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Educação para o enfrentamento da morte na terceira idade | Colunistas

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Discorrer sobre a morte é um desafio. Sua recorrente abordagem não tem se mostrado suficiente para o entendimento do processo e, apesar de ser um tema constante para todos, é também muito banalizado nos noticiários (vide bombardeamentos midiáticos intransigentes na doença do COVID-19) , nas redes sociais (no compartilhamento diário de tragédias) e até em prosas de botequim.

Ainda mais frequente na redoma da saúde, a morte implica, muitas vezes, o não conhecimento na condução deste processo, mesmo para os profissionais de saúde. Sendo assim, a compreensão, no tocante à educação para a morte, é de extrema importância, pois todos, sem exceção, irão falecer, e uma regência adequada visando a minimização de danos psicológicos é essencial.

É factível que a absorção do “morrer” está em constante transformação, além de que o significado de morte difere de uma cultura para outra. Desde a forma de se “velar” o defunto: cremando, enterrando, mumificando; até as cerimônias: dança, rituais, dedicações, há uma heterogeneidade na aceitação e significação da morte.

Na Idade Média, a morte era tida com uma naturalidade ímpar, ao ponto de o indivíduo, ao perceber a aproximação da morte, considerar de fundamental importância reunir toda a família. Já nos séculos XVI, XVII e XVIII, houve uma transição abrupta ao encarar a morte, na medida em que, em pleno final de Idade Média – pico da peste negra, que dizimou sociedades inteiras – e início do Iluminismo, a morte passa a ser considerada como uma inimiga cruel e assustadora, que irá violar o direito à vida do indivíduo, constando dessa época o estereótipo imaginativo de “esqueleto e foice” da morte, tão explorada pelas artes em geral na atualidade. No século XIX, a morte é retratada com intensa melancolia e, de certo modo, glamourizada pelos romancistas.

Contudo, no século XX e XXI, a morte deve ser escondida a todo custo e o processo de luto interiorizado, uma vez que, com o avanço das tecnologias, o enfermo é isolado e internado em unidades de terapia em centros médicos, envolvidos por tubos, agulhas, medicamentos, e é, na maioria das vezes, tratado de forma desumanizada no último estágio da vida.

Esse último modelo de morte é caracterizado por Menezes como “morte moderna” e é justamente nele que a educação para a morte deve ser inserida, com objetivo de humanizar o processo.
Recorrer a uma humanização no processo da morte incita uma discussão sobre o histórico dos cuidados paliativos, a “qualidade de morte”, a abordagem dos profissionais envolvidos, além do envolvimento das políticas públicas no estofo da educação para a morte.

Cenário atual – Brasil e mundo

O cenário atual da “qualidade de morte” – conceito que se refere a uma “melhor” forma do processo de morte do paciente, no sentido de boa assistência e controle de sintomas – no Brasil, é ainda antiquado, ao ponto de haver muito preconceito e confusão no que concerne ao conceito de cuidados paliativos e eutanásia.

Nesse aspecto, verificam-se como dificuldades: a inclusão dos cuidados paliativos na atenção básica; o atestado de óbito em domicílio; a “cesta básica” de medicamentos, que é muito cara; e o armazenamento, a distribuição e o descarte de remédios opiáceos que aliviam a dor.

Em contraste a isso, o Reino Unido se mostra como referência na “qualidade da morte” nos critérios a seguir: o ambiente dos cuidados paliativos em particular e dos cuidados de saúde em geral; os recursos humanos; o preço e a qualidade desses cuidados; e o envolvimento na comunidade em geral.

A respeito dos profissionais envolvidos, há uma criticidade recorrente nesse âmbito de formação deficitária em relação a: provocação de sensibilidade dos alunos – e futuros profissionais – para a reflexão acerca da morte; e apresentação, por partes dos docentes, de várias abordagens do tema morte. Com isso, o profissional ao longo de sua carreira, se limitará à sua própria carga teórica sobre o tema, o que poderá significar uma abordagem falha.

Contudo, há uma crescente gama de profissionais pensando e executando de forma ampliada o que só foi conseguido devido, principalmente, à especialidade “Medicina Paliativa”. Este cuidado paliativo que é tão importante, uma vez que preza pela atenção ao detalhe, à minúcia de cada ser humano, entendendo-o como único na esfera social, dotado de integridade e dignidade invioláveis.

Perspectiva de parentes/pessoas próximas

Na perspectiva de quem enfrenta a morte de um parente ou pessoa próxima, o luto mal elaborado está se tornando um problema de saúde pública, em função da carga emocional que demanda e do velamento do tema morte. De fato, sentimentos de estranhamento, incômodo, angústia, medo, culpa, raiva e tristeza são vivenciados rotineiramente no processo de luto enfrentado ao se perder um ente querido.

Ainda assim, o mascaramento do tema atualmente reflete, como já discorrido, uma construção social atrelada a inúmeras simbologias, que variam socioculturalmente e historicamente.
Enfim, a educação para a morte pressupõe, principalmente, o respeito pela vida e o entendimento da morte como um processo natural.

Logo, mostra-se pertinente a orientação da Academia Nacional de Cuidados Paliativos: “desenvolver o cuidado ao paciente visando à qualidade de vida e à manutenção da dignidade humana no decorrer da doença, na terminalidade da vida, na morte e no período de luto”.

Pedro Krishna Carneiro Abílio Mangueira, graduando no curso de Bacharelado em Medicina pela UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE (UFCG). Membro da Liga Médico Acadêmico de Cardiologia da UFCG
Instagram: @pedrokrishna

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