Doenças cardiovasculares: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!
As doenças cardiovasculares representam um conjunto de condições que afetam o sistema cardiovascular, composto pelo coração e pelos vasos sanguíneos, e são uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo.
Essas enfermidades podem variar em gravidade e sintomas, indo desde quadros assintomáticos até emergências médicas que requerem intervenção imediata.
Epidemiologia das doenças cardiovasculares
As DC têm sido uma preocupação de saúde pública em escala global. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), essas enfermidades são responsáveis por aproximadamente 17,9 milhões de óbitos a cada ano. Esse número representa mais de 30% do total de mortes no mundo.
Países industrializados e em desenvolvimento enfrentam um aumento na prevalência dessas doenças devido a mudanças nos hábitos de vida e ao envelhecimento da população.
Fatores de risco para doenças cardiovasculares
Os fatores de risco para doenças coronarianas são condições, comportamentos ou características que aumentam a probabilidade de desenvolver problemas cardiovasculares, como a doença coronariana. Alguns desses fatores podem ser modificados através de mudanças no estilo de vida, enquanto outros são intrínsecos e não podem ser alterados. Abaixo estão os principais fatores de risco para doenças coronarianas:
- Idade: o risco de desenvolver doenças coronarianas aumenta com a idade. Homens acima de 45 anos e mulheres acima de 55 anos têm maior probabilidade de desenvolver a doença
- Histórico Familiar
- Sexo: homens têm um risco maior de desenvolver doenças coronarianas do que mulheres, especialmente antes da menopausa. No entanto, após a menopausa, o risco nas mulheres se iguala ou até ultrapassa o dos homens
- Tabagismo: o tabagismo danifica os vasos sanguíneos e aumenta a formação de placas de gordura nas artérias
- Hipertensão arterial: a pressão arterial elevada coloca uma tensão adicional nos vasos sanguíneos e no coração, aumentando o risco de doenças coronarianas
- Colesterol elevado: Níveis elevados de colesterol LDL no sangue podem levar à formação de placas de gordura nas artérias coronárias
- Diabetes: pessoas com diabetes têm um risco aumentado de doenças coronarianas devido ao impacto da doença nos vasos sanguíneos e ao risco de outros fatores de risco associados
- Obesidade e Sedentarismo: o excesso de peso e o estilo de vida sedentário estão associados a um maior risco de doenças coronarianas
Quais os principais tipos de doenças cardiovasculares?
Os principais tipos de doenças cardiovasculares incluem:
- Doença coronariana
- Acidente vascular cerebral
- Hipertensão arterial
- Insuficiência cardíaca
- Arritmias Cardíacas
- Doenças das Válvulas Cardíacas
Doença coronariana
É caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura e outras substâncias nas artérias coronárias, que fornecem sangue ao músculo cardíaco.
Assim, essa condição pode levar a angina (dor no peito) ou a um infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco) se a circulação sanguínea para o coração for significativamente comprometida.
Como fazer o diagnóstico de uma doença coronariana?
O diagnóstico da Doença Coronariana (DC) envolve uma avaliação cuidadosa do histórico médico, dos sintomas, dos fatores de risco bem como a realização de exames específicos.
Histórico e exame físico
Deverá ser realizada uma entrevista detalhada para obter informações sobre:
- Sintomas que o paciente está apresentando
- Histórico familiar
- Estilo de vida
- Hábitos de saúde
- Fatores de risco, como tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade e sedentarismo.
O exame físico pode fornecer pistas sobre a presença de doença coronariana, mas nem sempre é suficiente para confirmar o diagnóstico.
Eletrocardiograma (ECG)
O ECG é um exame não invasivo que registra a atividade elétrica do coração.
Ele pode mostrar padrões sugestivos de isquemia (falta de irrigação sanguínea) ou lesão miocárdica que ocorre durante um episódio de angina ou infarto agudo do miocárdio.
Teste ergométrico (Teste de esforço)
O teste ergométrico avalia a resposta do coração ao esforço físico. O paciente é monitorado enquanto realiza atividade física, geralmente em uma esteira ou bicicleta ergométrica.
Dessa forma, esse exame pode mostrar alterações no ECG durante o esforço, o que sugere falta de irrigação sanguínea adequada para o músculo cardíaco.
Manejo do paciente com doença coronariana
O tratamento dependerá da gravidade e extensão da doença, podendo incluir mudanças no estilo de vida, medicamentos além de procedimentos invasivos, como:
- Angioplastia coronariana
- Cirurgia de revascularização miocárdica (ponte de safena ou mamária).
Acidente Vascular Cerebral (AVC)
O AVC ocorre quando há um bloqueio ou ruptura de um vaso sanguíneo no cérebro, resultando em danos às células cerebrais.
Existem dois principais tipos de AVC:
- AVC isquêmico: representa a grande maioria dos casos de AVC, cerca de 85%. Ocorre quando um coágulo (trombo) ou êmbolo (coágulo deslocado) bloqueia uma artéria cerebral, interrompendo o fluxo sanguíneo bem como privando as células cerebrais de oxigênio e nutrientes. A falta de oxigênio leva à morte das células cerebrais na área afetada.
- AVC hemorrágico: representa cerca de 15% dos casos de AVC. Nesse tipo, ocorre a ruptura de um vaso sanguíneo no cérebro, levando ao extravasamento de sangue no tecido cerebral circundante. Dessa forma, o sangue acumulado aumenta a pressão intracraniana e danifica as células cerebrais próximas.
Manifestações clínicas de um paciente com AVC
Os sintomas do AVC variam dependendo da área do cérebro afetada e do tipo de AVC (isquêmico ou hemorrágico). Os principais sintomas incluem:
- Fraqueza súbita ou paralisia de um lado do corpo.
- Dificuldade repentina na fala ou compreensão da fala.
- Perda súbita de visão em um ou ambos os olhos.
- Tontura ou perda de equilíbrio e coordenação.
- Dor de cabeça súbita e intensa, especialmente no AVC hemorrágico.
Os sintomas do AVC geralmente se desenvolvem rapidamente e podem piorar progressivamente.
Como fazer o diagnóstico do AVC?
O diagnóstico do AVC envolve uma avaliação rápida e precisa dos sintomas, histórico médico e exames de imagem. Nesses casos, o objetivo é determinar se o AVC é isquêmico ou hemorrágico.
Dessa forma, o diagnóstico precoce é fundamental, pois o tratamento rápido pode minimizar os danos cerebrais e melhorar o prognóstico. Os principais exames a serem realizados são:
- Tomografia Computadorizada (TC) ou Ressonância Magnética (RM): é capaz de mostrar se há uma área do cérebro sem fluxo sanguíneo adequado, o que indica um AVC isquêmico, ou se há sangramento cerebral, indicando um AVC hemorrágico. A RM é mais sensível em detectar alterações cerebrais, mas pode levar mais tempo para ser realizada
- Angiografia Cerebral: Às vezes, é realizada para avaliar a vasculatura cerebral em casos específicos, como quando se suspeita de aneurismas ou malformações arteriovenosas (MAV) associadas ao AVC hemorrágico.
Manejo do paciente com AVC
O manejo de um paciente com AVC (Acidente Vascular Cerebral) é uma emergência médica que requer uma abordagem rápida e cuidadosa para minimizar os danos cerebrais bem como melhorar as chances de recuperação. Assim, o tratamento do AVC depende do tipo (isquêmico ou hemorrágico) e do tempo decorrido desde o início dos sintomas.
No tratamento AVC Isquêmico está incluído:
- Terapia trombolítica: se o paciente chegar ao hospital dentro de um prazo estabelecido após o início dos sintomas, pode ser elegível para receber terapia trombolítica intravenosa, como alteplase. Essa medicação pode dissolver o coágulo responsável pelo AVC e restaurar o fluxo sanguíneo no cérebro. Dessa forma, o uso da terapia trombolítica é restrito a determinadas condições e critérios para garantir a segurança do paciente.
- Trombectomia mecânica: em alguns casos, a trombectomia mecânica pode ser realizada. Esse procedimento envolve a remoção mecânica do coágulo através de um cateter guiado até o local do bloqueio na artéria cerebral.
- Controle da pressão arterial: manter a pressão arterial dentro de limites seguros é essencial para proteger o cérebro e evitar danos adicionais.
Hipertensão Arterial
A pressão arterial é determinada pela força que o coração exerce ao bombear o sangue pelas artérias e pela resistência oferecida pelos vasos sanguíneos.
Na hipertensão arterial, há um aumento persistente na pressão arterial, geralmente resultante de um desequilíbrio entre a quantidade de sangue bombeado pelo coração e a resistência oferecida pelos vasos sanguíneos.
As causas da hipertensão arterial podem variar e muitas vezes são multifatoriais. Alguns dos mecanismos envolvidos incluem:
- Estreitamento das artérias: as artérias podem se contrair ou tornarem-se mais rígidas, aumentando a resistência ao fluxo sanguíneo.
- Aumento do volume sanguíneo: o aumento do volume de sangue circulante pode aumentar a pressão arterial.
- Disfunção do sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAA): essa via hormonal regula a pressão arterial, e seu desequilíbrio pode contribuir para a hipertensão.
- Função impar do sistema nervoso: o sistema nervoso simpático, em situações de estresse crônico, pode contribuir para o aumento da pressão arterial.
Manifestações clínicas da hipertensão arterial
A hipertensão arterial é frequentemente assintomática, especialmente em estágios iniciais. Muitas pessoas podem ter pressão arterial elevada por anos sem perceber. Entretanto, a pressão arterial elevada pode causar danos progressivos aos vasos sanguíneos e órgãos, resultando em complicações ao longo do tempo.
Alguns sintomas e sinais associados à hipertensão arterial avançada incluem:
- Cefaleia
- Tontura e vertigem
- Visão turva ou alterações visuais
- Angina
- Dispneia
Como manejar um paciente com HAS?
O tratamento da hipertensão arterial tem como objetivo reduzir a pressão arterial e minimizar o risco de complicações cardiovasculares. O tratamento geralmente envolve uma combinação de mudanças no estilo de vida e medicamentos, conforme a gravidade da hipertensão. As principais abordagens de tratamento incluem:
- Estilo de vida saudável: inclui dieta balanceada (rica em frutas, vegetais, grãos integrais e baixa em sódio e gorduras saturadas), atividade física regular, controle do peso, limitação do consumo de álcool e abandono do tabagismo
- Medicamentos anti-hipertensivos: os medicamentos são usados para reduzir a pressão arterial e podem incluir diuréticos, inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), bloqueadores de receptores de angiotensina (BRA), bloqueadores de canal de cálcio, beta-bloqueadores, entre outros
- Monitoramento regular: pacientes com hipertensão arterial devem ser monitorados regularmente por um profissional de saúde para ajustar o tratamento bem como garantir a eficácia do controle da pressão arterial
Insuficiência Cardíaca
Nesta condição, o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender as necessidades do corpo.
Isso pode resultar de danos causados por um ataque cardíaco, hipertensão, doença coronariana ou outras causas.
Saiba tudo sobre essa doença no nosso artigo!
Arritmias Cardíacas
As arritmias cardíacas são alterações no ritmo normal dos batimentos cardíacos, podendo ser mais rápidas, mais lentas ou irregulares. Elas podem ocorrer em diferentes partes do coração e têm diversas causas.
Portanto, as arritmias cardíacas podem ser classificadas em dois grupos principais: bradicardias (ritmo cardíaco lento) e taquicardias (ritmo cardíaco rápido). Elas ocorrem devido a alterações na formação ou condução dos impulsos elétricos que controlam os batimentos cardíacos.
As causas das arritmias são variadas e podem incluir:
- Distúrbios na formação do impulso elétrico: quando a célula responsável por iniciar o ritmo cardíaco (nó sinoatrial) não funciona corretamente, podem surgir bradicardias ou taquicardias
- Distúrbios na condução do impulso elétrico: o impulso elétrico não é transmitido de forma adequada entre as diferentes partes do coração, podem ocorrer arritmias
- Doenças cardíacas: infarto do miocárdio, cardiomiopatias, doenças das válvulas cardíacas e outras condições cardíacas podem levar ao desenvolvimento de arritmias
- Fatores externos: estresse, uso de drogas ou medicamentos, consumo excessivo de cafeína ou álcool também podem desencadear arritmias em algumas pessoas
Sintomas das arritmias
Os sintomas das arritmias cardíacas podem variar dependendo do tipo de arritmia e da sua gravidade. Alguns dos sintomas comuns incluem:
- Palpitações
- Tontura ou desmaio
- Dispneia
- Dor ou desconforto no peito: pode ocorrer em algumas arritmias, especialmente quando há uma redução significativa do fluxo sanguíneo para o coração
Como manejar um paciente com arritmia?
O tratamento das arritmias cardíacas dependerá do tipo e gravidade da arritmia, bem como das condições clínicas individuais do paciente. Algumas opções de tratamento incluem:
- Observação e monitoramento
- Medicamentos Antiarrítmicos: são utilizados para controlar os batimentos cardíacos e manter o ritmo normal do coração
- Cardioversão: é um procedimento em que um choque elétrico é aplicado no peito do paciente para restaurar o ritmo cardíaco normal em arritmias específicas
- Ablação por cateter: é um procedimento em que um cateter é inserido em um vaso sanguíneo e guiado até o coração para identificar e destruir as células responsáveis pela arritmia.
- Implante de marcapasso ou desfibrilador cardioversor implantável (CDI): Em casos de bradicardias graves, o marcapasso pode ser implantado para regular os batimentos cardíacos. Além disso, o CDI é utilizado em pacientes com risco de morte súbita devido a arritmias potencialmente letais.
Doenças das válvulas cardíacas
As válvulas cardíacas são estruturas que atuam como portas unidirecionais no coração, permitindo que o sangue flua em uma única direção e evitando o refluxo. As principais doenças das válvulas cardíacas incluem:
- Estenose valvar
- Insuficiência Valvar
- Prolapso Valvar
Principais manifestações clínicas
Os sintomas das doenças das válvulas cardíacas variam dependendo do tipo de doença e da gravidade da lesão valvar. Alguns dos sintomas comuns incluem:
- Dispneia
- Fadiga
- Palpitações
- Edema nas pernas, tornozelos ou abdômen, devido ao acúmulo de fluidos no corpo
- Dor ou desconforto no peito
Diagnóstico das doenças das válvulas cardíacas:
O diagnóstico das doenças das válvulas cardíacas pode envolver uma série de exames, incluindo:
- Ausculta cardíaca: é possível detectar sopros cardíacos
- Ecocardiograma: permite avaliar as válvulas, para avaliar sua anatomia e função
- Ecocardiografia transesofágica: quando necessário, insere-se um transdutor de ultrassom na garganta do paciente para obter imagens mais detalhadas do coração
- Radiografia de tórax: utilizada para avaliar o tamanho do coração e verificar se há sinais de insuficiência cardíaca
Tratamento das doenças das válvulas cardíacas
O tratamento das doenças das válvulas cardíacas dependerá do tipo de lesão e de sua gravidade. Algumas opções de tratamento incluem:
- Tratamento conservador: em casos leves, o tratamento pode ser baseado no controle de sintomas e monitoramento regular
- Medicamentos: pser usados para reduzir a pressão arterial, diminuir a sobrecarga do coração e controlar os sintomas
- Cirurgia valvar: em casos graves de estenose ou insuficiência valvar, a cirurgia de reparo ou substituição da válvula pode ser necessária.
- Implante de válvula transcateter: para pacientes com alto risco cirúrgico, a substituição valvar pode ser realizada através de um cateterismo.
Doenças cardíacas congênitas
As doenças cardíacas congênitas são alterações estruturais no coração que estão presentes desde o nascimento. Assim, elas ocorrem durante o desenvolvimento do coração fetal, resultando em malformações que podem afetar a anatomia e/ou a função cardíaca.
Além disso, as doenças cardíacas congênitas variam em gravidade, podendo ser leves e assintomáticas ou graves e com risco de vida.
A fisiopatologia das doenças cardíacas congênitas depende do tipo específico de malformação presente. Algumas das condições congênitas mais comuns incluem:
- Comunicação interatrial ou interventricular: são malformações que resultam em aberturas entre as câmaras do coração, permitindo o fluxo sanguíneo entre elas. Isso pode causar sobrecarga de volume no coração
- Estenose ou atresia das válvulas cardíacas: são malformações que resultam em estreitamento ou ausência de uma ou mais válvulas cardíacas, o que pode dificultar o fluxo sanguíneo
- Transposição das grandes artérias: é uma malformação em que as artérias principais que saem do coração (aorta e artéria pulmonar) estão posicionadas de forma invertida, causando uma circulação sanguínea inadequada
- Tetralogia de Fallot: É uma doença complexa que inclui várias malformações cardíacas, resultando em mistura de sangue venoso e arterial e níveis baixos de oxigênio no corpo
Sintomas das doenças cardíacas congênitas:
Os sintomas das doenças cardíacas congênitas variam dependendo do tipo e gravidade da malformação. Alguns dos sintomas comuns incluem:
- Cianose
- Dispneia
- Fadiga
- Palpitações
- Desenvolvimento físico insuficiente
Como fazer o diagnóstico das doenças cardíacas congênitas?
Pode-se realizar o diagnóstico das doenças cardíacas congênitas antes ou logo após o nascimento, ou em algumas situações, somente na infância ou idade adulta, dependendo da gravidade da malformação e dos sintomas apresentados.
Alguns dos exames utilizados para diagnosticar doenças cardíacas congênitas incluem:
- Ecocardiograma
- Eletrocardiograma (ECG)
- Radiografia de tórax
- Cateterismo cardíaco: procedimento invasivo em que um cateter é inserido em um vaso sanguíneo e guiado até o coração para avaliar a anatomia e medir as pressões cardíacas.
Tratamento
O tratamento das doenças cardíacas congênitas dependerá do tipo e gravidade da malformação, bem como das condições clínicas do paciente. Algumas opções de tratamento incluem:
- Tratamento medicamentoso: em alguns casos, pode-se utilizar medicamentos para controlar os sintomas e melhorar a função cardíaca
- Cirurgia cardíaca: algumas malformações cardíacas requerem cirurgia para corrigir a anatomia e restaurar a função cardíaca normal
- Intervenção por cateter: pode-se realizar alguns procedimentos por cateterismo cardíaco, evitando a necessidade de cirurgia aberta em alguns casos
- Transplante cardíaco: em casos graves e não tratáveis, um transplante cardíaco pode ser considerado como opção de tratamento
Miocardite
A miocardite é uma inflamação do miocárdio, a camada muscular do coração. Essa condição pode ser causada por infecções virais, bacterianas, fúngicas ou parasitárias, bem como por reações imunológicas anormais.
A miocardite geralmente ocorre como resultado de uma infecção viral, sendo os vírus mais comuns responsáveis por essa condição o vírus da gripe, adenovírus, parvovírus B19 e citomegalovírus. O sistema imunológico responde à infecção causando uma reação inflamatória no miocárdio.
Assim, a inflamação pode enfraquecer o músculo cardíaco, causar danos nas células cardíacas e levar à disfunção ventricular. Além disso, em casos graves, pode ocorrer dilatação do coração (cardiomiopatia) e insuficiência cardíaca congestiva.
Sintomas das miocardites
Os sintomas da miocardite podem variar dependendo da gravidade da inflamação e do comprometimento cardíaco. Alguns dos sintomas comuns incluem:
- Angina
- Dispneia
- Fadiga
- Palpitações
- Edema
- Sintomas semelhantes à gripe: febre, dores musculares, dor de garganta e outros sintomas semelhantes à gripe podem ocorrer em casos de miocardite viral
Manejo do paciente com miocardite
O tratamento da miocardite dependerá da gravidade da inflamação e da presença de complicações. Algumas opções de tratamento incluem:
- Repouso
- Medicamentos: anti-inflamatórios e medicamentos imunossupressores podem ser prescritos para controlar a inflamação
- Tratamento de suporte: para pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, podem ser necessários medicamentos para melhorar a função cardíaca e reduzir os sintomas.
- Monitoramento cardíaco
- Implante de Dispositivo: em alguns casos graves, como arritmias ou bloqueios cardíacos, pode ser necessário o implante de um marcapasso ou desfibrilador cardioversor implantável (CDI)
- Transplante Cardíaco: em casos muito graves de miocardite com insuficiência cardíaca avançada, um transplante cardíaco pode ser considerado como última opção de tratamento
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Referência bibliográfica
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