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Entenda o Eixo Hipotálamo-Hipófise-Tireoide | Colunistas

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A hipófise é uma glândula que se localiza na sela túrcica, que se conecta ao hipotálamo através do pedúnculo hipofisário. É dividida em adeno-hipófise, também chamada de hipófise anterior e neuro-hipófise, também chamada de hipófise posterior (Figura 01).

Figura 01: anatomia da hipófise e sua relação com o hipotálamo
Fonte: HALL, John E. Guyton & Hall – Tratado de Fisiologia Médica, 13ª edição, 2013

 Na adeno-hipófise são produzidos e secretados seis hormônios importantes: 

  1. TSH (Hormônio tireotrófico): controla a secreção de tiroxina e da tri-iodotironina pela glândula tireoide; 
  2. ACTH (Hormônio adrenocorticotrófico): controla a secreção de alguns hormônios adrenocorticais;
  3. Hormônio folículo estimulante (FSH) e luteinizante (LH): controlam o crescimento dos ovários e testículos, e suas atividades hormonais e reprodutivas;
  4. Prolactina: responsável pelo desenvolvimento da glândula mamária e pela produção de leite;
  5. Somatotrofina (GH): promove o crescimento de todo o organismo.

É válido ressaltar que na adeno-hipófise há 05 tipos celulares responsáveis pela produção e secreção dos hormônios supracitados, são eles:

  1. Tireotropos: responsáveis pela produção de TSH;
  2. Corticotropos: responsáveis pela produção de ACTH;
  3. Gonadotropos: responsáveis pela produção de LH E FSH;
  4. Lactotropos: responsáveis pela produção de prolactina;
  5. Somatotropos: responsáveis pela produção de GH.

Além disso, cerca de 30-40% das células da adeno-hipófise são somatotrópicos, ou seja, células responsáveis pela produção de hormônio de crescimento, e apenas 20% são corticotrópicos, que secretam ACTH. Os outros tipos celulares, apesar de secretar hormônios potentes, correspondem a apenas 3-5% do total de células da adeno-hipófise. 

Na neuro-hipófise, são secretados dois hormônios:

  1. Hormônio antidiurético (ADH): controla a excreção da água na urina; 
  2. Ocitocina: auxilia na ejeção de leite pelas glândulas mamárias para o mamilo durante a sucção. 

ATENÇÃO: note que a neuro-hipófise apenas secreta os hormônios, haja vista que as células produtoras de ADH e ocitocina possuem os corpos celulares localizados nos núcleos supraópticos e paraventriculares do hipotálamo. Sendo assim, após serem produzidos no hipotálamo, esses hormônios são transportados para a hipófise posterior. 

Hipotálamo

O hipotálamo é responsável por controlar a secreção hipofisária através de sinais hormonais e nervosos. Na adeno-hipófise, a secreção é controlada por hormônios hipotalâmicos liberadores e hormônios hipotalâmicos inibidores, que chegam na região anterior da hipófise através dos vasos portais hipotalâmico-hipofisários. Por outro lado, na neuro-hipófise, a secreção é controlada por sinais neurais vindos do hipotálamo. 

Os principais hormônios liberadores e inibidores hipotalâmicos são: 

  1. TRHHormônio liberador de tireotropina
  2. CRHHormônio liberador de corticotropina
  3. GHRHHormônio liberador do hormônio de crescimento
  4. GnRHHormônio liberador da gonadotropina
  5. PIHHormônio inibidor da prolactina

Ou seja, é através dos hormônios hipotalâmicos, que a hipófise será estimulada. 

Exemplo: o hormônio liberador de tireotropina (TRH), liberado pelo hipotálamo, age nos tireotropos, localizados na hipófise, estimulando a secreção de TSH. 

Tireoide 

A tireoide é uma das maiores glândulas endócrinas, e é responsável pela secreção dos hormônios tiroxina e tri-iodotironina, comumente conhecidos como  T3 e T4, respectivamente. Esses hormônios são responsáveis por aumentar o metabolismo do organismo.

A secreção dos hormônios tireoidianos (T3 e T4) é controlada, principalmente, pelo TSH (hormônio tireoestimulante) secretado pela hipófise anterior. 

Cerca de 93% dos hormônios liberados pela tireoide consistem em tiroxina (T3), e 7% são tri-iodotironina (T4). No entanto, nos tecidos, quase toda a tiroxina é convertida em tri-iodotironina, que é cerca de quatro vezes mais potente que a tiroxina, mas está em menor quantidade no sangue e persiste por um tempo muito curto. 

Ao serem liberados no sangue, os hormônios tireoidianos ligam-se às proteínas plasmáticas. Porém, devido à alta afinidade da ligação, esses hormônios – sobretudo a tiroxina) são liberados de forma lenta para as células teciduais. Nas células-alvo, esses hormônios ligam-se às proteínas intracelulares, são armazenadas e, lentamente, utilizadas ao longo de dias ou semanas.

Regulação da secreção dos hormônios tireoidianos 

Para manter o nível ideal de secreção de hormônio tireoidiano, mecanismos específicos de feedback agem no hipotálamo e na hipófise anterior, com o fito de controlar a secreção tireoidiana. 

Através de um feedback negativo, quando estão em grandes quantidades nos líquidos corporais, os hormônios tireoidianos inibem a hipófise, reduzindo a liberação de TSH, e o hipotálamo, reduzindo a liberação de TRH (Figura 02). ]

Por outro lado, quando os níveis de hormônios estão reduzidos, ocorre um feedback positivo, estimulando a hipófise e o hipotálamo a liberar mais TSH e TRH, respectivamente.

Figura 02: controle da secreção dos hormônios tireoidianos pelo feedback negativo
Fonte: SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017.

Autora: Lara Camila da Silva Alves 

Instagram: @alveslaras 


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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Referências

GUYTON, A.C. e Hall J.E.– Tratado de Fisiologia Médica. Editora Elsevier. 13ª ed., 2017.

SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017.

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