Enxaqueca com aura: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!
A enxaqueca com aura é um transtorno neurológico que afeta aproximadamente 25% das pessoas que sofrem de enxaqueca. A aura consiste em sinais neurológicos transitórios que precedem ou acompanham a crise de dor de cabeça. Assim, os sintomas podem incluir alterações visuais, sensoriais e motoras, o que pode ser assustador para os pacientes.
Embora a enxaqueca com aura possa ser incapacitante, avanços na medicina oferecem uma variedade de tratamentos eficazes para alívio e prevenção das crises.
O que é a enxaqueca com aura?
A enxaqueca é uma condição caracterizada por dores de cabeça intensas, normalmente unilaterais e pulsáteis, acompanhadas por outros sintomas como náuseas e hipersensibilidade à luz e ao som. Dessa forma, a enxaqueca com aura é um subtipo específico, no qual o paciente apresenta sintomas neurológicos antes ou durante a crise de dor de cabeça.
A aura ocorre devido a uma atividade elétrica anormal no cérebro, seguida por alterações no fluxo sanguíneo. Esses efeitos podem impactar diferentes funções cerebrais, resultando nos variados sintomas da aura.
Sintomas da enxaqueca com aura
A aura geralmente se manifesta de forma progressiva, durando entre 5 a 60 minutos antes da dor de cabeça. Em alguns casos, a aura pode persistir durante a crise ou até ocorrer isoladamente, sem dor.
Sintomas visuais
- Flashes luminosos, pontos brilhantes ou escotomas cintilantes.
- Linhas em zigue-zague ou manchas na visão.
- Perda parcial ou total da visão em um dos olhos.
- Visão embaçada ou distorcida.
Sintomas sensoriais
- Dormência ou formigamento nas mãos, rosto ou braços.
- Sensibilidade alterada ao toque e temperatura.
- Sensação de choque elétrico.
Linguagem e fala
- Dificuldade para encontrar palavras.
- Fala arrastada ou embaralhada.
- Dificuldade para compreender o que os outros dizem.
Sintomas motores
- Fraqueza muscular em um lado do corpo (enxaqueca hemiplégica).
- Sensação de peso nos braços e pernas.
Além disso, se os sintomas persistirem por mais de 60 minutos, um médico deve ser consultado para descartar condições graves, como acidente vascular cerebral (AVC).
Diagnóstico da enxaqueca com aura
O diagnóstico da enxaqueca com aura é essencialmente clínico, baseado na história do paciente e nos padrões dos sintomas apresentados. Assim, a Sociedade Internacional de Cefaleia (IHS) estabelece critérios diagnósticos específicos, incluindo:
- Pelo menos duas crises com sintomas de aura reversíveis
- Pelo menos um dos sintomas de aura com duração entre 5 e 60 minutos
- A aura ser seguida ou acompanhada por cefaleia
Dessa forma, exames de imagem, como ressonância magnética (RM) e tomografia computadorizada (TC), podem ser solicitados para descartar outras condições neurológicas, como AVC ou epilepsia, especialmente em pacientes com sintomas atípicos.
Fatores de risco e desencadeantes
A enxaqueca com aura é uma condição neurológica complexa que possui uma origem multifatorial, envolvendo tanto fatores genéticos quanto ambientais.
Predisposição genética
Estudos indicam que há uma forte predisposição genética para o desenvolvimento dessa condição, sendo que aproximadamente 50% dos pacientes relatam ter um histórico familiar de enxaqueca.
Portanto, isso sugere que mutações ou variações genéticas podem influenciar a atividade neural e o padrão de resposta do cérebro a estímulos externos, tornando algumas pessoas mais suscetíveis às crises.
Fatores hormonais
Além da predisposição genética, os hormônios desempenham um papel significativo na enxaqueca com aura. Assim, as mulheres são mais afetadas do que os homens, especialmente devido às oscilações hormonais que ocorrem ao longo do ciclo menstrual, na gravidez e na menopausa.
A queda nos níveis de estrogênio, por exemplo, é um fator conhecido que pode desencadear crises, o que explica a maior prevalência da enxaqueca em mulheres em idade fértil.
Alimentação
A alimentação também pode influenciar a frequência e a intensidade das crises de enxaqueca. Assim, certos alimentos e bebidas, como café, vinho tinto, chocolate, queijos envelhecidos e adoçantes artificiais, são conhecidos por serem gatilhos potenciais para algumas pessoas.
Além disso, períodos prolongados de jejum ou a ingestão inadequada de líquidos podem contribuir para o surgimento de episódios de enxaqueca.
Estresse e privação de sono
O estresse e a privação do sono são outros fatores ambientais que podem precipitar crises. Dessa forma, o estresse emocional e níveis elevados de ansiedade aumentam a atividade do sistema nervoso, tornando o cérebro mais sensível a estímulos que podem levar a uma crise.
Além disso, a alteração na rotina de sono, seja por dormir pouco ou em horários irregulares, pode desestabilizar os ritmos biológicos e facilitar o aparecimento da enxaqueca.
Fatores ambientais e enxaqueca com aura
Por fim, fatores ambientais como luzes intensas, odores fortes e mudanças bruscas no clima são gatilhos comuns. Assim, pessoas com enxaqueca costumam ter uma sensibilidade aumentada a estímulos sensoriais, o que pode desencadear sintomas mesmo diante de pequenas alterações no ambiente. Dessa forma, compreender e evitar esses fatores de risco pode ser essencial para o controle da enxaqueca com aura.

Opções de tratamento para enxaqueca com aura
O tratamento da enxaqueca com aura pode ser dividido em três categorias: alívio das crises, prevenção e mudanças no estilo de vida.
Tratamento das crises de enxaqueca com aura
Durante um episódio de enxaqueca com aura, medidas podem ser adotadas para minimizar o desconforto:
- Analgésicos comuns: paracetamol e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como ibuprofeno
- Triptanos: medicamentos como sumatriptano bem como eletriptano podem reduzir a intensidade da dor
- Ambiente tranquilo: repouso em um local escuro e silencioso
- Hidratação adequada: beber água pode auxiliar na recuperação
Tratamento preventivo
Para pacientes com crises frequentes, a prevenção pode envolver:
- Betabloqueadores: propranolol pode reduzir a frequência das crises
- Anticonvulsivantes: topiramato é eficaz na prevenção de enxaquecas
- Antidepressivos tricíclicos: como a amitriptilina, auxiliam na redução das crises
- Toxina botulínica: indicada para casos crônicos
- Anticorpos monoclonais: novas terapias como erenumabe bloqueiam o CGRP, um neurotransmissor ligado à dor da enxaqueca
Mudanças no estilo de vida
Adotar hábitos saudáveis pode reduzir a frequência e intensidade das crises:
- Praticar exercícios físicos regularmente
- Evitar alimentos desencadeantes
- Manter um horário regular de sono
- Gerenciar o estresse com meditação e terapia.
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Referências bibliográficas
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE CEFALEIA (SBCe). Diretrizes para o diagnóstico e tratamento da enxaqueca. Revista Brasileira de Cefaleia, v. 32, n. 2, p. 45-60, 2023. Disponível em: https://www.sbcefaleia.com.br/. Acesso em: 1 fev. 2025.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEUROLOGIA (SBN). Protocolo clínico para o manejo da enxaqueca com aura. Arquivos de Neuropsiquiatria, v. 80, n. 1, p. 10-22, 2023. DOI: 10.1590/0004-282X-ANP-2023-0010.
