Qualidade de vida na residência médica | Colunistas

Após a conclusão da graduação médica, inúmeros profissionais
médicos recém-formados têm como principal objetivo a aprovação em um programa
de residência médica. Nesta próxima etapa da carreira, há grandes fatores
predisponentes para gerar alta carga de estresse, como por exemplo, a carga
horária excessiva, maior responsabilidade profissional, privação de sono e até
mesmo síndrome de Burnout.
Tendo como ponto principal o termo “qualidade de vida”, a
Organização Mundial da Saúde (OMS) a define como “percepção dos indivíduos
sobre sua posição na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores em que
vivem e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.
Apesar de ser uma percepção subjetiva, atualmente há vários escores para
comparar a qualidade de vida entre grupos. Assim, em detrimento de avaliar a
qualidade de vida dos médicos residentes, muitos estudos publicaram resultados
sobre assunto, tendo alguns deles resultados preocupantes.
Um estudo transversal publicado em 2010 na Revista
Brasileira de Educação Médica, 136 médicos residentes do Hospital Universitário
Evangélico de Curitiba foram avaliados pelo questionário WHOQOL – abreviado, um
dos métodos de avaliar qualidade de vida idealizado pela OMS. Como resultado,
observou-se que os residentes perceberam sua qualidade de vida pior na
residência médica quando comparado na vida em geral, sem diferenças
estatísticas significantes entre gênero, ano de residência ou especialidade.
Outro estudo mais recente publicado na Revista do Colégio
Brasileiro de Cirurgiões, que aplicou o mesmo questionário acima citado para 97
residentes das mais diversas especialidades no Hospital do Trabalhador –
Curitiba, demonstrou que a qualidade de vida dos residentes do primeiro ano é
pior em relação aos demais anos, tendo uma variação significativa no domínio
psicológico (pensamento, aprendizagem, memória…).
Não permanecendo exclusivo a nível nacional, o assunto
também ganhou destaque internacional quando a Revista New England Journal of
Medicine publicou no dia 31 de Outubro de 2019 sobre o risco de síndrome de
Burnout ou até mesmo pensamentos suicidas em residentes de cirurgia geral. O
estudo contou com a participação de 7409 residentes de cirurgia geral de 262
programas distintos e obteve os seguintes resultados: 30.3% reportaram abuso
físico e/ou mental de seus preceptores; 16.6% relataram discriminação racial e
10.3% relataram assédio sexual. Os sintomas de Burnout estavam presentes em
38.5% dos participantes e 4.5% de todos participantes tiveram ideação suicida
no último ano.
Por fim, a residência médica ainda é um tipo de
pós-graduação que mais agrega conhecimento tanto teórico quanto prático ao
médico para oferecer melhor assistência aos pacientes. Portanto, há a
necessidade de discussão e melhoria nas condições de trabalho oferecidas para
os residentes com o intuito de melhorar a qualidade de vida, consequentemente
tendo impacto positivo na assistência a saúde e à educação médica.
Segue abaixo artigos complementares sobre o assunto nas
referências.
Até o próximo post.
Autor: Gabriel
Martinez
Perfil Instagram: gabriel.martinez1995
Saiba mais sobre a Residência Médica!
Quer passar na residência também? Acesse o link abaixo!