A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é uma condição vascular que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente aqueles acima dos 55 anos.
Caracteriza-se pelo estreitamento ou obstrução das artérias periféricas, principalmente nos membros inferiores e pode levar a sintomas que comprometem a qualidade de vida e aumentar o risco de complicações cardiovasculares graves.
Portanto, entender suas causas, manifestações clínicas, métodos diagnósticos e opções de tratamento é fundamental para a prevenção e manejo eficaz da doença. Neste conteúdo, você encontrará informações completas e atualizadas sobre a DAOP, que irão esclarecer suas dúvidas e ajudar a aprofundar seus conhecimentos sobre esse importante tema.
Principais causas da Doença Arterial Obstrutiva Periférica
A Doença Arterial Obstrutiva Periférica é uma condição caracterizada pela obstrução, endurecimento ou estenose das artérias periféricas. Embora possa acometer tanto os membros superiores quanto os inferiores, é muito mais frequente nos membros inferiores.
A causa mais comum dessa doença é a aterosclerose, responsável por cerca de 85% dos casos. Nesse processo, ocorre o acúmulo de placas de ateroma, compostas por gordura, proteínas, cálcio e células inflamatórias, na parede dos vasos sanguíneos. Essas placas provocam estreitamentos, endurecimentos e obstruções que dificultam a circulação do sangue, assim como o fornecimento de oxigênio e nutrientes para os tecidos dos membros, incluindo músculos, nervos, ossos e pele.
Além disso, outras causas possíveis envolvem processos inflamatórios nos vasos sanguíneos, bem como danos resultantes de lesões ou exposição à radiação.
Fatores de risco da Doença Arterial Obstrutiva Periférica
Os fatores de risco da DAOP estão intimamente relacionados à formação da placa aterosclerótica.
Nesse sentido, condições como diabetes melito, hipertensão arterial sistêmica (HAS), tabagismo e hiperlipidemia estão principalmente associadas à lesão do endotélio vascular, o que favorece a formação das placas.
Além disso, a idade avançada está ligada à cronicidade do desenvolvimento dessas placas ateroscleróticas, assim como à maior prevalência das doenças associadas, como hipertensão e diabetes.
Ademais, estados de hipercoagulabilidade contribuem para a formação espontânea de trombos ou êmbolos dentro do sistema arterial, podendo estar relacionados ou não à deficiência de fatores anticoagulantes.
Quadro clínico da Doença Arterial Obstrutiva Periférica
Cerca de 70 a 80% dos pacientes acometidos são assintomáticos, ou seja, não apresentam qualquer queixa relacionada à doença. Isso ocorre principalmente porque o processo de formação da doença é lento e gradual, permitindo a formação de uma rede sanguínea colateral que garante a viabilidade dos tecidos mais distais. No entanto, muitos pacientes apresentam marcha lenta ou comprometida.
O sintoma mais comum é a claudicação intermitente, que manifesta-se como dor, incômodo, cãibra, dormência ou sensação de fadiga muscular durante o exercício, sendo aliviada com o repouso.
Além disso, outros sintomas surgem principalmente devido ao déficit sanguíneo nos tecidos, especialmente em repouso, quando os pacientes relatam dor, sensação de frio ou dormência nos pés ou dedos. Geralmente, esses sintomas aparecem à noite, quando as pernas estão na posição horizontal.
Entre os achados físicos importantes estão a diminuição ou ausência dos pulsos distais à obstrução e, em casos mais graves, o espessamento das unhas, queda de pelos, redução da temperatura cutânea, podendo ainda ocorrer úlceras ou gangrenas.
Diagnóstico da Doença Arterial Obstrutiva Periférica
O diagnóstico da DAOP envolve a avaliação do histórico clínico do paciente, exame físico detalhado e testes objetivos específicos.
História clínica
É fundamental investigar cuidadosamente a capacidade de locomoção, já que muitos pacientes não relatam espontaneamente sintomas típicos, como a claudicação intermitente, ou seja, dor nas pernas ao caminhar que melhora com o repouso.
Além disso, devem ser considerados os fatores de risco cardiovascular, como tabagismo, hipertensão, níveis elevados de colesterol e diabetes.
Exame físico
No exame físico, a ausência ou diminuição dos pulsos nos membros inferiores é um sinal importante e pode ser confirmado por meio do índice tornozelo-braquial (ITB).
Este exame compara a pressão arterial do tornozelo com a do braço, utilizando um manguito e uma sonda Doppler para identificar possíveis obstruções arteriais. Um ITB abaixo de 0,9 sugere a presença da doença, enquanto valores abaixo de 0,5 indicam isquemia grave. Valores acima de 1,3 podem refletir rigidez arterial, comum em pacientes diabéticos ou com insuficiência renal, e nesses casos, exames adicionais são necessários para confirmação.
É importante medir a pressão arterial em ambos os braços para evitar subestimar a doença devido a possíveis diferenças causadas por estenoses em artérias do membro superior. Ademais, cuidados na técnica, como o posicionamento do paciente e o tamanho adequado do manguito, são essenciais para resultados precisos.
Exames complementares
Exames laboratoriais podem indicar alterações na função renal e inflamação, refletidas por marcadores como PCR e interleucinas.
Além disso, estudos por Doppler ajudam a localizar o bloqueio e a avaliar o fluxo sanguíneo, enquanto exames de imagem, como angiotomografia e angiorressonância, auxiliam na indicação de procedimentos cirúrgicos ou endovasculares.
Em casos com úlceras, a oximetria transcutânea é útil para avaliar a perfusão local. Por fim, o eletrocardiograma pode identificar arritmias que aumentam o risco de embolia.
Tratamento da Doença Arterial Obstrutiva Periférica
O tratamento da DAOP tem como objetivos aliviar os sintomas, reduzir a progressão da doença, promover a regressão das lesões e prevenir as complicações cardiovasculares secundárias.
No tratamento clínico, é fundamental controlar a hipertensão, evitando o uso excessivamente vigoroso de anti-hipertensivos, especialmente os betabloqueadores. Além disso, é importante a redução dos níveis de colesterol e o uso de antiagregantes plaquetários, como Ticlopidina ou Clopidogrel, além da aspirina oral, que deve ser indicada para todos os pacientes.
Paralelamente, a prática regular de atividades físicas e a cessação do tabagismo são essenciais para o manejo da doença. Além disso, pacientes diabéticos devem ser acompanhados de perto pelos médicos e, sempre que possível, por uma equipe multidisciplinar, visando à prevenção e ao tratamento do pé diabético.
Por outro lado, o tratamento cirúrgico está mais direcionado à desobstrução do fluxo sanguíneo arterial. A revascularização de membros isquêmicos pode ser realizada por métodos convencionais ou endovasculares. No tratamento cirúrgico convencional, destaca-se a endarterectomia, que consiste na abertura da artéria para ressecar placas de ateroma e trombos antigos. Já o tratamento endovascular, por sua vez, utiliza a dilatação endoluminal, técnica na qual um cateter com balão é inserido na artéria estenosada, sendo insuflado na área obstruída para remodelar a artéria até um diâmetro adequado.
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Referências
- PINTO, Daniel Mendes; MANDIL, Ari. Claudicação intermitente: do tratamento clínico ao intervencionista. Rev. Bras. Cardiol. Inv, v. 13, n. 4, p. 261-9, 2005.
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- DOENÇA, IMPACTO DA. Doença arterial obstrutiva periférica no paciente diabético: avaliação e conduta.
- Sociedade Brasileira de Angiocirurgia e Cirurgia Vascular-SBACV. DOENÇA ARTERIAL PERIFÉRICA OBSTRUTIVA DE MEMBROS INFERIORES DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
- Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Universitário Walter Cândido da Universidade Federal do Ceara-Doença Arterial Obstrutiva Periférica
- ZEMAITIS, M.R.; BOLL, J. M.; DREYER, M. A. Peripheral Arterial Disease. National Library of Medicine, 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430745/. Acesso em: 08 jun 2025.