Entenda quais são os principais achados patológicos em cada doença gastrointestinal abordada e o que o médico generalista precisa conhecer. Bons estudos!
A doença gastrointestinal é muito comum nos atendimentos ambulatoriais. Saber reconhecer essas apresentações é fundamental para uma abordagem adequada ao paciente.
Motilidade gastrointestinal e repercussão nas doenças gastrointestinais
A motilidade gastrointestinal é de extrema importância para a condução adequada do bolo alimentar. Ela é possível devido à todo o sistema organizado de peristalse por meio da inervação de todo trato gastrointestinal.
Para compreender a peristalse, é preciso entender as camadas do trato intestinal. Sendo assim, do lúmen para a camada mais externa:
- Muscosa: epitélio, lâmina própria e muscular da mucosa;
- Submucosa: inclui o plexo nervoso submucoso (Meissner);
- Muscular externa: prexo mientérico (Auerbach), responsável pela motilidade;
- Serosa, quando intraperitoneal, e adventícia, quando retroperitoneal.
A frequência de motilidade varia dentre alguns órgãos. Assim, a frequência de peristalse do duodeno é maior que a do íleo, sendo essa maior que a do estômago [duodeno > íleo > estômago].
Principais fatores de risco para doença gastrointestinal
Os maiores fatores de risco para a doença gastrointestinal são muito variados. Dentre eles, os mais comuns são:
- Idade avançada;
- Alta ingestão de condimentos irritantes, como café e tomate;
- Falta de exercício físico e sedentarismo;
- Obesidade;
- Estresse;
- Alcoolismo;
- Tabagismo.
Além desses fatores, a alta ingestão de medicações antiinflamatórias se associam fortemente às doenças gastrointestinais, especialmente úlceras.
Principais doenças gastrointestinais por faixa etária
O bom funcionamento do sistema gastrointestinal garante não apenas um bem estar, mas sobretudo uma boa nutrição durante os primeiros anos de vida. Assim, é importante que se conheça doenças gastrointestinais que podem comprometer esse curso por faixa etária infantil.
0 a 3 anos
Nessa faixa etária, a regurgitação e alergia alimentar somadas às cólicas são as queixas mais comuns no consultório pediátrico.
A regurgitação alimentar é muito comum em bebês saudáveis, sendo regulatória e não indicando anormalidades. No entanto, é importante que se identifique quando essa manifestação passou a ser patológica. Para isso, geralmente é consequência de perda ou ganho insatisfatório de peso, além da recusa alimentar.
Quanto às alergias é descrito como uma reação imunológica principalmente à leite de vaca, soja e ovos. Os sintomas costumam incluir placas na pele, além de sintomas respiratórios e do trato gastrointestinal.
O choro e a irritabilidade normalmente avisam sobre as cólicas intestinais. De maneira geral, costumam durar algumas horas por dia, merecendo uma avaliação sobre ser uma cólica fisiológica ou patológica.
4 a 7 anos
Nessa fase, constipação intestinal e diarreia crônica costumam ocorrer com mais frequência.
Na constipação, a criança costuma sentir dores abdominais devido a dificuldade de evacuação. Quanto à diarreia crônica, trata-se de alterações mais prolongadas na consistência e volume das fezes. Como consequência, o comprometimento de crescimento pode ser percebido.
As diarreias crônicas podem ser advindas de uma alimentação má administrada, com excesso de carboidratos e fermentos.
7 anos em diante
A partir dos 7 anos, é comum que outros sintomas gastrointestinais sejam prevalentes. A exemplo disso, a doença do refluxo gastroesfágico (DGRE) e a dor abdominal crônica pode surgir.
A dor abdominal crônica pode durar mais de 3 meses, podendo ser secundária à alguma doença orgânica. Sobre o DGRE, trataremos a seguir.
Acalásia: entenda essa doença gastrointestinal
A acalásia trata-se de uma falência no esfincter esofagiano superior, que relaxa devido a degeneração de neurônios inbitórios.
As causas da doença podem ser idiopaticas, se primária, ou devido à doença de Chagas, quando secundária.
Como apresentação clínica, costuma progredir com disfagia de sólidos e líquidos. Além disso, fortemente associado a um aumento do risco de câncer esofágico. Como diagnóstico, indica-se a realização de uma manometria esofágica, demonstrando uma ausência ou descoordenação peristáltica.

Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) : quais achados clínicos dessa doença gastrointestinal?
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) pode se apresentar com sintomas típicos e com complicações. Esses sintomas podem variar com a idade.
As apresentações possíveis dessa doença gastrointestinal incluem sintomas típicos e atípicos. Os típicos representam os sintomas relativos ao esôfago, e os atípicos trata-se dos sintomas extraesogágicos.
Azia
A azia é um desconforto comum nos pacientes com refluxo, podendo ser retroesternal ou epigástrico. Ainda assim, sintomas de alarme podem acompanhá-lo, como disfagia, perda de peso e até mesmo hematêmese.
Para esse sintoma, a mudança de estilo de vida pode ter repercussões positivas. A partir disso, a perda de peso, cessação do fumo ou mesmo a elevação da cabeceira da cama.
Esofagite
A esofagite pode ser documentada por meio de uma endoscopia digestiva alta, onde se observa inflamação.
Nela, é possível observar eritema na mucosa esofágica, indicando uma inflamação crônica. A avaliação e tratamento dependem da gravidade da esofagite, avaliados pelo diagnóstico histológico.

Úlcera Péptica: doença gastrointestinal comum na atualidade
As úlceras pépticas são manifestações muito comuns nos dias de hoje. Como comentamos, essa doença está associada à estilo de vida, além do uso crônico de anti-inflamatórios.
A dor pelas úlceras gástricas tendem a piorar com a alimentação, relacionadas em 70% dos casos com a infecção por H. pylori. O mecanismo da doença inclui a diminuição da proteção da mucosa gástrica contra o ácido gástrico. É importante que, nesses casos, seja realizada uma biópsia das margens para afastar malignidade.
Quanto às úlceras duodenais, a dor diminui com a ingestão alimentar. Por usa vez, estão mais relacionados com a infecção por H. pylori, em cerca de 90% das vezes. Uma das causas relacionadas à esse quadro é a Síndrome de Zollinger-Ellison. Sobre a evolução da doença, rotineiramente não são recomendadas biópsias. No entanto, quando realizadas, revelam benignidade da doença.
Síndrome do intestino irritável (SII): quais achados encontramos?
A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é uma doença gastrointestinal fortemente associada ao estilo de vida e qualidade de da saúde mental do paciente.
Essa é uma condição mais comuns em mulheres de meia idade, com sintomas crônicos de diarreia, constipação ou ambos. As dores abdominais recorrentes associada a pelo menos 2 das condições seguintes sugerem a SII:
- Dor abdominal relacionada à defecação;
- Variação na frequência de evacuações;
- Mudança na forma e consistência das fezes.
O tratamento de primeira linha é a mudança no estilo de vida e de dieta do paciente. O acompanhamento para ansiedade e outras condições mentais mostram benefícios para o quadro.
Doença de Chron: como funciona essa doença gastrointestinal?
A doença de Chron afeta todo TGI, sendo frequente entre o íleo terminal e o cólon. Trata-se de uma doença inflamatória intestinal, assim como a colite ulcerativa.
Classicamente, trata-se de uma inflamação transmural, afetando todas as camadas do TGI. Com isso, a formação de fístulas é uma complicação possível e comum da condição. Ainda, as lesões costumam ser intercaladas.
A mucosa da doença de Chron é conhecida como a “mucosa em paralelepípedo“. Esse aspecto pode partir desde a mucosa oral ao intestino grosso. Abaixo, vemos um exemplo de a aparência dessa apresentação.

As manifestações intestinais dessa doença incluem diarreia, acompanhada ou não de sangue. Quanto as manifestações extraintestinais, temos a formação de pedras renais, normalmente por oxalato de cálcio, além de cáculos biliares.
Além disso, a presença de rash, além de inflamação ocular e ulceração oral podem estar associadas à doença de Chron.
Colite ulcerativa : quais são os achados dessa doença gastrointestinal?
A colite ulcerativa se refere à inflamação do cólon. Tem-se então lesões contínuas do cólon, sempre com envolvimento retal.
Diferente da doença de Crohn, a colite ulcerativa acomete apenas a mucosa e a submucosa. As ulcerações associadas à essa condição são friáveis e superficiais.
Devido a presença de úlceras, o sangramento é uma apresentação comum. Por isso, a diarreia sanguinolenta é uma manifestação da colite, geralmente acompanhada de dor. Ao exame de imagem, vemos o “sinal do cano“, devido à perda de haustrações do cólon secundária à inflamação.


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Perguntas frequentes
- Quais são as camadas do TGI?
Mucosa, submucosa, muscular e serosa/adventícia. - Qual é a importância de se compreender o sintomas gastrointestinais?
Conhecer a apresentação normal, fisiológica, e perceber as mudanças para uma apresentação patológica. - Qual é o sinal do exame feito na colite ulcerativa?
Sinal do cano.