A medicina evolui de maneira muito rápida. No meu artigo anterior, eu fiz uma breve retrospectiva de avanços, até a abordagem mais tecnológica que vem ganhando espaço no mercado médico.
Mas, e
daqui a 10 anos? O que vai acontecer?
Pois bem,
realizei uma enquete no meu INSTAGRAM: @bruceotsuka e, depois de algumas
pesquisas relevantes, cheguei à conclusão de alguns cenários possíveis que
discutiremos a seguir.
Primeiro
de tudo, o colapso da saúde pública. Sim, o SUS não tem gerência e distribuição
de recursos de maneira eficiente para suportar a demanda populacional. Frente a
isso, é provável que as clínicas populares, os planos de saúde e os hospitais
com modelos gerenciais modernos ganhem terreno no mercado, pois essas
instituições apresentam modelos e processos mais eficientes, com mais recursos
tecnológicos agregados, onde a tecnologia vai facilitar o atendimento e
consequentemente reduzir o tempo de espera nas filas e nos retornos.
Existe,
ainda, a possibilidade de que o sistema público consiga se modernizar,
entretanto, são necessárias muitas reformas e, no Brasil, devido ao panorama
político, é pouco provável que torne-se eficiente. Para piorar o panorama do SUS,
as iniciativas privadas de saúde estão recebendo um aporte do mercado
financeiro de grande volume, por exemplo, o Dr. Consulta ganhou um investimento
de 300 milhões para expansão das atividades no território nacional, e ainda vem
muito mais em 10 anos.
Segundo
ponto, como citado anteriormente, a tecnologia vai avançar a ponto de
possibilitar ao paciente a facilitação do diagnóstico. Já existem dispositivos
criados com a capacidade de avaliar sinais vitais e, agora, eletrocardiograma. O
próximo passo serão dispositivos que avaliem padrões laboratoriais e a
tendência mostra que esses avanços vão possibilitar uma maior colaboração por
parte do paciente com o médico, reduzindo o tempo para se chegar ao diagnóstico.
Mas, o maior ganho será em medicina preventiva, pois essa monitoração por parte da tecnologia vai auxiliar o paciente, de forma que, quando forem detectadas alterações que precedem os sintomas, o usuário será informado a procurar um serviço de saúde. Como eu falei no texto anterior, a inteligência artificial vai possibilitar diagnósticos mais precisos, a máquina vai fazer um trabalho investigativo mais apurado e o médico vai exercer um atendimento mais humanizado que nos dias atuais.
Terceiro
ponto, estima-se que em 10 anos estarão disponíveis no mercado algo em torno de
600 mil médicos. Com essa saturação no mercado, a tendência é que os serviços e
honorários médicos sejam reduzidos, principalmente para aqueles que não se
especializarem em determinada área ou não conseguirem ingressar em clínicas modernas
mais avançadas. Isso vai diminuir a incidência de médicos empreendedores que
abrem consultório próprio e vai aumentar a figura do médico funcionário ou
sócio de outros médicos em hospitais frutos de sociedades.
Não será ainda a “uberização” da medicina,
porém, o médico que não se atualizar, não se alinhar com a tecnologia e não
entrar no mercado digital vai sofrer bastante pra competir em um mercado mais
tecnológico e mais exigente.