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Envelhecimento e Osteoporose, uma breve abordagem | Colunistas

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Envelhecimento do aparelho locomotor

Entre os idosos o aparelho locomotor apresenta o maior e pior nível de implicações, contudo não corresponde ao maior risco de mortalidade (que é relacionado certamente ao aparelho cardiorrespiratório) e sim ao maior risco de incapacidade física entre os indivíduos idosos.

Visto que o critério de saúde para os idosos está muito relacionado à autonomia e independência do que à presença ou a quantidade de doenças, dessa forma, podemos afirmar que as afecções do aparelho locomotor estão entre as que mais comprometem a saúde do deles. Assim, levando a um comprometimento progressivo e a limitações com maior ou menor intensidades.

Epidemiologia

Usando os dados que temos, de acordo com o Suplemento de Saúde da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2008, o percentual de idosos que não conseguiam ou tinham grande dificuldade em caminhar 100 metros passou de 12,2 (2003) para 13,6% (2008). Entre os acima de 75 anos, o percentual dos que declararam dificuldade ou incapacidade era de 27,2%. Entre as mulheres (maioria nesse grupo), 15,9% tinham dificuldade de caminhar 100 metros, contra 10,9% dos homens.

Esses valores refletem na incidência aumentada de quedas e suas complicações nesse grupo etário. Quando se analisa os dados do DATASUS referentes a 2009, em relação à fratura de quadril, pode-se perceber que essa condição é muito mais prevalente na população idoso, principalmente entre as mulheres.  

Diante do envelhecimento da população certamente aumentaram esses dados aumentaram, tendo como atualização do Ministério da Saúde de 2007-2016 os seguintes dados:

Figura 1: Distribuição percentual por sexo das internações hospitalares por fratura do fêmur em idosos, Brasil, 2007 a 2016. Autor: MACEDO GG et al. Fraturas do fêmur em idosos: um problema de saúde pública no Brasil.
Figura 2: – Incidência, por sexo e por 100 mil habitantes, das internações hospitalares por fratura dofêmur em idosos, Brasil, 2007 a 2016. Autor: MACEDO GG et al. Fraturas do fêmur em idosos: um problema de saúde pública no Brasil.

Portanto, temos uma população que envelhece de maneira acelerada, sendo as queixas do aparelho locomotor as mais importantes, com significativa diminuição na capacidade física e queda nas condições de autossustentação.

A fragilidade como síndrome

Sabe-se que idosos frágeis são menos adeptos a todas as condições de estresse, incluídos aí a doença aguda e o trauma. Sua maior vulnerabilidade leva a resultados adversos, como quedas, incapacidade, institucionalização e morte.

A maioria das definições de fragilidade descreve uma síndrome que é caracterizada por perda de função e de reserva fisiológica, com aumento da vulnerabilidade à morbidade e mortalidade. Nem sempre fácil de avaliar, porém uma das avaliações mais aceitas de fragilidade considera como parâmetros:

  1. Perda de ≥ 4,5 kg ou ≥ 5% do peso corporal no último ano.
  2. Diminuição da força de preensão medida com dinamômetro na mão dominante e ajustada para sexo e índice de massa corpórea.
  3. Fadiga medida pela percepção da frequência na última semana de que o que se fazia exigia um grande esforço ou que não conseguiria fazer nada.
  4. Redução na velocidade de caminhada de distância de 4,5m ajustada para sexo e altura.
  5. Baixa atividade física medida pelo dispêndio semanal de energia em kcal (com base no autorrelato das atividades e dos exercícios físicos realizados) e ajustado segundo o sexo.

A partir desses parâmetros, 2 associados indicaria um estado intermediário ou pré-fragilidade e a presença de 3 ou mais parâmetros indicaria fragilidade.

O evento agudo do trauma sempre leva a uma queda funcional e a um acréscimo da fragilidade, de modo que o evento trauma com fratura tem 2 portas de entrada (alta ou baixa energia com baixa ou alta fragilidade) mas só tem uma porta de saída (aumento da fragilidade).

Osteoporose

Fisiopatologia

A Osteoporose tem como definição ser uma doença do esqueleto caraterizada pelo comprometimento da resistência e da qualidade óssea, predispondo a aumento do risco de fratura.

No envelhecimento, com a queda do nível hormonal, principalmente do estrogênio, a diminuição da massa óssea é mediada por diversos mecanismos, tendo como causa principal o aumento da reabsorção óssea pela ação dos osteoclastos, cuja ação encontra-se desbalanceada com a dos osteoblastos.

Por outro lado, a queda dos níveis estrogênicos implica aumento no hormônio folículo estimulante (FSH) em razão da queda do efeito retroativo. Alguns autores relacionam níveis de FSH (≥ 25,8 mlU/mL) a uma diminuição da densidade mineral óssea e ao aumento de marcadores de atividade de renovação óssea em mulheres na menopausa.

No caso de homens idosos, embora não esteja totalmente esclarecido, o hipogonadismo é a primeira causa etiológica.

Figura 4: Esquema da degeneração óssea. Retirado de: https://vogliaortopedia.com.br/blog/5-dicas-para-prevenir-a-osteoporose/

Etiologia

Também, a osteoporose pode ser classificada em primária quando os fatores desencadeantes correspondem às características próprias da senectude e da senilidade, como a deprivação estrogênica, ou em secundária, quando se define por uma condição externa, como Doença de Cushing, hipogonadismo, hipercalciúria, ou seja pela ingestão de medicamentos como os corticosteroides, por hábito de vida, como a exagerada ingesta de cafeína ou outras xantinas, tabagismo ou alcoolismo.

Como principais fatores de riscos para a osteoporose primária temos:

  1. Idade – preditor isolado.
  2. Sexo – mulheres são mais propícias  por ter um menor pico de massa óssea na maturidade e uma perda acelerada o climatério.
  3. Raça – mais prevalente nas raças branca e amarela.
  4. História familiar – história de fraturas osteoporóticas é um fator de risco isolado.
  5. Peso – baixo peso corpóreo aumenta o risco de osteoporose.

Clínica

Do ponto de vista clínico, a osteoporose é classificada como tipo I, sendo mais frequente em mulheres no período periclimatério, e tipo II que apresenta maior incidência relativa em homens e com mais idade, mas ainda assim as mulheres ainda representam a maior parte, conforme tabela a seguir:

Características Tipo I Tipo II
Idade 51 a 75 >70
Razão mulheres/homens 6:1 2:1
Tipo de perda óssea Trabecular Trabecular e cortical
Taxa de perda óssea Acelerada: curta duração Não acelerada: longa duração
Locais de fratura Vértebra e rádio distal Vértebra e fêmur
Valores laboratoriais
Cálcio sérico Normal Normal
Fósforo sérico Normal Normal
Fosfatase alcalina Normal (> se fratura) Normal (> se fratura)
Cálcio urinário Aumentado Normal
PTH Diminuído Aumentado
Metabolismo de 25(OH)D3 para 1,25(OH)2D3 Diminuído (secundário) Diminuído (primário)
Absorção de cálcio Diminuída Diminuída

Tratamento

É importante assegurar uma adequada ingestão de cálcio e vitamina D, tanto na dieta como em reposição. Além disso, é também importante a atividade física, como o Pilates, para prevenção do trofismo muscular e possível fortalecimento. Ademais, estímulo a banhos de sol, em exposição moderada, é importante para a vitamina D, a qual estudos recentes mostram que ela é válida tanto na prevenção quanto no tratamento e manutenção muscular, havendo relação direta com fragilidade e quedas.

O tratamento medicamentoso é baseado na tentativa de equilibrar o metabolismo ósseo. Em suma, observa-se que o tratamento se baseia na reposição de déficits (vitamina D e cálcio), terapêutica hormonal (estrogênio, paratormônio e calcitonina) e terapêutica de receptores hormonais com os moduladores de recepção hormonal (SERMS) e moduladores de apoptose (bisfosfonados).

Conclusão: Osteoporose, uma doença silenciosa.

É válido ressaltar que a osteoporose não apresenta sinais ou sintomas no início, sendo uma doença silenciosa. Contudo, no primeiro indício, seja por exames laboratoriais ou de imagem, ou fratura, deve-se entrar em terapêutica e realizar imediatamente a mudança de estilo de vida. Alimentação, prática de atividade física, exposição moderada ao sol e manejo do ambiente para evitar quedas são primordiais. O acompanhamento do quadro também é de fundamental importância para a abordagem medicamentosa e suplementação necessárias.

AUTOR: LEONARDO PARREIRA DE CASTRO

INSTAGRAM: @leonardoparreiradecastro


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

Vários editores, Filho, TEPB. Camargo, OPC. Camanho, GL. Clínica Ortopédica. Barueri – São Paulo: Manole, 2012.

GOMES, LSM. Cirurgia Preservadora do Quadril Adulto. 1 ed. Cap. 24. Ed Atheneu.

Cleland, Joshua A. Netter exame clínico ortopédico: uma abordagem baseada em evidências. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.

MACEDO GG et al. Fraturas do fêmur em idosos: um problema de saúde pública no Brasil. REAC/EJSC | Vol. 6 | e1112 | DOI: https://doi.org/10.25248/reac.e1112.2019


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