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Enfisema intersticial | Colunistas

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Enfisema intersticial é uma condição anormal onde o ar passa pela parede alveolar para o tecido intersticial, há formação de espaços císticos associados com reações inflamatórias, pode ser causado, por exemplo, secundariamente a aspiração de mecônio ou barotrauma em recém-nascidos com embolia gasosa iatrogênica com doença das membranas hialinas submetido à ventilação mecânica.

Conhecendo a enfermidade

É uma enfermidade que representa uma complicação aguda em recém-nascido pré-termo de baixo peso, menores a 500 a 799g tem uma incidência de 42% de desenvolver enfisema intersticial, peso entre 800 a 899g possui 29% e entre 900 a 999g possuem uma incidência de 20%, a incidência de enfisema intersticial é mais frequente também com paciente que possuem pneumonia intersticial. O prognóstico se torna grave quando o neonatal desenvolve a enfermidade nas primeiras 48 horas de vida.

Fisiopatologia

O enfisema intersticial se desenvolve através de basicamente em três formas:

  • Hiperdistensão alveolar;
  • Formação de ectasia do ducto brônquico;
  • Ruptura do tecido.

A ruptura alveolar é causada pela insuflação, como nos casos de ventilação mecânica ou com pressão positiva, ventilação irregular, o enfisema intersticial é mais comum em prematuros porque os pulmões são subdesenvolvidos e são mais sensíveis ao estiramento. Após a ruptura alveolar e o extravasamento do ar ao interstício, há também a formação de conglomerados císticos de ar retido que estreitam e restringem os feixes periventriculares e geram uma redução maior de complacência pulmonar.

Apresentação clínica

Normalmente encontrado incidentalmente na radiografia de rotina em pacientes que estão internados, se for de grande extensão pode provocar compressão pulmonar e da vasculatura, reprimindo o fluxo sanguíneo pulmonar, afetando, assim, a oxigenação e a pressão arterial. Algumas complicações de bloqueio aéreo podem surgir, como  pneumoperitônio, pneumopericárdio, pneumotórax, pneumomediastino ou enfisema subcutâneo.

Devemos sempre suspeitar de enfisema pulmonar intersticial em neonatos, pré-termo de baixo peso que tiveram asfixia, com aspiração de mecônio, utilização de ventilação mecânica e paciente com pneumonia intersticial.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito através dos métodos de imagem, como tomografia computadorizada e radiografia do tórax, suas características radiológicas são:

  • Imagens hipoatenuantes serpentiformes, tubuliformes e císticas que não se adequam ao padrão de broncograma aéreo.
  • O coração tende a ficar menor conforme a pressão intratorácica aumenta e resulta em diminuição do retorno venoso para o tórax.
  • Radiolucências císticas ou lineares no interstício irradiando do hilo.

Imagens hipoatenuantes serpentiformes e tubuliformes bilaterais, diferentes de broncogramas aéreos. Sinais de congestão venosa. Imagem cística mostrada pela seta.

Já o padrão tomográfico é descrito como “linhas e pontos”, mostrando-se o ar extravasado no interstício comprimindo os feixes peribroncovasculares.

  • Pode apresentar caracteristicamente uma linha e um padrão de pontos com ramos arteriais pulmonares circundados por ar radiolúcido

Múltiplas imagens císticas, predominantemente arredondadas, associadas a opacidades lineares (cabeças de setas) e puntiformes (setas) – lines and dots pattern. B: formação cística de contornos regulares e bem definidos (pseudocisto).

Tratamento

O tratamento é realizado na tentativa de diminuir o extravasamento aéreo e inclui decúbito lateral, oclusão do brônquio principal do lado afetado (cateter de Fogarty, por exemplo), ventilação mecânica com alta frequência e baixa pressão, fisioterapia intermitente com oxigênio a 100% (nos casos de enfisema pulmonar intersticial compressivo localizado e persistente), até pneumotórax iatrogênico ou pleurotomias múltiplas e lobectomia nos casos refratários.

A mudança da ventilação convencional para a de alta frequência é geralmente realizada em pacientes com enfisema intersticial pulmonar. Muitos casos se resolvem naturalmente. Radiografias consecutivas podem ser executadas para verificar complicações, como pneumotórax, pneumomediastino que são mais comuns. Intubação brônquica seletiva do brônquio principal do lado não acometido, lobectomia e pneumonectomia dificilmente são usadas para tratar enfisema intersticial progressivo.

Autor: João Victor Pinheiro Maia

Instagram: @jaovictorpinheiro


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

Pulmonary interstitial emphysema in adults. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24525504/

Pulmonary Interstitial Emphysema. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560484/

Enfisema intersticial pulmonar: relato de caso e revisão da literatura. https://doi.org/10.1590/S0100-39842013000500009

Patologia, Bogliolo – 9. edição – 2016

Pulmonary interstitial emphysema. https://radiopaedia.org/articles/pulmonary-interstitial-emphysema?lang=us

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