A Doença de Buerger é uma condição rara e complexa, diagnosticada principalmente em homens jovens e comumente associada ao tabagismo, sendo esta a principal fator de risco. A doença tem uma prevalência mundial variável, mas a maior parte dos casos é observada em países onde o consumo de tabaco é elevado.
O paciente típico com Doença de Buerger é um fumante crônico, com idades entre 20 e 40 anos, que apresenta sintomas como claudicação intermitente, dor em repouso nas extremidades e, em casos mais graves, gangrena.
Fisiopatologia e relação da doença de Buerger com o tabagismo
A relação entre tabagismo e Doença de Buerger envolve uma complexa interação entre o tabaco e a resposta imunológica vascular. O principal gatilho da doença é o tabaco, que induz inflamação crônica e lesão endotelial nos vasos, especialmente nas extremidades.
O componente mais ativo do tabaco, a nicotina, junto com outras substâncias como o monóxido de carbono e radicais livres, pode provocar danos ao endotélio vascular. Esse processo leva a uma série de eventos que resultam em trombose e obstrução dos vasos sanguíneos.
Inflamação endotelial e ativação do sistema imunológico
O tabagismo promove a disfunção endotelial, fundamental para a formação de trombos. Ele aumenta a permeabilidade dos vasos sanguíneos e ativa as células endoteliais, o que favorece a adesão de leucócitos e a liberação de mediadores inflamatórios. Dessa forma, este processo resulta em infiltração de células inflamatórias, como macrófagos e neutrófilos, no interior dos vasos.
A ativação do sistema imune também estimula a liberação de citocinas pró-inflamatórias, que aumentam a expressão de moléculas de adesão, favorecendo a formação de trombos no interior dos vasos.
Formação de trombos e isquemia na doença de Buerger
A ativação inflamatória e a formação de trombos contribuem para o bloqueio progressivo dos vasos, resultando em uma isquemia crônica nas extremidades. Nos pacientes com Doença de Buerger, a isquemia é mais pronunciada nas mãos e pés, onde a gangrena pode se manifestar, comprometendo a qualidade de vida e, em casos mais graves, levando à amputação.
Assim, este fenômeno ocorre devido à obstrução aguda e segmentar dos vasos, que é uma característica distinta da Doença de Buerger. A isquemia, causada pela falta de fluxo sanguíneo adequado, pode também levar ao desenvolvimento de úlceras isquêmicas dolorosas, um dos principais sinais clínicos da doença.
Tabagismo como gatilho e manutenção da doença
O tabagismo tem um papel central no início e progressão da Doença de Buerger, sendo o principal fator precipitante dessa condição. Estudos demonstram que, sem o uso de tabaco, a Doença de Buerger é rara ou praticamente inexistente. A interrupção do tabagismo pode, em muitos casos, levar à melhora clínica, embora a reversão total das lesões vasculares seja improvável uma vez que o processo de obstrução já tenha ocorrido.
Dessa forma, a intervenção precoce, com a cessação do tabagismo, é essencial para evitar a progressão da doença e minimizar a necessidade de intervenções cirúrgicas, como amputações.
Diagnóstico da doença de Buerger
O diagnóstico da Doença de Buerger é clínico, baseado na história de uso crônico de tabaco, sintomas característicos como:
- Claudicação intermitente
- Dor em repouso
- Úlcera
- E sinais de isquemia distal nas extremidades.
Na imagem abaixo observa-se úlceras e gangrena na tromboangeíte obliterante:

Assim, o diagnóstico é frequentemente confirmado com exames de imagem, como angiografia por ressonância magnética (RM) ou angiografia por tomografia computadorizada (TC), que mostram obstruções segmentares nos vasos de pequeno calibre, características da Doença de Buerger.
Tratamento
O tratamento da Doença de Buerger é desafiador e deve ser focado em modificar o curso da doença e aliviar os sintomas. A cessação imediata do tabagismo é o primeiro passo fundamental no manejo de qualquer paciente diagnosticado com essa condição. Além disso, o uso de medicações vasodilatadoras, como cilostazol ou pentoxifilina, pode ser recomendado para melhorar o fluxo sanguíneo e reduzir a claudicação intermitente.
Dessa forma, em casos mais graves, em que ocorrem úlceras ou gangrena, pode ser necessária a intervenção cirúrgica. Assim, procedimentos como a revascularização ou até amputação das partes afetadas podem ser necessários para prevenir complicações mais severas.
Prognóstico
O prognóstico da Doença de Buerger é altamente dependente da interrupção do tabagismo. Quando cessa-se o tabagismo precocemente, tem-se um o prognóstico relativamente bom, com redução significativa da progressão da doença. No entanto, casos de gangrena avançada ou múltiplas obstruções podem resultar em perda de função das extremidades ou necessidade de amputações.
Além disso, a presença de outras condições vasculares subjacentes, como a hipercoagulabilidade, pode piorar o prognóstico e complicar o manejo.
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Referências bibliográficas
- UPTODATE. Thromboangiitis obliterans (Buerger disease). Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/thromboangiitis-obliterans-buerger-disease?search=Doen%C3%A7a%20de%20Buerger&source=search_result&selectedTitle=1~25&usage_type=default&display_rank=1. Acesso em: 20 jan. 2026.
