Confira neste artigo um resumo completo sobre as doenças respiratórias ocupacionais (DRO) e tire todas as suas dúvidas!
Doenças Respiratórias Ocupacionais (DRO)
O sistema respiratório é a principal interface entre os meios interno e externo do corpo humano. Considerando-se o grande número de elementos dispersos no meio ambiente em geral e nos locais de trabalho, podem-se inferir, pela imensa variedade das respostas celulares e moleculares a esses agentes, as doenças respiratórias decorrentes dessas exposições.
As doenças respiratórias ocupacionais (DRO) são consequências da exposição às substâncias nocivas no ambiente de trabalho, que podem agredir o sistema respiratório. Elas representam cerca de 20% das enfermidades desse sistema e configuram como importantes causas de absenteísmo, benefícios previdenciários, indenizações trabalhistas, invalidez e morte precoce.
A inalação de gases e partículas nos ambientes de trabalho pode acometer as vias respiratórias superiores (fossas nasais, faringe e laringe), as inferiores (traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos), o parênquima pulmonar, o interstício pulmonar e a pleura.

Imagem: Sistema respiratório. Fonte: https://bit.ly/37Gf3ri
O risco de ocorrência de DRO depende da concentração da substância inalada no ar ambiente, do tamanho, das suas características físico-químicas e da exposição acumulada no tempo, que corresponde a carga de exposição.
Fatores de risco associados, como o tabagismo, a poluição do ar e as doenças crônicas, que diminuem as defesas pulmonares, além de fatores genéticos, também têm papel relevante.
VOCÊ SABIA? As doenças ocupacionais, embora descritas há mais de 2000 anos, emergiram como relevantes a partir da revolução industrial e o desenvolvimento do capitalismo, em que as condições de vida e trabalho de operários foram descritas em detalhes por Friedrich Engels, no livro A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, publicado em 1845. O primeiro relato abrangente das doenças respiratórias ocupacionais foi realizado em 1700, pelo médico Bernardino Ramazzini (1633-1714), com a publicação do livro De morbidus artificum diatriba. Foi Ramazzini o responsável por acrescentar na anamnese a pergunta: “Qual sua profissão?”, ainda hoje negligenciada em muitas avaliações.
As mais variadas ocupações, como mineração, metalúrgica, construção civil, entre outros, promovem exposição a poeiras, gases e fumos, que podem desencadear doenças respiratórias. No Brasil, estima-se que haja mais de 100.000 mineiros, sendo que cerca de 4 milhões de trabalhadores são empregados na construção civil, desses 2 milhões estão potencialmente expostos a sílica, 20 mil na extração e manufatura de amianto e de 3 a 4 mil na produção de carvão. Considerando-se que as medidas de proteção respiratória ainda sejam precárias na grande maioria dessas atividades, pode-se inferir a quantidade de indivíduos com risco de adoecimento em decorrência dessas exposições.
Doenças Respiratórias Ocupacionais: Pneumoconiose
As pneumoconioses são doenças resultantes da inalação e deposição de poeiras minerais no parênquima pulmonar e da consequente reação tissular a essas partículas com um período de latência longo.
As pneumoconioses podem ser classificadas em fibrogênicas, relacionadas com a exposição à sílica, asbesto, carvão e poeira mista; e não fibrogênicas, em grande parte, causadas pela inalação de poeiras metálicas a partir de fumos metálicos e poeiras de sais inorgânicos, sendo menos frequentes e de repercussões estruturais e funcionais de menor intensidade.
SE LIGA! As pneumoconioses são doenças que devem ser notificadas ao INSS quando diagnosticadas, independentemente de o segurado apresentar limitação funcional.
Doenças Respiratórias Ocupacionais: Silicose
Silicose é uma pneumoconiose decorrente da inalação de poeira contendo sílica livre cristalina em sua fração respirável e consequente reação tissular caracterizada por fibrose pulmonar.
A sílica ou dióxido de silício existe na natureza nas formas amorfa e cristalina. A forma amorfa é encontrada em rochas vulcânicas vitrificadas, nas terras diatomáceas e em produtos feitos pelo homem, como vidro e lã de vidro.
É muito menos tóxica do que a cristalina. As formas cristalinas são representadas principalmente pelo quartzo, tridimita e pela cristobalita, que têm origem no quartzo ou na forma amorfa da sílica, submetidos a elevada pressão ou aquecidos a altas temperaturas.
O desenvolvimento da silicose está relacionado ao tamanho da partícula, tempo e concentração da exposição, tipo de sílica cristalina e a suscetibilidade individual. Atividades de jateamento de areia, moagem, perfuração de rocha e produção de vidro estão associadas a partículas de sílica recém-fragmentada, tornando-as altamente tóxicas, com intenso potencial oxidativo em razão da exposição de cargas de superfície dessas partículas.
A exposição a sílica pode estar relacionada também com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doenças do colágeno, câncer de pulmão, doença renal crônica, tuberculose e micoses.
Epidemiologia
A silicose é a pneumoconiose mais prevalente e incapacitante no mundo e no Brasil. Embora em queda, em 2013, as estimativas globais revelaram que quase 6 milhões de trabalhadores são expostos e 46,3 mil morreram em decorrência da doença.
Fisiopatologia
As partículas maiores do que 10 μm de diâmetro ficam aderidas na via aérea superior, já as partículas com 0,5 a 5 μm depositam-se nos alvéolos e são patogênicas. A sílica cristalina apresenta a capacidade de interagir com o meio aquoso, gerar radicais livres e ferir as células pulmonares alvo, como macrófagos alveolares.
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