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Educação científica na formação médica: limiar entre a ignorância e o exercício da mbe | Colunistas

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Olá, caro leitor! você já refletiu sobre a negligência da educação científica e seus impactos na formação médica? Não? Então, vamos lá…

A abordagem da medicina como via única de conhecimento ao se inserir na graduação pode tornar-se limitante, frente a necessidade de habilidades adicionais para o exercício do eixo ensino-pesquisa-extensão, base do contexto acadêmico, como o consumo de conteúdo extra medicina que dá suporte para o diálogo entre os pares e com os pacientes pelo exercício ético e orientado em evidências estabelecidas, sejam elas:

·         Capacidade de interpretação científica.

·         Habilidades de comunicação escrita.

·         Aptidão para a produção de artigos e materiais de caráter científico.

·         Capacidade de seleção das melhores evidências para aplicação na rotina clínica.

·         Esclarecimento necessário para julgar os maus entendimentos dos estudos e descartá-los, mesmo em frente ao julgamento popular.

·         Capacidade de adoção de uma rotina de atualizações em detrimento à disponibilização contínua de informações.

Essas diretrizes compõem parte das conhecidas hard e soft skill, visto que perpassam por conhecimentos técnicos e práticos, requeridas pelas demandas desenvolvidas ao longo dos ciclos de formação, com enfoque acentuado nas disciplinas de metodologia de pesquisa, mas não somente ela, visto que sua aplicação pode ser extrapolada para todas as esferas do exercício médico, desde a escolha da melhor conduta a ser repassada ao paciente, com base em dados estatísticos de confiabilidade, até a atualização contínua de assuntos de importância na área da saúde, a partir da veiculação de diretrizes e consensos, os quais são alvo de revisões contínuas por parte da comunidade acadêmica.

A aplicação destes conhecimentos é a definição da atuação regida pela medicina baseada em evidências (MBE), ou seja, repassar à população decisões clínicas baseadas no melhor grau de evidência disponível, de acordo com o objetivo do profissional, partindo da capacidade individual de julgamento dos artigos e materiais científicos disponíveis até o presente momento, de acordo com a hierarquia  dos níveis relacionados à qualidade metodológica, ou seja, quanto maior a validade dos dados apresentados, maior a confiança repassada aos profissionais para a adoção de novos protocolos, instrumentos e tecnologias, bem como a demonstrada pelos pacientes aos médicos. A partir desta pirâmide apresentada:

Fonte: (APARECIDA LENTINI DE OLIVEIRA, [s.d.])

No entanto, a presença dessas competências tende a ser, continuamente, desvalorizadas pela comunidade acadêmica, mediante a vinculação dessas habilidades à presença de afinidade com o nicho de atuação, fator que impede o estudo mais aprofundado de ferramentas colaterais aos apresentados em livros-texto sem atualização recorrente, ou seja, incapazes de seguir o fluxo correspondente de renovação das informações fornecidas pelas novas vias de veiculação de condutas médicas, sendo elas iniciativas independentes que são viabilizadas por sociedades e associações de médicos, como as bases de dados, ou até as disseminadas por instituições públicas de saúde pela coleta de informações, através dos indicadores de saúde.

Nesse sentido, quais os empecilhos centrais ao aprofundamento em temáticas científicas para os estudantes de medicina e profissionais médicos?

·         Falta de afinidade inicial afim com os ideais repassados pelos docentes.

·         Ausência de portais de ensino científico acessíveis e estimulantes.

·         Estabelecimento de dificuldades para o acesso privilegiado a certos conteúdos não gratuitos.

·         Desvalorização do papel dos médicos na veiculação de informação segura.

·         Repasse da responsabilidade social para outros profissionais da área da saúde.

·         Desvinculação da atuação clínica com ações de educação em saúde.

Desse modo, compreende-se, atualmente, a indispensabilidade do treino precoce da capacidade de atuação científica dos graduandos e, por consequência, dos profissionais formados, a partir de modelos de formação das escolas médicas, fator de cobrança posterior dentro das carreiras de residência, pós-graduação e todas as outras variantes de formação complementar para além da lógica limitada da graduação nas universidades.  Sendo também, demanda de exigência da população, visto que um médico bem-informado e atualizado, com atuação conforme as diretrizes são capazes de repassar maior confiança aos seus clientes e, consequentemente, estabelecem uma melhor relação médico-paciente.

Assim, quais as iniciativas acadêmicas que permitem o exercício de novas habilidades, desde a graduação em medicina?

·         Projetos de extensão.

·         Oportunidades de iniciação científica.

·         Ligas acadêmicas.

E, de que forma elas são capazes de proporcionar o ganho de aptidões científicas e interpessoais que modificam a percepção de mundo?

·         Proporcionam oportunidades de prática de oratória em reuniões científicas.

·         Incentivam a participação em eventos de amplitude estadual, regional, nacional e internacional.

·         Promoção da leitura de artigos científicos com o exercício da interpretação crítica para a adoção ou exclusão de condutas, já adotadas ou em consideração para serem incluídas.

·         Permitem a prática de habilidades de gestão e manejo de pessoas.

·         Estimulam a produção de ações de qualificação profissional complementar.

Por conseguinte, observa-se que o processo de absorção do conteúdo científico perpassa por iniciativas de cunho individual, a partir do fornecimento de vias de acesso ao conteúdo de interesse, ou seja, a universidade fornece as ferramentas para se atingir o caminho da plena interpretação baseada em evidências, mas essa escolha é própria do graduando, de acordo com seus ideais e objetivos, concordantes à garantia da prestação de serviços de qualidade e com segurança, por meio das nuances da pesquisa científica e sua aplicação no cotidiano geral.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


REFERÊNCIAS

  • ALMEIDA, Patrícia De. A (in)formação científica e humanizada dos profissionais da área de saúde: a literatura nas humanidades médicas. Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde, [S. l.], v. 12, n. 3, 2018. ISSN: 1981-6278. DOI: 10.29397/RECIIS.V12I3.1521. Disponível em: https://www.reciis.icict.fiocruz.br/index.php/reciis/article/view/1521. Acesso em: 25 jul. 2021.
  • APARECIDA LENTINI DE OLIVEIRA, Débora. Módulo Pedagógico Práticas Clínicas Baseadas em Evidências. [S. l.], [s.d.].
  • ARAÚJO DE OLIVEIRA, Neilton; LUIZ, I.; ALVES, Anastácio; MAURÍCIO, I. I.; III, Roberto Luz. Iniciação Científica na Graduação: O que Diz o Estudante de Medicina?* Scientific Activities During Undergraduate Education: What do Medical Studente Have to Say? [S. l.], v. 32, n. 3, p. 309–314, 2008.
  • AS, Al Shahrani. Development and evaluation of an evidence-based medicine module in the undergraduate medical curriculum. BMC medical education, [S. l.], v. 20, n. 1, 2020. ISSN: 1472-6920. DOI: 10.1186/S12909-020-02181-7. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32762678/. Acesso em: 25 jul. 2021.
  • G, Lebedev et al. Technology of Supporting Medical Decision-Making Using Evidence-Based Medicine and Artificial Intelligence. Procedia computer science, [S. l.], v. 176, p. 1703–1712, 2020. ISSN: 1877-0509. DOI: 10.1016/J.PROCS.2020.09.195. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33042303/. Acesso em: 25 jul. 2021.
  • MANUEL PÊGO-FERNANDES ALESSANDRO WASUM MARIANI II, Paulo I. O ensino médico além da graduação: iniciação científica. [S. l.], v. 15, n. 3, p. 104–109, 2010. Disponível em: http://www.cibersaude.com. Acesso em: 25 jul. 2021.

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