O sistema respiratório começa no nariz e na boca e continua pelas vias aéreas e pulmões. O ar entra no sistema respiratório pelo nariz e boca, passando pela garganta (faringe) e laringe. A entrada da laringe é coberta por uma pequena aba de tecido, chamada de epiglote, que se fecha automaticamente durante a deglutição, impedindo assim a entrada de alimentos ou líquidos nas vias aéreas.
A pleura consiste em uma membrana escorregadia que reveste os pulmões e o interior da parede torácica. Ela permite que os pulmões se movam suavemente durante a respiração e quando a pessoa se movimenta. Normalmente, existe apenas uma pequena quantidade de líquido lubrificante entre as duas camadas da pleura. Essas duas camadas deslizam suavemente uma sobre a outra quando os pulmões sofrem alterações de tamanho e forma.

Imagem: Sistema respiratório. Fonte: https://bit.ly/2PDGbPu
A cavidade pleural é um espaço virtual limitado pelas pleuras visceral, parietal, mediastinal e diafragmática, ocupado por uma fina lâmina líquida que permite o deslizamento entre elas durante o ciclo respiratório. A pressão negativa em seu interior garante o funcionamento normal dos órgãos contidos no tórax, principalmente pulmões e coração.
Em situações patológicas, esse espaço pode ser ocupado por conteúdo líquido ou gasoso de variado volume, determinando alterações na fisiologia respiratória que, se não adequadamente tratadas, podem determinar a morte do doente.
Definição de drenagem pleural
Define-se a drenagem pleural como um procedimento cirúrgico cujo objetivo fundamental é restaurar ou manter a negatividade da pressão do espaço pleural, por meio da eliminação de qualquer conteúdo anômalo.
Consiste na introdução de um dreno através da parede torácica, promovendo o esvaziamento deste conteúdo.
Indicações para a drenagem torácica
A indicação de drenagem torácica no caso de conteúdo líquido está na dependência do tipo e do volume de líquido acumulado no espaço pleural. Em determinadas situações não traumáticas, a punção pleural com agulha precede a drenagem, pois permite a caracterização macroscópica desse conteúdo, bem como sua análise laboratorial.
Líquidos estéreis podem ser esvaziados por punção pleural sem a necessidade de drenagem tubular. Entretanto, coleções purulentas, líquidos contaminados, sangue e linfa devem ser sempre drenados independentemente do volume. Segue abaixo as principais indicações de drenagem torácica:
Pneumotórax
Presença de ar entre as duas camadas da pleura, resultando em colapso parcial ou total do pulmão. Caracteriza-se o pneumotórax espontâneo, aquele em que não há causa aparente, pessoas sem doença pulmonar conhecida. O traumático, como o nome já diz, consiste em uma consequência de uma lesão penetrante ou fechado.
O pneumotórax aberto ou ferida torácica aspirativa consiste em uma lesão com solução de continuidade (ferida) na parede torácica, o que permite que o ar atmosférico ganhe a cavidade pleural provocando o pneumotórax.
Já o pneumotórax hipertensivo, onde ocorre um vazamento de ar tanto do pulmão quanto da parede torácica para espaço pleural, caracteriza-se por um deslocamento do mediastino para lado oposto e possível choque obstrutivo decorrente da diminuição do retorno venoso e do débito cardíaco.

Hemotórax
Fruto de um trauma torácico, seja ele contuso ou penetrante, pós-operatório de cirurgia torácica ou abdominal superior ou condições cardíacas ou aórticas não traumáticas, como infarto agudo do miocárdio e dissecção aguda de aorta.
Considera-se casos em que ocorre um rápido acúmulo com mais de 1500ml ou 1/3 do volume de sangue do doente na cavidade torácica como hemotórax maciço, sendo capazes de promover compressão pulmonar suficiente para gerar importante desconforto respiratório, hipotensão e choque. Condições como essa são comuns em casos de ferimento penetrante que atinge vasos sistêmicas ou hilares.
Derrame pleural sintomático ou redicivante
O derrame pode ser estéril, infectado ou inflamatório, como no empiema ou no derrame parapneumônico.
Pode também ser maligno, ou seja, condições não emergenciais decorrentes de um tumor causando derrame pleural, como no quilotórax, que é o acúmulo de linfa no espaço pleural, podendo resultar de:
- Obstrução da drenagem linfática
- Lesão do ducto torácico
- Aumento da produção linfática: tendo como causas mais comuns neoplasias, trauma, causas congênitas, infecções e trombose venosa do sistema da veia cava superior, bem como ruptura esofágica/brônquica ou síndrome de Boerhaave (protocolo de drenagem bilateral).
Realização de pleurodese
Inserção do tubo torácico para facilitar a instilação de agentes esclerosantes (Tetraciclina, Nitrato de Prata, Povidine, Bleomicina, talco estéril) no espaço pleural para o tratamento de derrame refratário.
Outras indicações
- Hemopneumotórax
- Após procedimento cirúrgico (com abertura de pleura)
Como a drenagem torácica é realizada?
Antes de iniciar o procedimento, posiciona-se o paciente de maneira confortável, geralmente sentado ou deitado de lado com o lado afetado voltado para cima. Limpa-se a área de inserção do dreno e esterilizada. Para minimizar o desconforto, administra-se uma anestesia local na área onde coloca-se o dreno.
Com a ajuda de técnicas de imagem, como ultrassom ou radiografia, o médico identifica o local ideal para a inserção do dreno. Dessa forma, garante-se que o dreno seja colocado na posição correta para maximizar a eficácia do procedimento.
Após a preparação adequada, o médico faz uma pequena incisão na pele e insere o dreno através da parede torácica e na cavidade pleural. Deve-se colocar o dreno cuidadosamente avançado até atingir o local desejado.
Realiza-se a aspiração do líquido para análise. O volume e o número de frascos necessários dependem das suspeitas diagnósticas. Normalmente, cerca de 50 mL de líquido pleural são suficientes para análise.
Se a análise do pH do líquido pleural for necessária, coleta-se o líquido diretamente em uma seringa própria para gasometria arterial.
Possíveis complicações
Embora a drenagem torácica seja geralmente considerada segura e eficaz, como qualquer procedimento médico, pode haver complicações.
- Lesão de tecidos adjacentes: durante a inserção do dreno, há o risco de lesão de estruturas adjacentes, como vasos sanguíneos, nervos ou órgãos. Isso pode resultar em sangramento, dor ou outros danos
- Hemorragia: em alguns casos, a drenagem torácica pode causar hemorragia, especialmente se houver lesão de vasos sanguíneos importantes durante o procedimento
- Reexpansão Pulmonar Traumática: se o pulmão colapsado for reinflado muito rapidamente, pode ocorrer uma reação inflamatória aguda conhecida como reexpansão pulmonar traumática, o que pode causar dor torácica intensa, febre e até mesmo síndrome do desconforto respiratório agudo.
Referência bibliográfica
- Bragança, RD. PROCEM. Procedimentos médicos na emergência. 3a edição. Belo Horizonte. CUREM, 2019.
- Saad Júnior R, Arakaki JSO, Gonçalves R, Polonio IB. Ligas Acadêmicas de Pneumologia e Cirurgia
Torácica do Estado de São Paulo. São Paulo: Atheneu; 2014.
Sugestão de leitura complementar
- Um Caso Clínico de Trauma sobre Drenagem Torácica
- Dreno Pigtail | Colunistas
- Sistema de drenagem digital: até onde podemos chegar?
- Os 10 erros mais comuns em Cirurgia Geral
- Resumo: Trauma torácico | Ligas
- Casos Clínicos: Pneumotórax Aspirativo | Ligas
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