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Doenças da Pleura: Epidemiologia e Fisiopatologia

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A pleura  é  uma  fina  membrana  que  cobre  a  superfície  interna  da  cavidade torácica e é  formada por uma camada de células mesoteliais sustentada por uma rede de tecido fibroelástico e conectivo.

Pode ser dividida em pleura visceral, a qual recobre  os  pulmões  e  todas  as  fissuras,  e pleura  parietal,  que  recobre  a  caixa torácica, o diafragma e as cavidades mediastinais.

Sob condições normais, ambas são separadas por uma fina camada de líquido lubrificante que transmite as forças respiratórias  entre  o  pulmão  e  a  parede  torácica. 

Quando  há  uma  quantidade anormal de líquido acumulada nesse espaço, tem-se um derrame pleural. Se houver acúmulo de ar nesse sítio, chama-se pneumotórax

Epidemiologia

A frequência geral de derrame pleural  em uma radiografia de tórax varia de 0,3% a 1%,porém este valor muda bastante de acordo com a doença de base. Esses ocorrem  mais  comumente  em  pacientes  como pneumonia ou  com insuficiência cardíaca. Estima-se que em países industrializados a prevalência seja de 320 casos a cada 100.000 habitantes.

 O entendimento geral
é de que não há diferença entre sexos na incidência de derrame pleural, apesar
de que certas etiologias apresentam predileção entre sexos. A epidemiologia do
pneumotórax varia bastante de acordo com a classificação do mesmo.
Frequentemente está associada com trauma contundente ou penetrante ou com
causas iatrogênicas como o  uso de
ventilação  mecânica e cateter central.

Pneumotórax   também   pode   ocorrer espontaneamente   ou   secundariamente   a doenças  de  base  pulmonar  como enfisema,  fibrose  cística,  fibrose  pulmonar,  e endometriose. Habitualmente, pneumotórax  espontâneo  ocorre  em  homens  altos, jovens  e  magros e  acredita-se  que  seja  por  conta  da  ruptura  de  bolhas  apicais preexistentes.

Fisiopatologia

O movimento do líquido através das membranas da pleura é
governado pela lei de  Starling,  o 
que  sugere  que  o
fluxo  de 
líquido  é  controlado 
pelo  equilíbrio  das pressões oncóticas  e 
hidrostáticas  dentro  dos 
capilares  e  do 
espaço  pleural. 

O equilíbrio dessas forças favorece a reabsorção do líquido através da pleura visceral,mas  a  maior  parte  da  reabsorção  ocorre  via  linfáticos  da  pleura  parietal,  já  que  a proteína  que  penetra  o  espaço  pleural  não  pode  penetrar  os  capilares  viscerais.

Outros fatores também afetam a homeostase pleural, como:

  • a gravidade,
  • a viscosidade do líquido pleural
  • a espessura da membrana pleural,
  • a distribuição dos locais de drenagem linfática ao longo da pleura parietal.

Um  pequeno  desequilíbrio  entre  a  absorção  e  o  acúmulo  de  líquido  pleural causará um derrame pleural. Entre os mecanismos para esse desequilíbrio temos:

  • Pressão hidrostática aumentada
  • Pressão intrapleural negativa aumentada
  • Permeabilidade capilar aumentada
  • Pressão oncótica plasmática diminuída
  • Drenagem linfática diminuída ou interrompida

Um aumento  da 
pressão  hidrostática(como  visto 
na  insuficiência  cardíaca) 
ou diminuição   da  
pressão   oncótica   plasmática (como   hipoalbuminemia   severa) resultará   em  
um   acúmulo   de  
líquido   com baixa   concentração   de  
proteína, caracterizado como transudato.

Já mudanças na permeabilidade
da  membrana pleural pode produzir
coleções com alto  teor  de 
proteína,  chamado  exsudatos. 
Estes  são  comuns 
em  estados inflamatórios como na
pneumonia, tuberculose ou artrite reumatoide.

Os derrames  pleurais podem  ser  classificados  como benignos ou malignos.  A maioria dos benignos são transudatos e as principais etiologias são:

  • Insuficiência cardíaca
  • Cirrose
  • Síndrome nefrótica
  • Condições hipoalbuminêmicas
  • Retenção/sobrecarga de fluidos
  • Embolia pulmonares
  • Colapso lobar

Já  os derrames  malignos são  aqueles  que  apresentam citopatologia  positiva e em  sua  maioria  se  apresentam  como exsudatos.  Podem  ser  causados  ou  estar relacionados com:

  • neoplasias malignas (como carcinoma broncogênico e linfoma),
  • patologias infecciosas como tuberculose, ou outras causas bacterianas.
  • doença  vascular/do  colágeno  como  artrite  reumatoide  e  lúpus  eritematoso sistêmico
  • doenças   abdominais/gastrointestinal   como   em   casos   de   perfuração esofágica, abcesso subfrênico ou pancreatite.

Como   mencionado   anteriormente,   o pneumotórax pode   ocorrer  
de   forma espontânea,  isto 
é,  sem  história 
de  trauma  torácico, 
e  quando  não 
associado  a nenhuma  patologia 
pulmonar  e  recebe 
o nome  de pneumotórax  espontâneo primário. Estes geralmente ocorrem
por conta da ruptura de bolhas pleurais apicais(pequenos espaços císticos
localizados dentro ou diretamente sob a pleura visceral).

Acontecem quase que unicamente em fumantes e cerca de
50%  dos pacientes têm recidivas após o
primeiro episódio. Quando  
associado   a   alguma  
doença   pulmonar   preexistente,   chama-se pneumotórax  secundário. 
A  maioria  destes 
está  associada  a doença 
pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), porém quase todas doenças pulmonares
podem causar pneumotórax.

Um  pneumotórax  comprime  o  tecido  pulmonar  e  reduz  a  complacência  do pulmão, os volumes ventilatórios e a capacidade de difusão. Essas consequências dependem primariamente do tamanho do pneumotórax e das condições do pulmão subjacente.

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Referências

1.Townsend,  CM  et 
al.  Sabiston  Tratado 
de  Cirurgia. 18a  ed. 
Philadelphia:  Elsevier Saunders,
2010.

2.Longo,  DL  et 
al.  Harrison’s  Principles 
of  Internal  Medicine. 
19th  ed.  New 
York: McGraw-Hill, 2015.

3.Goldman, L.; Schafer, AI. Goldman’s Cecil Medicine. 25th
ed. Philadelphia: Elsevier Saunders, 2016.

4.McLatchie,  G.;  Borley 
N.;  Chikwe  J. 
Oxford  Handbook  of 
Clinical    Surgery.  4th 
ed. Oxford University Press, UK, 2013

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