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Encefalites Autoimunes em uma visão geral | Colunistas

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·        Você conhece ou já ouviu falar em Encefalite Autoimune?

As Encefalites Autoimunes (EAI) são um grupo de doenças inflamatórias do nosso cérebro, causadas pela produção de autoanticorpos contra antígenos neuronais. Em suma, essa inflamação surge quando o sistema imune ataca as próprias células cerebrais.

Quanto a esses anticorpos, podemos chamá-los de autoanticorpos. Eles podem ser caracterizados por: Anticorpos antiestruturas intracelulares (mais graves, levando a perda tecidual); Anticorpos antiestruturas da superfície celular ou da sinapse (melhor prognóstico sem danos neuronais, apenas disfunções). Outrossim, esses autoanticorpos podem ter efeitos positivos ou negativos nos receptores, indo desde bloquear os poros do canal iônico ou impedir a interação com as moléculas vizinhas, até alterar a localização do receptor na membrana ou causar a internalização do receptor, diminuindo assim a expressão de receptores na superfície da sua célula. Além disso, eles podem levar à deposição e ativação do complemento de células natural-killer que, consequentemente, causa a morte celular.

·        Origem

Ela possui origem paraneoplásica (desenvolvida após a existência de alguma neoplasia), parainfecciosa (após alguma infecção, geralmente, encefalites virais) e algumas são de origem desconhecida devido essa doença ser muito nova ainda e não existirem pesquisas mais aprofundadas quanto a essa desordem neurológica.

·        Envolvimento com as neoplasias

Segundo pesquisas realizadas, alguns tumores como tumor de pulmão de pequenas células, timomas, tumor germinativo de testículo, tumor de mama, teratomas de ovário e entre outros, contenham tecido neural ou as células tumorais expressem proteínas neuronais que desencadeiam a produção desses autoanticorpos.

·        Envolvimento com infecções

Como falado anteriormente, a encefalite autoimune tem ligação com uma do tipo viral como a encefalite herpética, a qual pode gerar anticorpos contra o receptor NMDA ou outras proteínas da superfície neuronal, o que vai propiciar a sua manifestação.

·        Quais as suas principais manifestações clínicas e como diagnosticá-la?

A Encefalite Autoimune sempre irá variar de acordo com o seu tipo e até qual tumor a envolve, mas entre uma gama de manifestações clínicas, as principais são: crises epilépticas, sintomas psiquiátricos ou alterações comportamentais, Distúrbio do movimento, Regressão cognitivas ou déficit de memória, Distúrbios da fala, Disautonomia, entre outros.

Quanto ao seu diagnóstico, devem ser percebidos os seguintes princípios semiológicos: início subagudo com perda de memória em curto prazo, ou alteração de estado metal, ou de sintomas psiquiátricos (estes com uma progressão rápida em menos de 3 meses), além disso, deve contemplar também achados neurológicos focais, crises epilépticas não explicadas por alguma doença ocorrida anteriormente, pleocitose no LCR ( com os Leucócitos >5células/mm3) e ressonância magnética com achados sugestivos de alguma encefalite.

Vale ressaltar que, para o diagnóstico ideal é recomendado seguir uma espécie de “tríplice” envolvendo o exame de LCR, achados clínicos e uma possível pesquisa tumoral. Porém, é importante destacar que a tecnologia ainda é muito alta tornando alguns exames e até a pesquisa tumoral com valores altos cobrados pelas clínicas e/ou laboratórios especializados.

·        Quais os tipos de Encefalites Autoimunes?

Quanto aos tipos podemos citar alguns deles como: Encefalite Anti-AMPAR, anti-GABA-AR, anti-GABA-BR, anti-VGKC (que se subdivide em anti-LGl1 e anti-CASPR2), anti-GAD, anti-GlyR, anti-DPPX, anti-mGluR1, anti-mGluR5, e a anti-NMDAR (sendo essa a mais comum e mais encontrada em relatos de caso).

Encefalite Anti-AMPAR

A Encefalite anti-α-amino-3-hidroxi-5-metil-4-isoxazolpropiônico (anti-AMPAR), tende a apresentar convulsões, comprometimento da memória e psicose. Sua origem é paraneoplásica a partir de timomas, teratoma ovariano, câncer de pulmão e mama. O exame do Líquido Cefalorraquidiano (LCR) pode mostrar pleocitose e bandas oligoclonais e a Ressonância Magnética mostra hiperintensidades em T2 e FLAIR.

Encefalite Anti-GABA-AR

A encefalite antirreceptor do ácido gama-aminobutírico (anti-GABA-AR) tende a gerar alterações comportamentais ou cognitivas que evoluem para convulsões refratárias e lesões multifocais. Na análise do LCR, mostrou-se pleocitose linfocítica com ou sem bandas oligoclonais.

Encefalite Anti-GABA-BR

Ela possui Sintomas cognitivos associados a convulsões graves ou estado de mal epiléptico, é de origem paraneoplásica. Homens e mulheres são afetados.

Encefalite Anti-VGKC

Neste tipo, há a existência de epilepsia e polineuropatia dolorosa. Nela existem dois anticorpos relacionados a ela: LGl1: causando convulsões, crises distônicas faciais e alterações hipotalâmicas; CASPR2: causando epilepsia refratária, insônia e distúrbios do movimento distal dos membros superiores (origem paraneoplásica, afetando geralmente os homens).

Encefalite Anti-GAD

Essa encefalite é uma das que podemos destacar a sua ligação com outras doenças autoimunes, pode até ser uma “consequência” delas. As suas principais síndromes neurológicas são: síndrome da pessoa rígida, ataxia cerebelar, epilepsia e encefalite límbica.

Encefalite Anti-GlyR

Nesta, sua origem esta associada a tumores e os pacientes apresentam rigidez progressiva, mioclonia e, posteriormente, síndrome da pessoa rígida.

Encefalite anti-DPPX

Os pacientes com a Encefalite Anti-DPPX apresentam sintomas neuropsiquiátricos, mioclonia, tremor, reflexo de sobressalto, convulsões, síndrome da pessoa rígida e diarreia prodrômica. No exame de LCR, geralmente evidencia-se pleocitose e aumento das concentrações de proteínas.

ENCEFALITE anti-mGluR1 E anti-mGluR5

Todos os pacientes com anticorpos anti-mGluR1 desenvolvem ataxia cerebelar de início subagudo, isso está associado a doenças hematológicas e adenocarcinoma de próstata.

Já os pacientes com anti-mGluR5 apresentam a síndrome de Ophelia. O tratamento do linfoma e imunoterapia garantem bom prognóstico.

Encefalite Anti-NMDAR

A Encefalite anti-NMDAR é predominantemente em crianças do sexo feminino, e pessoas nas idades de 12 – 45 anos e têm origem paraneoplásica e parainfecciosa. Origem tumoral ou pelo vírus herpes simplex-1. Os pacientes apresentam, inicialmente, sintomas prodrômicos duas semanas antes do início do quadro neurológico. Posteriormente, surgem: queixas comportamentais, psicose, delírios, alucinações, paranoias, déficits de memória, distúrbios de linguagem e movimento. Geralmente, as crianças apresentam sintomas comportamentais e distúrbios do movimento, enquanto os adultos apresentam sintomas psiquiátricos e convulsões.

Para o diagnóstico é importante saber a respeito dos achados clínicos como sintomas, anormalidades na RM em T2 ou FLAIR, análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) e, principalmente, a realização de um rastreio tumoral. O tratamento é através de imunossupressão para cessar os autoanticorpos, e caso seja de origem paraneoplásica é necessário também o manejo oncológico com quimioterapia ou radioterapia para tratar do tumor envolvido. 

Observações finais quanto as Encefalites

Diante da gama de informações já expressas no decorrer desse texto, vale destacar ainda algumas informações como: as encefalites autoimunes tendem a aparecer em pessoas de idades entre 50 – 70 anos, porém não podemos descartar a existência em pessoas mais jovens, pois como já foi citado, pode surgir também em crianças. Outrossim, devemos destacar que as Encefalites Autoimunes ainda são um campo um tanto quanto desconhecido, pois com o decorrer dos anos mais surgem, sendo necessária a ampliação das pesquisas na área da neurologia para que cada vez mais sejam descobertas novas encefalites e, consequentemente, o tratamento ideal.

Palavras-chave: Encefalites ; Encefalites Anti-receptores de NMDA; Neurologia.

Autor: Francisco das Chagas Diassis Jácome Valentim.

Instagram: @valentim_01

Referências bibliográficas

DUTRA, Lívia Almeida et al. Autoimmune encephalitis: a review of diagnosis and treatment. Arquivos de neuro-psiquiatria, v. 76, n. 1, p. 41-49, 2018.

FERNANDES, Bruna Luisa Martins et al. Encefalites autoimunes.

GREGORY, Christian Pereira; NÓBREGA JR, Adaucto Wanderley; LIN, Katia. Encefalites autoimunes–abordagem prática para situações de recursos limitados. Boletim do Curso de Medicina da UFSC, v. 5, n. 2, p. 13-22, 2019.

DE MARIA, Paula Ramona Silva et al. Encefalite auto-imune: características clínicas e padrões eletroencefalográficos. Um estudo de três casos e revisão de literatura. Revista de Medicina e Saúde de Brasília, v. 6, n. 1, 2017.



O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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