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Doença hepática gordurosa não alcoólica (dhgna) | Colunistas

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Aspectos gerais

A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), popularmente chamada de “gordura no fígado”, é caracterizada pela presença de esteatose hepática. Isso é, não há causas secundárias para o acúmulo de gordura no tecido hepático, como no caso do alcoolismo, por exemplo. Apesar disso, a DHGNA, se não tratada, pode também evoluir para o quadro de cirrose. É importante diferenciar que essa patologia pode se apresentar ainda de duas maneiras: o Fígado gorduroso não alcoólico (NAFL), onde não há evidência de inflamação nesse tecido ou se trata de inflamação não significativa e a Esteato-hepatite não alcoólica (NASH), que apresenta inflamação importante do tecido hepático.

Figura 1: Dados epidemiológicos e curiosidades sobre a DHGNA. Fonte: Arquivo pessoal de Lara T. F. S. Honório @medcandoo

Fisiopatologia

Resistência à insulina, provocando aumento de lipólise periférica e diminuição da beta-oxidação mitocondrial, que reflete no aumento da biossíntese de triglicerídeos e no aumento da captação hepática de lipídeos (gordura).

Aumento da secreção do fator de necrose tumoral alfa, o TNF-alfa. Esse aumento provocará uma maior captação de lipídeos e a diminuição da beta-oxidação hepática.

Disfunção mitocondrial, desenvolvimento de radicais livres que vão provocar lesão celular no tecido hepático de forma tardia.

A peroxidação dos lipídios que surgem com o estresse oxidativo vão danificar a membrana mitocondrial e dar início a cascata de apoptose.

Figura 2: Ilustração da esteatose hepática e a diferença visual do tecido hepático nessa condição. Fonte: https://i1.wp.com/drasuzanavieira.med.br/wp-content/uploads/2020/05/NASH.jpg?resize=900%2C920&ssl=1

De forma simples, é um distúrbio caracterizado pelo acúmulo de gordura nos hepatócitos, que são células hepáticas. O fígado é a maior víscera da cavidade abdominal, além de ser uma glândula que possui secreções externas, como a bile e secreções internas. Possui inúmeras funções, dentre elas:

  1. Produção de bile;
  2. Síntese de colesterol;
  3. Desintoxicação do organismo;
  4. Armazenamento de vitaminas A, B12, D, E e K;
  5. Síntese de protrombina e fibrinogênio, que são fatores de coagulação sanguínea;
  6. Emulsificação de gorduras no processo digestivo, através da secreção da bile;
  7. Lipogênese;
  8. Síntese de albumina (osmolaridade sanguínea);
  9. No primeiro trimestre da gestação é o principal produtor de eritrócitos, perdendo tal função nas últimas semanas da gestação;

Quando acontece o acúmulo de gordura dentro dos hepatócitos, com o passar do tempo provoca um quadro inflamatório, que se não tratado pode evoluir gravemente chegando a causar cirrose hepática e a longo prazo, até mesmo, câncer. De forma geral, o indivíduo não apresenta sintomas, mas com o agravo da doença, existem queixas de dor, cansaço, fraqueza ou fadiga e perda de apetite.

Ao exame físico, pode apresentar hepatomegalia indolor, enquanto em exames laboratoriais refletem alterações das transaminases hepáticas, bem como alterações nos exames de imagem. Se em estágio avançado, pode-se observar:

  • Insuficiência hepática;
  • Ascite (acúmulo anormal de líquido dentro do abdome);
  • Encefalopatia;
  • Hemorragias;
  • Plaquetopenia;
  • Icterícia.
  • Diagnóstico e tratamento:

São três as formas de diagnóstico:

  1. Anamnese e exame clínico;
  2. Exames laboratoriais e de imagem;
  3. Biópsia hepática.
      Exames laboratoriais Elevação na aspartato aminotransferase (AST) e na alanina aminotransferase (ALT);Fosfatase alcalina alterada;Níveis séricos de albumina e bilirrubina geralmente estão dentro dos valores esperados;
    Exames de imagem Aumento da ecogênicidade na USG;Diminuição da atenuação hepática na TC;Aumento do sinal de gordura na RM.
        Biópsia hepática Ainda não existe um consenso para a sua indicação, mas existem fatores sugestivos, que são: – Sugestão de cirrose hepática – AST/ALT >2 – Ferritina sérica aumentada e sugerindo NASH ou fibrose avançada – Paciente obeso ou portador de Diabetes Mellitus (DM) maiores de 45 anos, com alto risco para fibrose avançada.

Como medida de intervenção terapêutica para a doença, são orientadas mudanças de estilo de vida (alimentação, prática esportiva, abandono do uso de medicações que sejam fatores de predisposição para o quadro). Farmacologicamente, há indícios da eficiência das tiazolidinas e da vitamina E como estratégias de correção bioquímica quando a DHGNA se apresenta na forma de NASH. Para casos estritamente graves há indicação de transplante hepático. De forma geral não existe uma indicação absoluta farmacológica para intervenção. A prevenção e o tratamento se baseiam principalmente no que o Ministério da Saúde nomeia de “três pilares”, que são: estilo de vida saudável, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios.

Autor: Lara Honório

Instagram: @medcandoo


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

Scheidt, L.; Schmidt, L; Pinheiro, T. da L. F.; Benetti, F. Nutrição na doença hepática gordurosa não alcoólica e síndrome metabólica: uma revisão integrativa. Arq. Ciência Saúde, Umuarama, V. 22, N°2, Pág. 129-138, maio/ago. 2018. Disponível em: NUTRIÇÃO NA DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO ALCOÓLICA E SÍNDROME METABÓLICA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA | /Scheidt | Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR

Malaguarnera M, Vacante M, Antic T, Giordano M, Chisari G, Acquaviva R, et al. Bifidobacterium longum with fructo-oligosaccharides in patients with non alcoholic steatohepatitis. Dig Dis Sci. 2012 Feb;57(2):545–53.

World Gastroenterology Organisation Global. Doença Hepática gordurosa não alcoólica e esteatohepatite não alcoólica. Junho de 2012. http://www.worldgastroenterology.org/guidelines/global-guidelines/nafldnash/nafld-nash-portuguese

Rabie, M. S. S. Avaliação da prevalência e dos fatores de risco associados à doença hepática gordurosa não-alcoólica em serviços de atenção primária à saúde. Tese de pós-graduação de  Ciências em gastroenterologia e hepatologia. Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2020. Disponível em: 001123547.pdf (ufrgs.br)

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