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Doença rara: o que é a Síndrome de Cri Du Chat? | Colunistas

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A Síndrome de Cri Du Chat (CDC) ou Monossomia 5p é uma doença rara que incide em 1 a cada 15.000 a 50.000 nascidos vivos, com um predomínio maior no sexo feminino. Embora seja considerado raro, é uma das cromossomopatias mais comuns. O nome da síndrome é atribuído a um dos sintomas apresentados nesses pacientes desde o período neonatal: o choro agudo e monótono assemelhando-se ao de um gato (cri du chat) – ocasionado pela alteração anatômica da morfologia laríngea (epiglote pequena e flexível, hipoplasia da laringe, laringe estreita ou em formato de diamante, espaço aéreo anormal na área posterior durante a fonação). Além dessa característica, é associada a deficiência intelectual, atraso de desenvolvimento, microcefalia e dismorfismo facial. 

Etiologia

A síndrome é o resultado de uma deleção parcial ou total do braço curto do cromossomo 5, com a região crítica na localização entre 5p15.2 e 5p15.3. O tamanho da exclusão varia de 0,5 a 40 Mb. A maioria das deleções são terminais (80-90%), mas podem ser intersticiais (3-5%) ou por uma translocação desequilibrada. Na maioria, a exclusão é um evento de novo. Em 80% dos casos é devido a um acidente genético aleatório e só em 20% dos pacientes é por uma herança de uma falha genética de um dos pais. Mosaicismo, inversões e cromossomos em anel são menos comuns.

Quadro clínico

A manifestação da síndrome pode ser encontrada desde o período neonatal. Abaixo são citadas as características apresentadas com maior frequência entre as crianças com CDC. Vale lembrar que a intensidade da manifestação de cada uma é muito particular e varia de paciente para paciente. Os sintomas nessas crianças com a síndrome serão encontrados com maior ou menor incidência ou até mesmo só terão uma parte deles.

Período neonatal:

  • Choro agudo e monótono que geralmente desaparece nos primeiros meses de vida;
  • Baixo peso ao nascer;
  • Microcefalia;
  • Asfixia;
  • Hipotonia;
  • Sucção prejudicada.

Malformações craniofaciais:

  • Microcefalia
  • Face da lua
  • Hipertelorismo
  • Dobras epicânticas proeminentes
  • Ponte nasal grande
  • Cantos da boca voltados para baixo
  • Filtro curto
  • Cabelo grisalho prematuro
  • Vincos de flexão transversal anormais

Com o aumento da idade, observa-se:

  • Hipotonia do período neonatal substituída por hipertonia
  • Microcefalia proeminente
  • Arco supraorbital proeminente
  • Má oclusão dentária
  • Face da lua muda para uma face vertical mais estreita

Características orofaciais:

  • Palato alto
  • Microrretrognatia mandibular
  • Hipoplasia do esmalte
  • Periodontite crônica

Características de desenvolvimento e comportamental:

  • Hiperatividade
  • Comportamento autolesivo
  • Movimentos repetitivos
  • Personalidade gentil
  • Apego obsessivo a objetos
  • Compreendem a fala melhor do que a sua capacidade de expressar-se ou comunicar-se

Outras características:

  • Hipersensibilidade ao som
  • Distúrbios cardíacos, como cardiopatia congênita
  • Hemangioma cutâneo
  • Alguma patologia renal

Avaliação e diagnóstico 

No período antenatal, a síndrome CDC pode ser diagnóstica por amostragem de vilosidades coriônicas ou amniocentese, com cariótipo, análise de FISH ou CMA revelando a deleção da região crítica no cromossomo 5p.  Embora as características estruturais alteradas possam ser identificadas na ultrassonografia, como microcefalia e hipoplasia cerebelar, alguns ultrassons podem ser normais.O teste pré-natal não invasivo (NIPT) é disponível em certos países como um método de triagem para algumas síndromes de microdeleção, incluindo a síndrome CDC. Nas famílias com uma translocação já conhecida que envolve o 5p, o teste genético pré-implantação para rearranjo estrutural cromossômico (PGT-SR) é uma alternativa possível.

Já, no período pós-natal, a sintomatologia citada acima presente no recém-nascido leva a suspeita de CRC. Contudo, como nesses pacientes há variação citogenética desencadeando uma variação fenotípica, o diagnóstico pode ser difícil devido às características não serem tão perceptíveis.

Na suspeita, o primeiro exame a ser solicitado é a análise do cariótipo. Se o resultado vier normal, porém existe uma grande suspeição clínica, pode-se pedir alguns exames específicos, como o FISH, o CGH (hibridização genômica comparativa) ou o PCR quantitativo (reação em cadeia da polimerase).

Diagnósticos diferenciais

São considerados diagnósticos diferencias para CDC:

  • Síndrome de Patau
  • Síndrome de Wolf-Hirschhorn
  • Múltiplas anomalias congênitas
  • Outras síndromes de monossomia ou trissomia autossômica

Complicações 

As complicações mais comuns são:

  • Dificuldades intelectuais
  • Dificuldades auditivas ou visuais
  • Defeitos cardíacos, renais ou de outros órgãos
  • Escoliose
  • Tônus muscular alterado

Aconselhamento genético

O aconselhamento genético inclui a comunicação de risco de recorrência, com orientação familiar e supervisão antecipada para complicações comuns.  

Recomenda-se que os pais da criança sejam testados com o objetivo de descartar uma translocação equilibrada. O risco de recorrência de uma deleção de novo é desprezível. 

Tratamento e Prognóstico

Não existe um tratamento específico para CDC pelo dano cerebral precoce já no desenvolvimento embrionário. Entretanto, há um benefício enorme para os pacientes na reabilitação precoce, com um melhor prognóstico e boa adaptação social. A fisioterapia é uma grande aliada desde o período neonatal, pois ajuda na dificuldade de deglutição e sucção. A amamentação nesse momento é algo possível. Além da fisioterapia, a terapia ocupacional e a fonoaudiologia são parceiras para um melhor desenvolvimento da criança. Como geralmente a síndrome CDC apresenta-se com surdez neurossensorial, um exame audiométrico com avaliação é recomendado. Introduzir precocemente formas de comunicação devem ser consideradas, pois essas crianças geralmente são capazes de aprender e reter mais informações do que conseguirão expressar. É recomendado um check-up periódico com avaliação otorrinolaringológica, oftalmológica e odontológica.

A mortalidade das crianças com CDC é de 10%, sendo que 75 a 90% dos pacientes morrem no primeiro ano de vida.  O diagnóstico precoce é fundamental, pois influencia extremamente o prognóstico, já que a detecção precoce permite implementação imediata de reabilitação, melhorando o desenvolvimento físico e psicossocial e, consequentemente, a qualidade de vida. É muito importante ressaltar que se deve respeitar as individualidades das crianças com Síndrome de Cri Du Chat, não comparando com outras crianças típicas ou portadoras na mesma faixa etária. 

Autora: Amanda Wilceki

Instagram: @amandawilceki


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

Orphanet https://www.orpha.net/

Associação Brasileira da Síndrome Cri Du Chat https://criduchatbrasil.com/ 

Síndrome de Cerruti Mainardi P. Cri du Chat. Orphanet J Rare Dis. 05 de setembro de 2006; 1 : 33.

Rodríguez-Caballero A, Torres-Lagares D, Rodríguez-Pérez A, Serrera-Figallo MA, Hernández-Guisado JM, Machuca-Portillo G. Síndrome de Cri du chat: uma revisão crítica. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 01 de maio de 2010; 15 (3): e473-8.

Corrêa T, Feltes BC, Riegel M. Análise integrada da região crítica 5p15.3-p15.2 associada à síndrome de cri-du-chat. Genet Mol Biol. 2019; 42 (1 supl. 1): 186-196. 

Liverani ME, Spano A, Danesino C, Malacarne M, Cavani S, Spunton M, Guala A. Crianças e adultos afetados pela síndrome de Cri du Chat: recomendações de cuidados. Pediatr Rep. 2019, 26 de fevereiro; 11 (1): 7839.

Vado Y, Errea-Dorronsoro J, Llano-Rivas I, Gorria N, Pereda A, Gener B, Garcia-Naveda L, Perez de Nanclares G. A síndrome de Cri-du-chat imita a síndrome de Silver-Russell dependendo do tamanho da deleção : um relato de caso. BMC Med Genomics. 27 de dezembro de 2018; 11 (1): 124. 

Méndez-Rosado LA, García D, Molina-Gamboa O, García A, de León N, Lantigua-Cruz A, Liehr T. Algoritmo para o diagnóstico de pacientes com distúrbios do neurodesenvolvimento e suspeita de síndrome genética. Arch Argent Pediatr. Fevereiro de 2020; 118 (1): 52-55.

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