Efeitos do envelhecimento na pele: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!
O envelhecimento da pele é um processo natural e inevitável que ocorre ao longo do tempo. Esse processo é influenciado por uma combinação de fatores genéticos e ambientais.
No Brasil, essa é uma constante queixa nos consultórios dermatológicos. Dessa forma, é essencial que os médicos dermatologistas saibam como manejar esses pacientes.
Fisiopatologia do envelhecimento na pele
A fisiopatologia do envelhecimento da pele envolve uma série de mudanças estruturais, celulares e moleculares que ocorrem ao longo do tempo.
O colágeno e a elastina são proteínas essenciais para a integridade estrutural e elasticidade da pele. Com o envelhecimento, há uma redução na síntese dessas proteínas pelas células dérmicas, resultando em perda de firmeza e elasticidade.
Já o ácido hialurônico é uma substância que contribui para a hidratação da pele, ajudando a manter sua elasticidade. Ao longo do tempo, ocorre uma redução na quantidade de ácido hialurônico na pele, o que contribui para a perda de volume e a formação de rugas.
Além disso, o envelhecimento está associado a uma resposta inflamatória de baixo grau persistente na pele. Isso pode levar à liberação de citocinas inflamatórias e à ativação de células imunes, contribuindo para a degradação do colágeno e para o processo de envelhecimento.
Quais os efeitos do envelhecimento da pele?
À medida que se envelhece, a pele passa por diversas mudanças que afetam sua aparência, textura e funcionalidade.
Uma das manifestações mais visíveis do envelhecimento é o surgimento de rugas e linhas de expressão. Isso está associado à diminuição na produção de colágeno e elastina, proteínas cruciais para a sustentação e elasticidade da pele. A perda gradual dessas substâncias resulta em uma pele menos firme e mais propensa a vincos.
A elasticidade da pele também é comprometida à medida que as fibras de colágeno se deterioram. Esse processo contribui para a flacidez da pele, especialmente em áreas como o pescoço e o queixo. A perda de volume facial é outra característica do envelhecimento, influenciada pela redistribuição de gordura e pela diminuição do tecido adiposo.
As alterações na pigmentação são evidentes com o envelhecimento. Manchas senis, sardas e irregularidades na cor tornam-se mais pronunciadas. A pele pode adquirir uma textura mais áspera e irregular devido à diminuição da renovação celular e ao acúmulo de células mortas.
A produção reduzida de óleo pelas glândulas sebáceas resulta em uma pele mais seca e suscetível à descamação. Além disso, a exposição solar ao longo da vida contribui para danos cumulativos, como o aparecimento de vasos sanguíneos mais evidentes e acentuação de rugas.
Fotoenvelhecimento X envelhecimento cronológico da pele
O fotoenvelhecimento distingue-se do envelhecimento cronológico da pele por características específicas. Apenas a pele cronicamente exposta à radiação UV manifestará os sinais do fotoenvelhecimento, enquanto áreas habitualmente cobertas por roupas ou protegidas do sol não exibirão tais sinais.
A penetração dos raios ultravioletas na derme induz a ruptura das fibras colágenas. Se, na juventude, a pele é capaz de corrigir naturalmente essas alterações decorrentes da exposição solar, na maturidade torna-se impossível reverter os danos. Com o passar do tempo, a reconstrução inadequada da pele culmina na formação de rugas e na manifestação de um aspecto “curtido”, caracterizado por manchas acastanhadas.
Fatores de risco que contribuem para a piora do envelhecimento da pele
Vários fatores podem contribuir para a piora do envelhecimento da pele, acelerando os processos naturais e resultando em sinais mais pronunciados.
Exposição aos raios UV
A exposição aos raios UV do sol é um dos principais fatores de risco para o envelhecimento prematuro da pele. A radiação UV danifica as fibras de colágeno e elastina, levando à formação de rugas, linhas finas e manchas na pele.
Tabagismo
Além disso, o tabagismo é associado a um envelhecimento cutâneo acelerado.
Os produtos químicos presentes no tabaco prejudicam a circulação sanguínea na pele, reduzem a produção de colágeno e elastina, e aumentam o risco de rugas.
Má alimentação
Uma dieta pobre em nutrientes, especialmente vitaminas antioxidantes, pode contribuir para o envelhecimento precoce da pele.
Antioxidantes ajudam a proteger as células da pele contra danos causados pelos radicais livres.
Hidratação insuficiente da pele
A falta de hidratação adequada pode levar a uma pele mais seca e propensa a rugas. A hidratação é fundamental para manter a elasticidade e a saúde da pele.
Como manejar pacientes com queixas envelhecimento na pele?
O manejo de pacientes com queixas relacionadas ao envelhecimento da pele envolve uma abordagem que combina cuidados dermatológicos, hábitos de vida saudáveis e, em alguns casos, procedimentos estéticos.
A educação do paciente sobre fotoproteção é um componente crucial do manejo. Ressaltar a importância do uso regular de fotoprotetores, bem como a adoção de medidas físicas, contribui para prevenir os danos decorrentes da exposição solar, uma das principais causas do envelhecimento cutâneo.
Implementação de uma rotina de cuidados
A implementação de uma rotina de cuidados com a pele é fundamental. Recomendações para produtos tópicos contendo agentes antioxidantes, retinoides e ácido hialurônico podem favorecer a melhora da textura cutânea e estimular a produção de colágeno.
Além disso, procedimentos dermatológicos não invasivos, como:
- Peelings químicos
- Microdermoabrasão
- Terapias a laser
Desempenham um papel relevante no tratamento específico de manifestações do envelhecimento cutâneo.
Peelings químicos
Os peelings químicos são procedimentos dermatológicos que envolvem a aplicação controlada de agentes químicos na pele para remover as camadas superficiais da epiderme, promovendo a renovação celular e melhorando a aparência da pele.
Esses tratamentos são utilizados para tratar uma variedade de condições dermatológicas, incluindo rugas, manchas de pigmentação, cicatrizes e irregularidades na textura da pele.
Microdermoabrasão
A microdermoabrasão é um procedimento não invasivo de rejuvenescimento da pele que visa melhorar a textura e a aparência da derme através da remoção mecânica das camadas superficiais da epiderme.
Geralmente realizada em consultórios dermatológicos ou estéticos, a microdermoabrasão utiliza um dispositivo equipado com cristais de alumínio ou pontas de diamante para esfoliar suavemente a pele, promovendo a renovação celular.
Terapia a laser
As terapias a laser, são procedimentos que utilizam feixes de luz intensa e focalizada para tratar uma variedade de condições dermatológicas, desde problemas estéticos até condições médicas específicas.
A energia do laser pode ser direcionada para diferentes camadas da pele, dependendo do tipo de laser utilizado e do objetivo do tratamento. Podem ser utilizados:
- Laser de CO2 Fracionado: utilizado para tratar rugas, linhas finas, cicatrizes de acne e manchas de idade. O laser remove camadas microscópicas de tecido, estimulando a produção de colágeno
- Laser de erbium YAG: semelhante ao laser de CO2, mas é mais suave e é frequentemente utilizado para rejuvenescimento facial, redução de rugas e melhora da textura da pele.
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Referência bibliográfica
- STRUTZEL, E. et al. Análise dos fatores de risco para o envelhecimento da pele: aspectos gerais e nutricionais. Rev Bras Nutr Clin, v.22, n.2, p. 139-45, 2007.
- PEREIRA, D. A. et al. Envelhecimento normal. Seminários de integração sobre os aspectos morfofuncionais, de clínica médica e de saúde pública. Florianópolis: UFSC, 2004, p. 14-76.