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Doenças do Pericárdio: definições, epidemiologias e mais

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Conheça as principais doenças do pericárdio, as epidemiologias e informações valiosas para a abordagem ao seu paciente. Bons estudos!

A doença do pericárdico pode representar o risco à vida do paciente. Por isso, conhecer essas patologias faz parte de uma assistência bem realizada ao paciente. 

Pericárdio: o que é?

O pericárdio consiste na membrana relativamente avascular e fibrosa que recobre o coração e as raízes de vasos sanguíneos conectados a ele. 

Sua composição consiste em duas camadas: uma camada externa fibrosa e uma camada interna serosa. A camada fibrosa é mais externa e densa, servindo como uma proteção para o coração. A serosa, por sua vez, é interna, composta pela camada visceral e parietal. 

The pericardium is a double-walled sac that encloses the heart. Between the  visceral and parietal … | Pericardial effusion, Medical school essentials,  Heart anatomy
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Entre essas duas camadas, encontra-se um espaço virtual, contendo uma quantidade pequena de fluido pericárdico. Esse fluido é responsável por lubrificar essas camadas, permitindo o seu movimento uma sobre a outra. Com isso, os batimentos cardíacos são possíveis. 

Ao mesmo tempo que o pericárdio permite o movimento de batimentos cardíacos, limita uma expansão excessiva do mesmo. Assim, mantém um funcionamento adequado do órgão, permitindo movimentos suaves e suficientes. 

Doenças do Pericárdio: entenda do que se trata e sua epidemiologia

As doenças do pericárdio são condições quaisquer que afetam essa dupla membrana.

Elas podem ser várias, distinguindo também quanto às causas que levam ao prejuízo do pericárdio. As mais comuns e dispostas aqui são: 

  • Pericardite aguda;
  • Derrame pericárico;
  • Pericardite contritiva;
  • Fibrose pericárdica. 

A pericardite aguda é a forma mais comum da doença, com uma incidência estimada de 27 a 43 casos por 100.000 pessoas por ano nos Estados Unidos. Essa taxa pode variar, a depender de condições associadas, como doenças autoimunes. Como exemplo, pessoas com lúpus chegam a apresentar cerca de 3 a 10% de taxa de doenças pericárdicas. 

Pensando na pericardite constrictiva, a incidência é bem menor. Em geral, apresenta uma taxa de 0,2 a 0,4 casos por 100.000 pessoas a cada ano. 

Principais etiologias para as doenças do pericárdio

As principais etiologias são as infecciosas, com ênfase nas virais e bacterianas. Dentre as virais, que no geral não costumam ser identificadas à princípio, temos: 

  • Enterovírus;
  • Hepatite B;
  • Mononucleose;
  • Varicela;
  • Coxsackie;
  • Echovirus.

Comumente a suspeita é levantada quando ocorre na ausência de outros fatores, ainda que possa ser precedida de um quadro respiratório viral.

Quanto às etiologias bacterianas. a tuberculose é uma causa bacteriana importante a ser lembrada. Ela pode se apresentar como pericardite aguda e como pericardite constritiva. Muitas vezes, as infecções bacterianas ocorrem no período pós-operatório. As manifestações clínicas principais incluem febre, calafrios, sudorese noturna, dispneia, dor pleurítica e atrito pericárdico.

As etiologias micóticas, como histoplasmose, candidíase, paracoccidioidomicose também podem ser vistas. Quanto às parasitárias, o toxoplasma, amebíase e esquistossomose são as mais comuns.

Dentre as causas cardiovasculares, tem-se que a mais comum é aquela que ocorre após cirurgias cardíacas, sendo a Síndrome de Dressler uma pericardite pós-IAM, ocorrendo após cerca de quatro semanas do infarto, decorrente da liberação de proteínas do músculo cardíaco que desencadeiam uma resposta autoimune, podendo ser associada a sinais de inflamação sistêmica, como febre e polisserosite.

Pericardite aguda: uma das principais doenças do pericárdio

A pericardite aguda consiste em um quadro inflamatório dessa membrana de forma repentina. 

É responsável por cerca de 5% das causas de dor torácica de etiologia não isquêmica nas emergências, podendo acometer indivíduos de todas as idades, independentemente do sexo.

Causas da pericardite aguda

Várias são as causas possíveis de uma pericardite aguda, como uma infecção viral ou bacteriana

Outras causas possíveis são o infarto, uma lesão torácica e, como citamos, alguma doença autoimune que acompanha o paciente. Por esse motivo, o tratamento da pericardite depende da causa base, sendo ela o foco do tratamento. 

Sintomas da pericardite aguda 

Os sintomas da pericardite aguda depende da causa base da doença. De maneira geral, inclui: 

  • Fadiga;
  • Tosse;
  • Palpitações;
  • Febre;
  • Dor no peito. 

Outro sintoma comum, em casos mais graves, é o edema em pernas ou pés. Como vemos, esses sintomas se assemelham aos de outras condições cardíacas, como infarto. Assim, é importante procurar o atendimento médico na suspeita de uma emergência. 

Derrame pericárdico: entenda essa doença do pericárdio

O derrame pericárdico ocorre no acúmulo excessivo de líquido entre os folhetos do pericárdio. 

A natureza do líquido não é o que define o derrame, embora muitos pensem que se trata apenas de sangue livre. No entanto, tanto o sangue quando o pus, linfa ou um fluido misto pode se acumular e configurar derrame pericárdico. Apesar disso, o sangue é sim o fluido mais comumente encontrado nessa condição. 

À medida que o líquido se acumula, o pericárdio se expande e pode comprimir o coração, dificultando seu funcionamento normal. Em vista disso, os sintomas mais presentes nessa doença do pericárdio é: 

  • Bulhas cardíacas abafadas;
  • Estase de jugular;
  • Sinais de choque, em casos mais graves.

O acúmulo de líquido na cavidade pericárdica em relação a pressão que este exerce sobre o coração irá depender sobretudo da velocidade com que este se acumula.

O acúmulo lento faz com que haja maior espaço de tempo para que o limite de estiramento pericárdico seja alcançado mais tardiamente, de modo que há possibilidade de um acúmulo de líquido maior em maior tempo até que se gere uma pressão suficiente para causar um tamponamento e demais sintomas.

Nos casos de efusão rápida, como uremia e causas metastáticas, causam rápido acúmulo de líquido e rápido aumento de pressão na cavidade pericárdica.

Como exemplo, um hemopericárdio decorrente de trauma ou dissecção, cujo acúmulo é rápido, pode cursar com quadro de tamponamento com cerca de 100 a 200mL de coleção. Enquanto isso, derrames que se desenvolvem de modo mais insidioso podem permitir o gradual estiramento do pericárdio, levando a derrames pouco sintomáticos ou até mesmo assintomáticos, com conteúdo de cerca de 1500mL.

Pericardite constritiva: o que é?

A pericardite constritiva é uma condição rara. Nesse caso, o pericárdio se torna espesso e rígido, o que compromete a dinâmica cardíaca. 

Inflamações recorrentes do pericárdio podem trazer um agravamento com o tempo, no qual a membrana serosa acaba por se calcificar ou por fibrosar, limitando a contração do coração, bem como podendo aderir ao pericárdio.

De maneira geral, essa patologia costuma ser o resultado de um processo crônico, uma inflamação prolongada do pericárdio, resultado de infecções, doenças autoimunes ou mesmo radioterapia. 

Os sintomas que representam a pericardite constritiva incluem muitos dos que já vimos anteriormente, como: 

  • Palpitações;
  • Dor no peito;
  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Edema em pernas e adbômen. 

Perceba que a repetição dos sinais e sintomas clínicos ratifica a importância de que uma unidade de saúde seja procurada imediatamente ao início do quadro. Por isso, exames de imagem são necessários para diagnosticar, de fato, de qual doença do pericárdio se trata.

O prognóstico da pericardite constritiva varia, uma vez que se liga à causa base da doença. Somente após o diagnóstico e identificada essa causa é que o tratamento se inicia, mas de preferência, o mais breve possível.

De maneira geral, quando feito precocemente auxilia na qualidade de vida e melhora dos sintomas do paciente. No entanto, em casos mais graves, a pericardite constritiva pode levar a insuficiência cardíaca e outras complicações. Por isso, é importante procurar atendimento médico imediato se houver suspeita de pericardite constritiva. 

Diagnóstico diferencial entre as doenças do pericárdio

O diagnóstico diferencial é importante na avaliação de pacientes com suspeita de doenças do pericárdio, pois os sintomas podem ser semelhantes e pode haver sobreposição entre as doenças. Algumas doenças do coração que se assemelham ao quadro são: 

  • Infarto agudo do miocárdio (IAM): pode causar dor no peito semelhante à pericardite aguda, mas o IAM é caracterizado por uma dor mais intensa e prolongada, além de alterações nos exames cardíacos.
  • Embolia pulmonar: pode causar dor no peito e falta de ar, semelhante à pericardite aguda, mas a embolia pulmonar é acompanhada por outros sintomas, como tosse, expectoração e dor nas pernas.
  • Pneumotórax: pode causar dor no peito e falta de ar semelhantes à pericardite aguda, mas o pneumotórax é caracterizado por uma dor súbita e aguda no peito, além de outros sinais e sintomas, como falta de ar, tosse seca e cianose.
  • Angina pectoris: pode causar dor no peito semelhante à pericardite aguda, mas a angina pectoris é caracterizada por uma dor em aperto ou queimação no peito, geralmente desencadeada pelo esforço físico ou estresse emocional.
  • Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE): pode causar dor no peito semelhante à pericardite aguda, mas a dor é geralmente causada pelo refluxo ácido e pode ser aliviada com antiácidos.
  • Ansiedade ou ataque de pânico: pode causar sintomas semelhantes aos da pericardite aguda, incluindo dor no peito, falta de ar e palpitações, mas esses sintomas são geralmente desencadeados por estresse emocional ou psicológico.

O diagnóstico diferencial adequado é fundamental para o tratamento correto das doenças do pericárdio e para evitar complicações. Portanto, um diagnóstico preciso deve ser realizado com base nos sintomas clínicos, exames físicos e exames laboratoriais e de imagem.

Prognóstico geral das doenças do pericárdio: o que esperar?

De maneira geral, o prognóstico das doenças do pericárdio estão relacionadas ao quão cedo a abordagem ao paciente foi feita. 

A pericardite aguda geralmente tem um bom prognóstico, com a maioria dos pacientes se recuperando completamente com tratamento adequado. No entanto, se não for tratada adequadamente, pode levar a complicações como derrame pericárdico, tamponamento cardíaco e pericardite constritiva.

Por outro lado, a pericardite constritiva pode apresentar-se mais desfavorável ao longo do tempo. Nesses casos, podem ser necessárias uma pericardiectomia, remoção cirúrgica do pericárdio. No entanto, a morbimortalidade associada à essa cirurgia são significativas. 

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Perguntas frequentes

  1. Quais são os principais sintomas das doenças do pericárdio e como elas são diagnosticadas?
    Falta de ar, fadiga e dor no peito costumam ser os sintomas mais comuns das doenças do pericárdio.
  2. Como é feito o diagnóstico de doenças do pericárdio?
    O diagnóstico geralmente exige exames de imagem, como USG Fast. Os tratamentos dependem da causa base da doença do pericárdio em questão.
  3. Qual é o prognóstico das doenças do pericárdio?
    O prognóstico varia a depender do quão cedo a condição foi tratada. Em geral, a pericardite aguda tem excelente prognóstico, diferente da pericardite constritiva.

Referências

  1. Etiology of pericardial disease. Brian D Hoit, MD. UpToDate
  2. Acute pericarditis: Clinical presentation and diagnosis. Massimo Imazio, MD, FESC, FHFA. UpToDate
  3. Doenças do Pericárdio. Dr. Juan Bono. INCOR.

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