

  • Períneo saudável e elástico;
  • Histórico de má cicatrização; e
  • Problemas de coagulações.

Riscos

Existem alguns riscos que também considerados como desvantagens. Alguns dos possíveis riscos são:

  • Inchaço;
  • O processo de cicatrização costuma ser dolorido e difícil;
  • Lesões em músculos da região íntima devido a extensão do corte;
  • Perda sanguínea;
  • Infecção;
  • Dor crônica;
  • Dificuldade nas relações sexuais;
  • Incontinência e mais.

Cuidados no pós-operatórios

Assim como qualquer procedimento cirúrgico, existem cuidados que precisam ser indicados para os pacientes no momento pós operatório. Saiba quais são eles:

  • Higienização da região;
  • Aplicação de compressas frias;
  • Utilizar corretamente os medicamentes;
  • Evitar esforços físicos;
  • Evitar relações sexuais durante o período de recuperação;
  • Ter uma alimentação adequada; e
  • Sem dúvida, manter o acompanhamento médico.

Contexto atual

Existe uma grande discussão acerca da conversa sobre a verdadeira necessidade da episiotomia. 

Vale ressaltar que muitos profissionais consideram o procedimento uma operação invasiva para as mulheres, principalmente porque utilizam essa prática para facilitar o mecanismo e o procedimento deles, e não necessariamente para contribuir com o paciente.

Dessa forma, a Faculdade Federal de Medicina em Minas Gerais (UFMG) está realizando estudos sobre os impactos específicos da episiotomia médio lateral na qualidade de vida pós-parto.

Assim, quando o procedimento é realizado sem o consentimento prévio da mulher, é considerada uma violência obstétrica. Por isso, é fundamental que o profissional converse antecipadamente com a paciente sobre a possível possibilidade e solicitar a autorização para se houver a necessidade.

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Referências:

Assistencia Ao Parto Normal Diretriz Nacional

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