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É possível retornar às aulas presenciais na pandemia? | Colunistas

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Estamos há um ano passando pela pandemia do novo coronavírus. E há um ano que os estados brasileiros decidiram fechar suas escolas, seguindo o exemplo de outros países.

Mas será que há fundamento para privar os alunos do ambiente escolar? O retorno às aulas presenciais durante a pandemia tornaria o cenário pior do que o que estamos vivendo? As aulas remotas são suficientes para o aprendizado dos alunos?

Por que devemos discutir esse tema?

O retorno às aulas presenciais nas escolas ficou em último plano no processo de retomada das atividades no Brasil. As orientações iniciais foram de fechamento das escolas em geral e estímulo à aulas remotas. Por outro lado, locais de lazer e academias voltaram a funcionar e muitos outros trabalhadores retornaram aos seus serviços durante a pandemia.

Desigualdade no aprendizado

No sistema de ensino remoto há algumas falhas que comprometem o aprendizado dos estudantes, principalmente das crianças menores e daqueles com poucos recursos financeiros.

Essas falhas, portanto, estão relacionadas com uma desigualdade no processo de aprendizado. Afinal, a capacidade da criança e do jovem de aprender dependerá de três variáveis: a qualidade do acesso e da oferta do ensino remoto, o apoio domiciliar e o grau de engajamento do estudante.

As dificuldades de pais e professores

Devemos considerar, primeiramente, que uma parcela das famílias não possui acesso a computador e internet em casa. Em segundo lugar, crianças menores necessitam do acompanhamento de um adulto para cumprimento das atividades e não são todos os pais que tem essa disponibilidade.

Além disso, aula online é novidade para alguns professores e muitos não receberam essa capacitação ou, até mesmo, os recursos necessários.

Aumento da evasão escolar

Outra consequência provável nesse contexto é uma elevação nas taxas de abandono e evasão escolar dos alunos, especialmente, daqueles em situação de maior vulnerabilidade. Essa previsão é feita com base nos estudos dos efeitos do furacão Katrina, em que houve longo período de fechamento de escolas.

Esses estudos indicaram também perda da aprendizagem, proporcional ao tempo de afastamento, principalmente em leitura e matemática.

Repercussões físicas e emocionais

Ademais, interrupções das aulas presenciais podem gerar impactos emocionais e físicos, em razão da perda de interação com outras crianças, aumento do sedentarismo e do tempo de exposição a telas de celulares e computadores. Há implicação também nutricional, uma vez que a merenda escolar, em muitas localidades, é a principal refeição do dia do estudante.

Plano de retomada durante a pandemia

A pandemia do vírus Covid-19 de fato pegou o mundo de surpresa. Ninguém estava preparado para algo de tamanha magnitude. E isso fez com que muitas decisões fossem tomadas no escuro, de forma repentina. O fechamento das escolas está entre elas.

Ao longo do tempo, foram instituídas medidas de proteção contra o contágio, vacinas foram desenvolvidas e gradualmente as atividades laborais e de lazer foram retomadas. Entretanto, muitas escolas permanecem fechadas.

Qual a justificativa para isso? Os argumentos utilizados para manter as escolas fechadas referem-se a possível contaminação de professores e alunos; além da falta de estrutura e recursos na rede pública para manter o distanciamento nas salas de aula e medidas de higienização adequadas, como o uso do álcool gel.

Características da COVID-19 em crianças

Os estudos mostram que as crianças têm um menor papel na transmissão do SARS-Cov-2 do que os adultos. Na maioria das vezes, as crianças adquirem o vírus de algum adulto e são raros os casos de contágio de uma criança para outra. É diferente do que ocorre com o vírus da influenza, por exemplo, em que a população pediátrica é responsável por grande parte da transmissão.

Outro fator que devemos destacar é que as crianças geralmente desenvolvem a forma leve a moderada da doença ou até mesmo assintomática (cerca de 90%). A proporção de casos graves e críticos é substancialmente menor do que aquela observada em adultos com COVID-19. Esses quadros mais graves, entretanto, são vistos em lactentes e crianças em idade pré-escolar. Um padrão semelhante com as infecções por coronavírus não SARS-CoV-2. Há uma tendência também de hospitalização daquelas crianças que possuem condições crônicas de saúde concomitantes.

As experiências em outros países

Em um levantamento sobre os países que retomaram as aulas presenciais, seguindo as medidas de proteção, não foi observado aumento do número de crianças infectadas durante a pandemia. Entre os 13 países analisados, que reabriram totalmente as escolas, nove não apresentaram evolução na curva de contágio do país, ou seja, não houve correlação entre reabertura das escolas e aumento do número de casos de COVID-19. Entre esses países estão a África do Sul, Alemanha, China, Dinamarca, Uruguai.

Nos outros quatro países (Israel, Itália, Nigéria e Reino Unido), a reabertura das escolas foi acompanhada de aumento do número de casos de infecção, porém, no mesmo período houve um relaxamento das medidas de distanciamento social e surgimento de nova variante do vírus nestes países. Portanto, o aumento do contágio não pode ser exclusivamente creditado ao retorno das aulas presenciais.

Qual a melhor forma de planejar o retorno?

Não há um protocolo ideal e universal para o retorno às aulas presenciais. As experiências de países, que passaram por esse processo, indicam que é algo complexo e necessita planejamento e supervisão.

Para que o retorno às aulas presenciais se torne realidade é necessário compromisso dos governos e da rede privada para garantir condições de higiene e segurança nas escolas. Além de investimento na infraestrutura, permitindo distanciamento apropriado e na capacitação dos professores para o uso de novas metodologias.

Quem volta primeiro?

Inicialmente devem ser identificados os alunos mais vulneráveis. Esses devem ser priorizados no retorno às aulas. Identificar também alunos e professores que se encaixam nos grupos de risco e promover condições de estudo e ensino de forma remota para os mesmos.

Educadores brasileiros acreditam que, primariamente, deve ocorrer o retorno dos estudantes mais novos, pois liberaria maior número de mão de obra para vários setores da economia. Além disso, a reorganização da sala de aula e o distanciamento são mais fáceis, uma vez que o número de alunos por sala de aula é menor. Contudo não há um consenso. O planejamento deve ser flexível às individualidades de cada região.

Planejamento e orientação

A comunicação é essencial. Os governos devem divulgar os protocolos desenvolvidos, as medidas de segurança a serem adotadas, bem como orientar a população sobre como proceder no retorno às aulas. Essa transparência irá trazer confiança aos pais e professores, principais agentes desse processo.

Autora: Rebeca Cäsar


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências bibliográficas

  1. Marco Aurélio Palazzi Safadi. As características intrigantes da COVID-19 em crianças e seu impacto na pandemia. J. Pediatr. (Rio J.) vol.96 no.3 Porto Alegre May/June 2020. – https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0021-75572020000300265&script=sci_arttext&tlng=pt
  2. Maunsell et al. COVID-19 em crianças: considerações sobre o retorno das aulas. Braz. j. otorhinolaryngol. vol.86 no.6 São Paulo Nov./Dec. 2020. – https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1808-86942020000600667&script=sci_arttext&tlng=pt
  3. Conselho Nacional de Educação. Orientações Educacionais para a Realização de Aulas e Atividades Pedagógicas Presenciais e Não Presenciais no contexto da Pandemia. Parecer CNE/CP Nº: 11/2020
  4. Vozes da educação. Levantamento internacional de retomada das aulas presenciais fevereiro / 2021.
  5. Como voltar às atividades na educação infantil? Recomendações aos municípios no planejamento para a retomada no contexto da pandemia de Covid-19. Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. Julho/2020

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