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Doença de von Willebrand: uma doença comum, porém pouco conhecida | Colunistas

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A doença de von Willebrand (DvW) é a doença hemorrágica
hereditária mais comum do mundo e decorre devido a uma alteração no fator de
Von Willebrand (FvW) – uma glicoproteína que atua na hemostasia do corpo, garantindo
a adesão plaquetária no subendotélio de um vaso sanguíneo lesionado.

            Ela atinge cerca
de 1% da população mundial (o dobro de casos de hemofilia), entretanto
acredita-se que esse valor seja maior, devido ao subdiagnóstico dessa doença.  Apresenta uma maior prevalência em mulheres e
não há predileção étnica ou geográfica.          

Como ocorre a doença?

            O fator de von
Willebrand liga-se ao colágeno que está no subendotélio e nas plaquetas,
propiciando o tampão plaquetário no local da lesão endotelial. Além disso,
liga-se ao fator VIII, protegendo-o da degradação proteolítica no plasma. Na
doença de von Willebrand, esse mecanismo não ocorre adequadamente, o organismo
tem mais dificuldade de coagular e, por isso, o principal sintoma é sangramento
desproporcional à lesão.

Classificação

            A DvW pode ser
autossômica dominante ou recessiva e também pode ocorrer por redução
(quantitativo) ou disfunção (qualitativo) do fator de von Willebrand. Sendo
assim, ela é classificada em 3 subtipos.

            O tipo 1 é o mais comum (cerca de 70% dos
casos); ocorre devido a uma redução do FvW e é autossômico dominante. Seus
sintomas variam de leve a moderado, sendo sangramento cutâneo mucoso o mais
comum. É mais diagnosticado em mulheres por provocar menorragia (aumento do
fluxo menstrual).

            O tipo 2 representa 20% dos casos e
possui 4 subtipos. O subtipo 2M ocorre pela redução do FvW e os subtipos 2A, 2B
e 2N ocorrem pela redução de função. Esse último é o único autossômico
recessivo e pode ser confundido com hemofilia A.

            O tipo 3 é recessivo e nele o fator de von
Willebrand é quase indetectável.

Diagnóstico

            Devido à heterogeneidade da DvW, o seu diagnóstico frequentemente é árduo e custoso, o que demanda paciência e perseverança tanto por parte do médicos como do paciente. A confirmação desse distúrbio hemorrágico é feita a partir da presença de história pessoal de sangramentos cutâneos e mucosos e história familiar de manifestações hemorrágicas associadas a exames laboratoriais que demonstrem um defeito quantitativo e/ou qualitativo do FvW.

Autoria pessoal

Clínico

            As manifestações
típicas são: equimoses aos traumas mínimos, epistaxe, gengivorragia e, em
mulheres, menorragia. Sangramentos aumentados após trauma, cirurgias e
principalmente procedimentos em região de boca e nariz podem ser a apresentação
inicial. Em crianças, os sintomas mais comuns são equimoses e epistaxe e, com
aumento da idade, há uma maior prevalência de sangramento gastrointestinal.

de Diagnóstico, M., & de Von Willebrand, T. D. D. Portal Regional da BVS Informação e Conhecimento para a Saúde.

De acordo com a Sociedade
Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH), os eventos hemorrágicos que
podem sugerir a presença da DVW são:

  •  Epistaxe prolongada sem história de trauma
    prévio, que não cessa após 20 minutos com compressão local ou que leva à
    anemia ou que requer transfusão sanguínea. Devem-se considerar, ainda, as
    epistaxes que necessitam de intervenção médica ou que recorrem após
    cauterização;
  •  Sangramentos cutâneos ou equimoses que surgem
    após traumatismo mínimo ou mesmo sem trauma aparente, ou que necessitam de
    tratamento médico;
  •  Sangramento prolongado em ferimentos
    cortantes, com duração igual ou superior a 15 minutos, que necessitam de
    intervenção médica para cessar ou que recorrem espontaneamente dentro de
    sete dias;
  •  Sangramento oral, como gengivorragia, ou após
    erupção dentária ou ferimentos cortantes em lábios ou língua, que
    necessitam de tratamento médico ou que recorre nos sete dias subseqüentes;
  •  Hemorragia gastrointestinal, que requer
    avaliação médica ou que causa anemia, aguda ou crônica, não explicada por
    lesão local;
  •  Sangramento prolongado ou recorrente após
    exodontia ou cirurgia, como amigdalectomia e adenoidectomia, necessitando de
    avaliação médica;
  •  Menorragia não associada a problemas
    uterinos; este sintoma é mais significativo quando a menorragia teve início
    desde a menarca, ou produz anemia, ou necessita de tratamento médico;
  •  Sangramento prolongado de outras superfícies
    cutâneas ou mucosas, que requeira tratamento médico.

Laboratorial

            Devido à sua
complexidade, existem vários exames a serem realizados, sendo eles divididos em
testes de triagem, testes confirmatórios e testes especiais. Seus valores
variam de acordo com o tipo da doença de von Willebrand que o paciente possui.
Esses são os exames contemplados na tabela SIA/SUS:

Triagem:

  • Tempo de sangramento (TS);
  • Tempo de tromboplastina parcial
    ativada (TTPA);
  • Contagem plaquetária.

Testes confirmatórios:

  • Atividade do fator VIII (FVIII:C);
  • Antígeno do fator von Willebrand (FvW:Ag);
  • Atividade de co-fator de ristocetina
    (FvW:RCo);
  • Capacidade de ligação do FvW ao
    colágeno (FvW:CB);

Testes especiais:

  • Aglutinação plaquetária induzida
    pela ristocetina (RIPA).
de Diagnóstico, M., & de Von Willebrand, T. D. D. Portal Regional da BVS Informação e Conhecimento para a Saúde.

Tratamento

            O tratamento
objetiva aumentar as concentrações plasmáticas da proteína deficiente durante
hemorragias ou antes de procedimentos cirúrgicos. Com isso, visa melhorar adesão
e agregação plaquetária – que precisam de multímeros
de peso molecular mais elevado – e aumentar os níveis do fator de VIII que
necessita do FvW como proteína transportadora. As opções terapêuticas englobam:    

  1. Medidas locais: compressão local por 5 a 10 minutos de lesões
    menores; cauterização não é recomendada
  2. Desmopressina (DDAVP): é um
    análogo sintético da vasopressina que promove o aumento de FVIII e FvW
    autólogos no plasma;
  3. Reposição com concentrado de fator: está indicada para pacientes
    que não responderam à DDAVP;
  4. Drogas auxiliares: antifibrinolíticos que retardam a quebra dos
    coágulos;
  5. Outras recomendações: AAS NÃO
    deve ser utilizado em pacientes com DvW.
de Diagnóstico, M., & de Von Willebrand, T. D. D. Portal Regional da BVS Informação e Conhecimento para a Saúde.

Quer saber mais?

Acesse: von Willebrand Disease Database em: http://www.vwf.group.shef.ac.uk/

AUTORIA: Taísa Nogueira

Instagram: @taisaa_mn

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