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Endocardite Infecciosa: aspecto geral, diagnóstico, tratamento e profilaxia | Colunistas

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Índice

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Epidemiologia de Endocardite Infecciosa

A Endocardite Infecciosa (EI) é caracterizada como doença rara, com incidência anual estimada entre 7 e 15 casos a cada 100 mil pessoas, proporção esta que pode variar de acordo com os critérios diagnósticos considerados e a população avaliada.

Apesar dos avanços terapêuticos obtidos nos últimos anos, essa doença continua apresentando um cenário de alta morbimortalidade, particularmente atrelada ao desfecho de Insuficiência Cardíaca.

Definição e Fisiopatologia

A Endocardite Infecciosa consiste em um processo infeccioso microbiano que acomete a camada endocárdica do tecido cardíaco ou a superfície valvar, na qual é predominante. Com a proliferação desses germes em locais do coração com lesão estéril prévia, ocorre a formação de um processo vegetativo, que se torna um verdadeiro “esconderijo” para os agentes se replicarem, desencadearem bacteremia e manifestações sistêmicas.

Dentre os principais agentes etiológicos da EI, é importante que você lembre do Staphylococcus aureus e do Streptococcus viridans, principais causadores da doença nos Estados Unidos e no Brasil, respectivamente. Outros agentes causadores menos comuns são: enterococo; bactérias do grupo HACEK; fungos.

Merece destaque como fator de risco para EI, especialmente no Brasil, a febre reumática.  Além dela, também se considera prótese valvar prévia; dispositivos intracardíacos, hemodiálise; usuário de drogas injetáveis; e acesso venoso central.

Mais de 50% dos pacientes com EI apresentam alteração valvar predisponente, consequente a lesões reumáticas (jovens) ou degeneração valvar (idosos). E por que saber disso é importante? Para entender a fisiopatologia! Essa condição propicia a ocorrência de fluxo sanguíneo anômalo, que promove o desnudamento endotelial cardíaco ou de superfície valvar, com potencial formação de vegetações. Se atrelado a esse cenário houver evento que justifique bacteremia, a Endocardite Infecciosa será instaurada.

Quadro clínico de Endocardite Infecciosa

As repercussões clínicas apresentadas dependem, fundamentalmente, da virulência do germe e da valva acometida.

Podemos subdividir o quadro clínico em dois cenários possíveis: AGUDO e SUBAGUDO

EI AGUDA – considerações

  • Geralmente causada por S. aureus;
  • Possui rápida evolução e prognóstico mais reservado;
  • O paciente tende a apresentar febre muito elevada, várias complicações; destruição valvar; acometimento miocárdico e evolução para Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) aguda – a qual se configura como principal causa de óbito em portadores de EI.

EI SUBAGUDA – considerações

  • Geralmente causada por S. viridans; enterococo;bactérias do grupo HACEK; S. aureus; S. epidermidis; fungos;
  • Possui clínica mais arrastada e menos agressiva (baixa virulência);
  • O paciente tende a apresentar febre baixa e de evolução intermitente;
  • Pela apresentação clínica mais branda, o diagnóstico pode ser difícil. Por isso, quando se identifica a doença, infelizmente as complicações já podem ter se instalado.

Em relação ao acometimento valvar, lembre-se de que as mais frequentemente afetadas são: VALVA AÓRTICA E VALVA MITRAL, que expressarão as alterações anatômicas através de SOPROS REGURGITATIVOS (Imagens 1 e 2), presentes em até 85% dos pacientes.

Fonte das Imagens: O exame físico das valvopatias – [thevalveclub]

Descrição: fique atento para o fato de que o sopro regurgitativo aórtico (configuração decrescente) ocorre durante a diástole, portanto entre B2 e B1; já o sopro regurgitativo mitral (configuração platô) ocorre na sístole, entre B1 e B2.

Diagnóstico de Endocardite Infecciosa

O padrão-ouro para confirmação diagnóstica da EI não é praticável, tendo em vista que se trata da comprovação histológica e microbiológica da infecção no coração, sendo, portanto, um método altamente invasivo e arriscado para o paciente. Assim, com o intuito de confirmar o diagnóstico de EI, você deve recorrer aos CRITÉRIOS DE DUKE MODIFICADOS (Imagens 3 e 4), que se baseiam em parâmetros clínicos confiáveis e com alta acurácia.

Fonte das Imagens: Critérios de Duke modificados para Endocardite Infecciosa – Sanar Medicina

Tendo isso em mente:

  • Se forem acusados 2 critérios maiores OU 1 maior e 3 menores OU 5 menores = EI DEFINITIVA
  • Se forem acusados 1 critério maior e 1 menor OU 3 menores = EI POSSÍVEL
  • Se forem acusados 0 critérios maiores e 0 menores; diagnóstico alternativo confirmado; resolução do quadro clínico com < 4 dias de antibioticoterapia = AFASTE A HIPÓTESE DE EI

Tratamento de Endocardite Infecciosa

A primeira etapa é analisar se o tratamento será empírico ou guiado por hemocultura. Para definir isso, você deve definir o quadro do paciente com EI.

  • Caso o quadro seja AGUDO, realiza-se tratamento empírico, coletando-se ao menos 3 amostras de cultura previamente, com intervalo de 15 minutos entre elas.
  • Caso o quadro seja SUBAGUDO, deve-se optar pelo tratamento guiado por cultura, exceto se o paciente em questão estiver debilitado, com alterações cardíacas relevantes.

SE TRATAMENTO EMPÍRICO

  • Em pacientes não usuários de drogas injetáveis, opte por Oxacilina + Gentamicina.
    • Em pacientes usuários de drogas injetáveis, opte por Vancomicina + Gentamicina.
    • Se EI em caso de paciente com Valva Protética, escolha Vancomicina + Gentamicina + Cefepime + Rifampicina.

SE TRATAMENTO GUIADO POR CULTURA

  • Se o agente for S. viridans com Concentração Inibitória Mínima (MIC) < 0.1, opte por Penicilina G benzatina + Gentamicina por 2 semanas; mas se MIC > 0.1, estenda o tratamento por 4 a 6 semanas.
    • Se o agente for S. aureus, escolha Oxacilina por 4 a 6 semanas ou Vancomicina, caso seja resistente à meticilina.
    • Se o agente for S. epidermidis, o tratamento deve ser realizado com Vancomicina + Rifampicina + Gentamicina.
    • Se o agente for Enterococo, opte por Ampicilina + Gentamicina, mas se for bactérias do grupo HACEK, escolha Ceftriaxone por 4 semanas.

A principal indicação de abordagem cirúrgica na EI é a impossibilidade de controle clínico da IC e deve-se considerar essa conduta se houver:

·         Abscessos de anel

·         Fístulas

·         Gravidade da regurgitação valvar

·         Má tolerância hemodinâmica

·         Presença de vegetação larga e móvel

MONITORAMENTO

Após confirmação da EI e início da terapêutica, é preciso monitorar o paciente através da coleta diária de hemocultura, até que ela negative de maneira consistente. Após 4-6 semanas, você deve repetir o exame para confirmar a cura. Além disso, é válido observar se ocorrerá defervescência em até 7 dias, pois, caso contrário, é importante investigar o possível surgimento de complicações supurativas.

ATENÇÃO!

As vegetações intracardíacas podem se manter, mesmo com o tratamento e a cura. Em 50% dos pacientes ela permanece inalterada; e em 25% dos casos podem inclusive paradoxalmente aumentar. Mas veja, apenas se as vegetações estiverem muito grandes (> 10mm), você deve pensar em possível abordagem cirúrgica.

Profilaxia de Endocardite Infecciosa

A profilaxia é realizada com penicilinas, os aminoglicosídeos e, em certas situações, a vancomicina e as cefalosporinas, sendo indicada a pessoas de alto risco, isto é, portadoras de:

  • Prótese valvar
  • Shunts ou condutos sistêmico-pulmonares
  • História prévia de endocardite
  • Cardiopatia congênita cianótica complexa

Outras situações que demandam medidas preventivas primárias são indivíduos com risco moderado que, em sua maioria, apresentam cardiopatias congênitas acianóticas; disfunção valvar pela doença reumática, do colágeno, cardiomiopatia hipertrófica e prolapso valvar mitral com regurgitação; as demais pessoas são de baixo risco.

Autora: Bruna Luiza Tavares Hernandes

Instagram: @bruna_lth

Referências:

FILGUEIRAS, C. L; PASCHOAL, A. T; CARVALHO, H. F; NUNES, J. A. – Cirurgia na endocardite infecciosa.Rev Bras Cir Cardiovasc 1997;12 (1): 10-6. Acesso em 01 ago. 2021. doi: 10.1590/S0102-76381997000100002

INCOR, USP. Endocardite Infecciosa: em quem e como fazer a prevenção. Acesso em 31 de jul. 2021. ENDOCARDITE INFECCIOSA: (usp.br)

OLIVEIRA, M. V. M; PINTO, P. H. O. M; OLIVEIRA, G. B et. al. Valor do Ecocardiograma na Endocardite Infecciosa associada aos Dispositivos Cardíacos Implantáveis. 2020;33 (3):rev01. Acesso em 01 ago. 2021.  doi: 10.5935/2318-8219.20200030

SANAR, Yellow Book. Critérios de Duke Modificados para Endocardite Infecciosa. Acesso em 01 ago. 2021. Critérios de Duke modificados para Endocardite Infecciosa – Sanar Medicina

THE VALVE CLUB. O Exame Físico das Valvopatias. Acesso em 31 jul. 2021. O exame físico das valvopatias – [thevalveclub]



O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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