Entenda quais são os principais padrões semiológicos na avaliação do paciente com dor abdominal! Bons estudos!
A dor abdominal é um achado comum nas unidades de saúde. Devido a variedade e funcionalidade dos órgãos abdominais, os padrões semiológicos são grandes aliados na avaliação clínica.
Dor abdominal e sua manifestação
A dor abdominal representa um grande desafio no atendimento clínico e emergencial. Devido às possibilidades diagnósticas várias, os sintomas precisam de especificidade para clarear as hipóteses diagnósticas.
É justamente por esse motivo que compreender os padrões semiológicos se torna uma ferramenta tão valiosa na avaliação física do paciente.
Devido a diagnósticos diferenciais e uma extensa variação de quadro clínico , ela se comporta de forma diferente a depender gênero e idade etc. A sua origem pode ser desde etiologias benignas e autolimitadas até doenças que podem colocar a vida em risco.
Epidemiologia da dor abdominal: o que é importante saber?
Além de compreender os padrões semiológicos, é importante saber o que e de quem esperar o sintoma no seu atendimento.
Com isso em mente, entende-se que de todos os casos da emergência, cerca de 5-10% são relativos à dor abdominal. Apesar disso, desses casos 25% são dores indiferenciadas. É evidente que a falta de conhecimento para dos padrões semiológicos corroboram para o diagnóstico comprometido.
Apesar disso, as estatísticas ainda revelam que grande parte dos pacientes que apresentam a dor abdominal melhoram ao longo dos dias após a alta. No entanto, essa melhora costuma ocorrer dentro de cerca de duas semanas, tempo que poderia ser otimizado com um diagnóstico breve e assertivo.
Apresentação da dor abdominal: existe variação entre faixas etárias?
Assim como muitas apresentações clínicas, existe uma diversidade entre grupos distintos de pacientes.
Na dor abdominal isso se repete. Assim, grupos como adultos mais velhos, imunocomprometidos e mulheres em idade reprodutiva representam desafios diagnósticos.
Paciente idoso: como a dor abdominal pode se apresentar?
A dor abdominal em pacientes idosos merece um pouco mais de atenção. Isso porque, assim como nos diabéticos, ela costuma ser acompanhada de queixas vagas, inespecíficas e atípicas.
Assim sendo, a partir dos 65 anos, a chance de visitas em emergências aumenta cerca de 20%, sendo que dessas 3 a 4 são por dor abdominal. Somado a isso, cerca de 1/3 desse grupo necessita de intervenção cirúrgica.
A grande questão da dor abdominal no idoso é o potencial que a mesma tem de ser a de uma condição fatal. Além disso, considerando o perfil do paciente idoso, os exames diagnósticos costumam ser mais demorados.
Pensando nisso, esse grupo etário apresenta cerca de seis a oito vezes mais chances de mortalidade em relação a grupos jovens.
Mulheres em idade reprodutiva: desafio na dor abdominal
As mulheres em idade reprodutiva representam um enorme desafio diagnóstico.
Isso é justificado pela possibilidade de gravidez complicada e de desconhecimento da mulher, bem como por complicações, como aborto ou doenças pélvicas.
Dor abdominal no idoso, na mulher e no imunossuprimido
As etiologias mais graves relacionadas a dor abdominal, estão presentes nos pacientes idosos, eles possuem mais chances de um diagnóstico ameaçador à vida, com patologias como ruptura de aneurisma de aorta abdominal e isquemia mesentérica. Alguns pacientes merecem uma atenção especial, entre eles os pacientes imunodeprimidos, devido esse grupo apresentar manifestações atípicas, com achados clínicos inespecíficos e que podem confundir mascarar algo mais sério.
Quando falamos em dor abdominal em mulheres, o temos um amplo leque de diagnóstico diferencial é ainda , que inclui patologias que envolvem o trato reprodutivo feminino, órgãos pélvicos e doenças ligadas à gestação.
Avaliando da dor abdominal: quais pontos não esquecer?
Quando vamos avaliar pacientes com dor abdominal precisamos compreender a relevância de se colher uma história completa.
Isso significa que a dor deve ser muito bem descrita, trazendo a sua descrição completa. Assim, caracterizar a localização e sintomas associados é mandatório no exame físico da dor abdominal. Além disso, entender o passado médico do paciente e suas comorbidades também colabora com o diagnóstico do paciente.
São itens importantes para o diagnóstico:
- Piora ou melhora da dor com posição e fatores provocadores;
- Tipo da dor;
- Se a dor é aguda ou crônica;
- Região da dor e sua radiação;
- Gravidade da dor;
- Fatores temporais e modo de início;
- Progressão e episódios anteriores.
A dor vai ser classificada quanto ao tempo de início. Assim, a dor aguda é aquela iniciadahá poucos dias, com piora em um dia ou algumas horas. Essas dores agudas devem levar nosso raciocínio clínico a pensar em patologias algo mais graves como, como isquemia mesentérica, aneurisma roto de aorta abdominal ou dissecção aórtica .
Doença biliar e o seu padrão de dor abdominal
A doença biliar se apresenta como dor não paroxística, que possui duração maior que 1 hora obrigatoriamente. A dor que está associada à obstrução do intestino delgado cursa em cólica, com evolução para dor mais constante quando ocorre distensão intestinal.
Úlceras e o seu padrão de dor abdominal
A dor de uma úlcera péptica , pode ter como fator de piora a alimentação quando tratamos de úlceras gástricas, e pode ser um fator de melhora quando essa lesão se encontra no duodeno.
Obstrução e o seu padrão de dor abdominal
Dor abdominal associada com vômitos podem estar presentes em qualquer doença abdominal. Mas, em casos de obstrução do intestino delgado, esses vômitos costumam ser biliosos e com a evolução do quadro ele adquire uma aparência fecalóide.
Exame físico geral do paciente com dor abdominal
Como comentamos, os achados do exame físico e seus padrões são grandes aliados para o diagnóstico da dor abdominal.
Isso se justifica pela falta de especificidade dos sintomas. Ou seja, o paciente com dor abdominal nem sempre apresenta uma queixa específica de localização da dor o tipo da dor. Por esse motivo, o exame físico pode também ser enganador.
Ao realizar o exame físico no paciente com queixa de dor abdominal deve-se atentar ao aspecto geral do paciente. As anormalidades de sinais vitais devem nos levar a pensar em uma causa grave.
Ainda assim, existem alguns raciocínios que podemos utilizar. Por exemplo, na presença de taquicardia e hipotensão pode-se suspeitar de desidratação, perda de sangue, sepse e perdas de volume para o terceiro espaço. Essa é um raciocínio importante, porque colabora muito com a estabilização inicial do paciente com depleção volêmica.
A seguir, depois do exame físico geral, na inspeção do abdome, podemos encontrar cicatrizes cirúrgicas, alterações de pele como circulação colateral, hérnias. Todos esses achados nos guiam para um possível diagnóstico.
A ausculta, que deve ser realizada antes da palpação, pode revelar sons agudos em obstrução do intestino delgado ou o silêncio no íleo paralítico. Além disso, sopros podem ser auscultados em dissecção de aorta ou estenose renal.
A palpação é a parte do exame mais importante e que mais nos traz mais especificidade de informações quando tratamos de dor abdominal. Através dela, podemos identificar uma hipersensibilidade localizada, que normalmente indica a causa subjacente da dor.
Sinal de Grey-Turner e Cullen
Os sinais de Grey-Turner representa equimoses em flanco. Esse é um achado indicativo de sangramento retroperitoneal.
Já a presença de equimoses azuladas em região umbilical é o sinal de Cullen, e pode sugerir sangramento intraperitoneal.

Sinal de Murphy
O sinal de Murphy é caracterizado pela interrupção da inspiração, quando o examinador apalpa com seus dedos abaixo da margem costal direita anterior do paciente.
Esse é um sinal que sugere o diagnóstico de colecistite, e a partir dele vale a pena investigar melhor por meio de exames de imagem.

Sinal de Rovsing e sinal do Psoas
O sinal de Rovsing é utilizado no diagnóstico de apendicite. Nele aplica-se pressão no quadrante inferior esquerdo, apalpando profundamente. O teste tem como resultado positivo se o paciente relata dor no quadrante inferior direito.
Já o sinal do Psoas é realizado com o paciente em decúbito dorsal levantando a coxa contra a resistência lateral. Caso haja aumento da dor, temos uma indicação de irritação do músculo por um processo contíguo. Quando positivo do lado direito, indica provavelmente apendicite.


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Perguntas frequentes
- Quais as possíveis etiologias de dor em fossa ilíaca direita?
O principal diagnóstico diferencial é o de apendicite. Porém, a doença de Chron, pielonefrite, DIP podem ser etiologias presentes. Em mulheres, deve-se estar atento para gravidez ectópica e ruptura de cisto ovariano. - Qual o padrão semiológico da dor das vias biliares?
A dor tem caraterística não paroxística, sendo contínua num intervalo de pelo menos 1h. Pode ser em faixa ou localizada, com atenção para sinal de Murphy. O sinal de Courvoisier fala a favor da preservação da árvore biliar. - Quais as manobras e sinais para pesquisa de apendicite?
Descompressão rápida do ponto de McBurney, indetificando possível sinal de Blumberg. Sinal de Rovsing pela movimentação do gás em cólon. Sinais do Psoas e do Obturador, pela mobilização do membro inferior ipsilateral.
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Referências
- Martins, Mílton de Arruda; Martins, Milton de Arruda (ed). Manual do residente de clínica médica. BARUERI: Manole, 2015. 1456p;
- Avaliação do adulto com dor abdominal. Robert M Penner, BSc, MD, FRCPC, MSc. UpToDate
- Atlas virtual de histologia e patologia: [CC #9]: PANCREATITE (atlasvirtualuneb.blogspot.com)