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Do diagnóstico ao Manejo da Diabetes na Atenção Primária

Diabetes Mellitus na Atenção Primária.

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Diabetes mellitus corresponde a um grupo diverso de distúrbios do metabolismo. Tendo a hiperglicemia como fator comum. O portador também pode apresentar complicações agudas como a hipoglicemia, cetoacidose e coma hiperosmolar, pontos que são críticos no manejo da diabetes.

Além disso, estão propensos a complicações crônicas como  retinopatia, nefropatia e neuropatia. Ademais, são pacientes que possuem maior risco de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.

Quadro clínico do DM

Os 4 “Ps” que caracterizam o quadro clínico da diabetes são: poliúria, polidipsia, polifagia e perda inexplicada de peso; Essa sintomatologia deve alertar para a suspeita do diagnóstico de DM. Esse quadro está presente nos diabetes tipo 1 e 2, mas sobretudo no DM1 pode evoluir para quadros de emergência como cetose, desidratação e acidose metabólica. Alguns sintomas mais vagos podem ser relatados, como prurido, visão turva e fadiga. Nos portadores de diabetes tipo 2, o início do quadro é insidioso e o paciente pode não apresentar sintomas.

Rastreio do DM

Recomenda-se o rastreamento de DM em pacientes assintomáticos dos seguintes grupos:

  • Adultos com  lMC > ou = 25 kg/m2 + 1 fator de risco;
  • Crianças com sobrepeso +  2 fatores de risco.

Fatores de risco

O sedentarismo, história familiar de DM em parentes de 1 ºgrau, história de filho com peso ao nascer > 4,1kg, história pessoal de diabetes gestacional, HAS,dislipidemia, síndrome dos ovários policísticos são fatores de risco para o desenvolvimento de DM.

Diagnóstico de DM

Há quatro tipos de exames que podem ser usados:

1- Glicemia casual

2- Glicemia de jejum

3- Teste de tolerância à glicose com sobrecarga de 75 g em duas horas (TTG)

4- Glico-hemoglobina (HbAlc).

Sempre deve ser confirmado com 2 testes, exceto na presença de glicemia> 200 mg/dL com sintomas claros de hiperglicemia, os 4 “Ps”.

Monitoração

Metas de monitoração

Uma glicemia  de 160 a 200 mg/dL  torna o paciente assintomático, no entanto, essa meta não consegue prevenir complicações crônicas e mortalidade causadas pelo DM.Uma redução dessas complicações se dar pelo controle glicêmico de uma HbAlc < 7,0% e pelo controle dos outros fatores de risco cardiovasculares desse paciente.

A meta atual para o tratamento da hiperglicemia no diabetes tipo 2 é alcançar HbAlc < 7%. As metas glicêmicas correspondentes são glicemia de jejum entre 70 e 130 mg/dL e pós-prandial abaixo de 180 mg/dL.

Controle glicêmico

O controle glicêmico é monitorado por glicemias de jejum, pré-prandial e pós-prandial e pela HbAlc, sendo que  essa última é utilizada para avaliar o controle glicêmico a médio e longo prazo, avaliando os últimos 2 a 3 meses, ela deve ser medida no início do tratamento e a cada três meses.

Os portadores de diabetes tipo 1 ou com diabetes tipo 2, mas que fazem uso de insulina e doses múltiplas,é necessário  a monitorização da glicemia capilar três ou mais vezes durante o dia. Quando o paciente possui um bom controle pré-prandial, no entanto, tem a sua HbAlc alta,é necessário  monitorizar a glicemia capilar duas horas depois da refeição.

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Manejo da diabetes: tipos de tratamento

Tratamento inicial : Medidas não farmacológicas

O primeiro passo do manejo da diabetes se alicerça em medidas para controle de peso , ou seja, uma dieta hipocalórica e prática de atividade física.

Tratamento DM I

O tratamento do DM tipo 1 é iniciado no momento do diagnóstico. Utiliza-se o esquema basal em bolus de insulina. A dose total diária de insulina vai variar a depender da como idade, peso, atividade física e tempo de diagnóstico desse paciente. Geralmente, inicia-se com 0,5-1 UI/kg/dia. Pacientes que estão na puberdade precisam de  uma dose maior.

Utiliza-se metade da dose total diária no esquema de insulina basal, da seguinte forma , 3 aplicações ao dia (café, almoço e ao se deitar) , quando se tem a opção a insulina lenta (NPH) ou  ultralenta (glargina e detemir), basta 1 aplicação ao dia.  A outra metade da dose total diária é aplicada em insulina rápida ou ultrarrápida, pelo menos 3 aplicações ao dia (antes do café, almoço e jantar),com ajustes individuais.

Tratamento DM II

O tratamento da hipertensão arterial faz parte do manejo dos pacientes diabéticos, no intuito  de prevenir doenças cardíacas e reduzir a evolução de complicações crônicas da diabetes. A meta pressórica é manter PA sistólica < 140 mmHg (para pacientes jovens,< 130 mmHg) e PA diastólica < 80 mmHg.

É preciso que anualmente seja feita a dosagem de colesterol total e frações, e TG. E é indicado o tratamento com estatina pacientes com DM tipo 2,se o paciente  possui doença cardiovascular ou nos pacientes com idade> 40 anos e algum outro fator de risco (história familiar de doença cardiovascular, HAS, tabagismo, albuminúria, e pode-se utilizar o medicamento independente dos valores lipídicos encontrados .Já nos pacientes com baixo risco cardiovascular, usa-se a estatina se LDL-c permanecer> 100 mg/dL mesmo depois das mudanças de estilo de vida (MEV).

Se o paciente não conseguir alcançar a meta glicêmica no intervalo de 1 a 3 meses com MEV, é prescrito metformina. Se as metas não forem atingidas após 3 a 6 meses utilizando a metformina, associamos uma sulfonilureia. As outras opções de fármacos  são tiazolidinedionas (pioglitazona), glinidas (repaglinida, nateglinida), inibidores da alfaglicosidase, análogos do(GLP-1, exenatida, liraglutide) etc.

Se o controle não for alcançado após a associação de metformina com um segundo fármaco por 3 a 6 meses, podemos avaliar a necessidade de acrescentar uma terceira medicação. Podemos acrescentar insulinas de ação intermediária (NPH) ou longa (glargina ou detemir), inibidores da alfaglicosidase intestinal,  análogos do GLP-1 ou inibidores da DPP IV.

Quais os valores de referência da glicemia?

Para glicemia de jejum: <100 mg/dL. Para Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG): <140 mg/dL. Para Hemoglobina Glicada (HbA1C): <5,7%.

Qual a ordem de tratamento da diabetes mellitus tipo 2?

Metformina + mudanças do hábitos de vida, caso não se atinja a meta, acrescentar Gliclazida ou Glibenclamida. Caso persistência da glicemia elevada, utilizar terapia tripla e se esta não se adequar, inserir insulinoterapia.

Quando devo rastrear diabetes no meu paciente?

Se presença de IMC ≥ kg/m2 e um ou mais dos seguintes: Histórico de doença cardiosvacular ou parente de 1º grau com DM, Hipertensão Arterial, HDL <35 mg/dL ou triglicéries >250 mg/dL, sedentarismo ou sinais de resistência insulínica.

Perguntas frequentes:

1 – Quais os valores de referência da glicemia?

Para glicemia de jejum: <100 mg/dL. Para Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG): <140 mg/dL. Para Hemoglobina Glicada (HbA1C): <5,7%.

2 – Qual a ordem de tratamento da diabetes mellitus tipo 2?

Metformina + mudanças do hábitos de vida, caso não se atinja a meta, acrescentar Gliclazida ou Glibenclamida. Caso persistência da glicemia elevada, utilizar terapia tripla e se esta não se adequar, inserir insulinoterapia.

3 – Quando devo rastrear diabetes no meu paciente

Se presença de IMC ≥ kg/m2 e um ou mais dos seguintes: Histórico de doença cardiosvacular ou parente de 1º grau com DM, Hipertensão Arterial, HDL <35 mg/dL ou triglicéries >250 mg/dL, sedentarismo ou sinais de resistência insulínica.

Referências:

  1. DUNCAN, Bruce B; SCHIMIDT, Maria Ines; GIUGLIANI, Elsa R. J. . Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. Porto Alegre: Artmed, 2004
  2. Martins, Mílton de Arruda; Martins, Mílton de Arruda (ed). Clínica médica, Vol 7, 2Ed. BARUERI: Manole, 2015

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