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Eletroencefalograma e o diagnóstico de doenças neurológicas

Eletroencefalograma

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Eletroencefalograma: como esse exame pode ser usado no diagnóstico de doenças neurológicas? Confira abaixo o nosso resumo completo!

Os neurônios e as células musculares possuem a capacidade de gerar impulsos eletroquímicos. Esses impulsos são essenciais para a transmissão de sinais pelas membranas.

A polarização das membranas ocorre como consequência do fluxo iônico através de canais que podem abrir ou fechar dependendo da voltagem identificada. A medicação desses potenciais é visualizada no eletroencefalograma.

Com base nos princípios da elétrica como corrente elétrica, circuito elétrico, condutores, isolantes e constante de tempo, o eletroencefalograma permite a avaliação desses fenômenos que ocorrem no cérebro. 

Apesar de ser utilizado comumente para diagnosticar a epilepsia, esse exame pode ser utilizado em outras condições clínicas e abaixo conheceremos mais profundamente sobre ele.

O que é o eletroencefalograma?

O eletroencefalograma (EEG) é um exame realizado para mensurar a atividade elétrica cerebral. Nele, essa atividade é captada pelos eletrodos, transmitida para a caixa de eletrodos e, por fim, para os amplificadores presentes no aparelho do eletroencefalograma.

Classicamente, a leitura do exame era registrada em papel, mas atualmente o formato digital tem sido mais utilizado e possui vantagens técnicas, sendo altamente recomendado quando disponível.

O eletrodo é o meio metálico por onde a corrente elétrica é captada e transmitida para o amplificador. A condução elétrica é possível devido aos íons presentes no gel ou pasta que atua como condutora entre o eletrodo e o escalpo. Na junção entre essas duas estruturas, o fluxo de íons é convertido em um fluxo de elétrons que permite a transmissão ao amplificador.

Como é feito o exame? 

Para realizar o EEG, utiliza-se a aplicação de eletrodos em locais específicos para que a leitura seja devidamente adequada. 

Segundo o Sistema Internacional 10-10 da American Clinical Neurophysiology Society, está preconizado que os eletrodos sejam colocados em uma distância de 10% e 20% entre 2 pontos.

Os pontos anatômicos de referência são as regiões pré-auriculares, glabela e a protuberância occiptal.

São utilizados 21 eletrodos no total para que sejam cobertas todas as áreas do escalpo, sendo possível aumentar a quantidade, caso necessário.

Cada um desses eletrodos tem nomenclatura padronizada e está associado a uma letra ou sigla que representa uma área anatômica específica.

Região anatômicaLetra/Sigla associada
OcciptalO
CentralC
TemporalT
ParietalP
FrontalF
FrontopolarFp

Além dessa identificação, cada eletrodo recebe ainda um número. Os números pares devem estar à direita, enquanto os ímpares à esquerda. Por exemplo: o eletrodo P1 deve estar na região Parietal esquerda.

Derivações no eletroencefalograma

Assim como vemos no eletrocardiograma, o eletroencefalograma possui derivações, as quais representam traçados que traduzem a diferença identificada do potencial elétrico. No EEG, para exames clínicos, recomendam-se 16 derivações.

Em relação a disposição dos eletrodos, é preconizado que os mais anteriores estejam acima dos canais que representam as regiões posteriores e que os da esquerda estejam acima da direita para cada par de eletrodos.

O mais importante é que a montagem dos eletrodos siga um método simples que facilite a compreensão e a interpretação dos traçados seja feita a partir de montagens referenciais e bipolares.

Abaixo vemos uma das possíveis formas de montagem, chamada de montagem bipolar longitudinal.

Diagrama  Descrição gerada automaticamente

Imagem 1: Posicionamento bipolar longitudinal dos eletrodos no encefalograma. Moeller; Hirsch, 2023.

Frequência da atividade elétrica cerebral

A frequência da atividade elétrica cerebral segue a seguinte terminologia:

  • Delta (0 a 4 Hz);
  • Theta (4 a 8 Hz);
  • Alpha (8 a 13 Hz);
  • Beta (13 a 30 Hz)
  • Gama (acima de 30 Hz)

Em um adulto em vigília, as ondas predominantes devem ser a alfa e a beta. Durante o sono, as ondas variam normalmente de acordo com o estágio do sono.

Como deve estar o paciente durante o exame?

O paciente pode estar em vigília ou dormindo durante a realização do exame, mas, quando possível, deve-se realizar em ambas as etapas. Dessa forma, é possível aumentar a sensibilidade do EEG como ferramenta auxiliar no diagnóstico das condições clínicas.

Primeiro deve ser feito um registro espontâneo de leitura dos potenciais elétricos e depois submeter o paciente às provas de ativação, que consiste em dois métodos: a hiperpnéia e a fotoestimulação intermitente. Qualquer alteração no momento das provas de ativação deve ser devidamente registrada.

A hipernéia é o momento em que é solicitado que o paciente inspire e expire rápida e forçadamente por 3 a 4 minutos. 

A fotoestimulação intermitente, por sua vez, consiste em expor ao paciente a flashes repetidos que tem uma variação entre 0,5 a 30 Hz.

Quando o paciente apresenta qualquer tipo de dificuldade quando as provas de ativação são aplicadas, a sedação poderia ser realizada, sendo o hidrato de cloral recomendado em dose de 50/mg/kg/dose em crianças. Contudo, devido a suspensão desse medicamento no Brasil, a privação é recomendada como método principal de sedação.

Quando o médico deve indicar a realização de um eletroencefalograma?

O EEG deve ser indicado para quadros onde há a suspeita de alterações ou desarranjos da atividade elétrica cerebral, as quais estão inclusas a:

  • Epilepsia
  • Perda ou alteração de consciência
  • Crises convulsivas

E quando há a necessidade de diferenciação entre doenças neurológicas ou psiquiátricas em contextos específicas.

Quais as doenças detectadas através do eletroencefalograma?

A epilepsia é a condição clínica mais comumente detectada por meio do EEG, mas é sempre importante ressaltar que existem outras condições que podem estar associadas a crises epiléticas, como processos inflamatórios ou intoxicação, e crises convulsivas.

Em pacientes com encefalites podem ocorrer anormalidades mais graves que variam em intensidade segundo a presença dos distúrbios metabólicos associados ao envolvimento do Sistema Nervoso Central.

Em casos de encefalites autoimunes, o EEG tem desempenhado um papel importante como ferramenta auxiliar em diagnósticos diferenciais com alguns transtornos psiquiátricos, pois as disfunções cerebrais evidenciada no exame contribuem no processo investigativo. Nesse contexto, um padrão eletroencefalográfico chamado de extreme delta brushes (fusos delta extremos) pode surgir.

Os fusos delta extremos representam uma atividade delta rítmica, contínua, simétrica e síncrona, difusamente, sem variações relacionadas ao nível de consciência ou no ciclo sono-vigília, como vemos na Imagem 2.

Imagem 2: Tedla BA, Nelson M, Ju A, Van Speybroeck A. 2020.

Como analisar o resultado do eletroencefalograma? 

O laudo de um eletroencefalograma deve conter obrigatoriamente, além dos achados eletroencefalográficos, informações sobre o contexto de realização do exame e os dados do paciente.

Na seção da descrição técnica do exame, devem constar: o sistema de posicionamento dos eletrônicos (10-10, por exemplo), a quantidade de eletrodos, filtros e constante de tempo utilizados, além dos mecanismos de ativação. 

Caso exista alguma intercorrência no exame, essa também deve ser identificada.

Descrição dos achados

Na seção de descrição dos achados, os dados devem estar dispostos em ordem crescente conforme a relevância clínica para o quadro do paciente. Os achados normais e anormais precisam ser cuidadosamente descritos.

Ainda nessa seção, é preciso incluir a atividade de base, ritmo, frequência e amplitude das ondas; simetria e sincronia inter-hemisférica e as características principais do traçado de forma objetiva.

Ondas lentas ou atividade epileptiforme são atividades não dominantes que devem ser relatadas quando presentes. Isso inclui a localização específica, distribuição, simetria, sincronia, continuidade, amplitude e quantidade.

A atividade epileptiforme é uma ponta ou onda aguda, com duração <70 ms ou entre 70 e 200 ms, respectivamente, sendo possível ser sucedida de onda lenta (duração > 200 ms).

Cabe destacar, porém, que a ausência de alterações, ou seja, um exame normal não é o suficiente para afastar ou confirmar o diagnóstico de epilepsia.

Referente a achados sugestivos, a lentificação ou alentecimento difuso da atividade basal pode se associar a distúrbios tóxicos e ou metabólicos. Da mesma forma que a lentificação ou alentecimento focal estar relacionado a lesão estrutural subjacente. 

Veja o exemplo da descrição de um eletroencefalograma normal:

Esse exame foi realizado com 16 derivações simultâneas com 21 eletrodos conforme o sistema 10-10.

A atividade de base durante o estado de vigília encontra-se bem regulada com amplitude da atividade alfa em 10 Hz na região posterior atenuadas com a abertura dos olhos associada a ondas beta de baixa amplitude nas regiões anteriores da cabeça.

Veja o exemplo da descrição de um eletroencefalograma alterado, sugestivo de epilepsia:

Esse exame foi realizado com 16 derivações simultâneas com 21 eletrodos conforme o sistema 10-10.

Ocorreram múltiplas explosões paroxísticas com pico de alta amplitude e atividade de onda lenta a 3,5 Hz registrados em ambos os hemisférios, mais proeminente na região anterior.

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O neurofisiologista clínico é o médico de referência para realizar os laudos do EEG e observar as anormalidades eventualmente percebidas. 

Esse é um exame que ser realizado em qualquer faixa etária e durar até 12 horas, já que pode ser realizado no contexto de sono e/ou de vigília. 

Devido a importância da posição correta dos eletrodos, situações que limitam esse posicionamento no corpo cabeludo como pediculose ou seborreia excessiva são consideradas como contraindicações relativas ao exame.

No geral, o único risco relacionado ao eletroencefalograma é a ocorrência de crise epiléptica durante as provas de ativação que já citamos anteriormente.

O preparo para realização do exame é relativamente simples e inclui medidas de higiene, sono e alimentação adequada. 

O paciente deve ter o sono da noite anterior reduzido em cerca de 4 a 5 horas para provocar a privação de sono. Isso contribuirá para a indução do sono no momento do exame, bem como ter se alimentado e estar com o cabelo limpo (sem uso de cremes ou óleos) e seco. 

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Sugestão de leitura complementar

Referências biliográficas

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