Anúncio

Doença ulcerosa péptica (DUP) e classificações | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

A doença ulcerosa péptica é um defeito da mucosa, seja gástrica ou duodenal, podendo se estender além dela. Aproximadamente 70% das úlceras são assintomáticas, podendo ser descobertas apenas nas complicações, como hemorragia ou perfuração. Quando sintomática, apresenta geralmente dor abdominal no hipocôndrio direito ou esquerdo. Classicamente, na úlcera duodenal, a dor ocorre 2 a 5 horas após a refeição e à noite. Outros sintomas são empachamento pós-prandial, saciedade precoce, náuseas, pirose e regurgitação. O diagnóstico é feito a partir da suspeita clínica e estabelecido com a visualização da úlcera na endoscopia digestiva alta.

Em
nossos estudos sobre úlceras pépticas, nos deparamos com duas classificações
principais (e diferentes): classificação de Sakita e classificação de Forrest. Para
as úlceras gástricas, temos a classificação de Johnson também.

Qual a diferença entre elas?

A
classificação de Sakita avalia em que grau evolutivo/de atividade a úlcera está.
Já a de Forrest é uma classificação endoscópica para lesões ulcerosas
sangrantes/hemorrágicas, que se correlaciona com o risco de ressangramento,
direcionando o tratamento e avaliando o prognóstico.

Estigma endoscópico
de hemorragia recente
Prevalência Risco de
ressangramento
IA: sangramento arterial ativo em jato 10% 90%
IB: sangramento ativo em babação 10% 10 – 20%
IIA: coto vascular visível 25% 50%
IIB: coágulo aderente recente 10% 25 – 30%
IIC: fundo hemático 10% 7 – 10%
III: sem sangramento 35% 3 – 5%

Katschinski B, Logan R,
Davies J, et al. Prognostic factors in upper gastrointestinal bleeding.
Dig Dis Sci 1994; 39:706.

Como as úlceras IA, IB e IIA apresentam alto risco
de sangramento, deve receber adrenalina + algum segundo método (dupla terapia).
A úlcera IIB tem risco intermediário, porém, como o coágulo aderido não permite
total visualização, deve ser tentada sua retirada e reclassificada em seguida.
As úlceras IIC e III apresentam baixo risco de ressangramento, não precisando
de intervenção endoscópica, mas sim tratada com medicamentos.

A classificação de Sakita é dividida,
principalmente, em A (ativa), H (healing = em cicatrização) e S (scar
= cicatrizada). Cada uma dessas classificações é dividida em duas.

As úlceras pépticas podem ser gástricas ou
duodenais. Todas as pépticas duodenais apresentam hipercloridria, o que não
acontece nas gástricas. Isso impacta principalmente no tratamento, já que não
visa anular a produção gástrica, e sim ressecar a úlcera, ainda mais pela
existência de risco de malignização da úlcera gástrica, e deve ser, no mínimo,
biopsiada. Nesse contexto, apresenta-se a classificação de Johnson, que leva em
conta a fisiopatologia abaixo.

Classificação
de Johnson para doença ulcerosa péptica gástrica:

Tipo 1 Na pequena curvatura baixa, em
hipocloridria (mais comum)
Tipo 2 No corpo gástrico, associada a úlcera duodenal,
em hipercloridria
Tipo 3 Pré pilórica, em hipercloridria
Tipo 4 Na pequena curvatura alta, em hipocloridria
Tipo 5 Úlceras múltiplas, associadas a AINES

Sendo assim, nos tipo 1 e 4, que ocorrem em
hipocloridria, deve ser feita gastrectomia parcial ou subtotal. Nas tipos 2 e
3, o melhor tratamento é pela vagotomia com antrectomia, já que apresentam
hipercloridria. No tipo 5, relacionado à utilização de AINES, o medicamento
deve ser descontinuado.

A utilização de AINES é a segunda principal causa
de doença ulcerosa péptica, ficando atrás do H pylori. Na presença de
úlceras, ao realizar a EDA, é realizado o teste da urease ou, então, biópsia
para teste histopatológico. Para pesquisar o H pylori de formas não
invasivas, é possível realizar testes sorológico e respiratório e pesquisa do
antígeno fecal.

Se o paciente apresentar úlceras e teste para H
pylori
positivo, independentemente do tipo de teste realizado, devo tratá-lo.
O esquema de tratamento mais utilizado é o seguinte:

  1. Claritromicina
    500mg de 12/12 horas por 14 dias;
  2. Amoxicilina
    1g de 12/12 horas por 14 dias;
  3. Omeprazol
    20mg de 12/12 horas, utilizado além desses 14 dias, para completar o curso de
    tratamento da úlcera, que é de quatro a oito semanas.

Após o tratamento dessa bactéria, deve ser feito o
controle de cura 4 semanas após o termino dos antibióticos. Pode ser feito com
teste respiratório com ureia marcada ou pesquisa do seu antígeno fecal. O teste
da urease não tem validade para controle de cura.

As principais complicações da DUP são hemorragia
digestiva alta, perfuração e estenose. Quanto à HDA, que é a mais frequente
entre elas, deve ter como primeira conduta a estabilização do paciente, para
depois realizar a endoscopia digestiva alta diagnóstica e terapêutica.

A perfuração leva a um quadro de dor abdominal
intensa, ao achado de peritonite difusa e pneumoperitônio ao raio X de tórax. O
tratamento cirúrgico é urgente através de sutura da úlcera perfurada e
epiplonplastia, preferencialmente, ou gastrectomia.

A estenose é resultado da lesão – úlcera – reparo – cicatrização, que leva a retração cicatricial. Quando antropilórica, pode obstruir o esvaziamento gástrico. Como não é possível ser diferenciada de uma causa maligna, o tratamento é sua ressecção com gastrectomia.

Confira o vídeo:

Confira mais sobre o assunto no SanarBooks, a sua biblioteca digital de medicina!

Posts relacionados:

Autoria: Julia M. Machinski, Médica

@juliammachinski

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀