O divertículo vesical corresponde a uma protusão sacular que sobressai a parede vesical para fora e que, habitualmente, são secundários a obstruções crônicas da saída de urina, alguns exemplos são a hiperplasia prostática, estenose ureteral, litos, etc.
O fator importante para o aparecimento deste divertículo é a pressão intravesical, ou seja, o esforço em excesso para esvaziar a bexiga traz a obstrução da saída de urina, com isso, podem ocorrer refluxos vesicoureterais levando possíveis infecções à repetição e ao cancro por acumulação de tóxicos contidos na urina.
O corpo, em uma tentativa de compensação, converte a musculatura da bexiga hipertrofiada em até três vezes e, em razão desta hipertrofia, feixes musculares com depósitos de fibras de colágeno intersticiais se interlaçam formando uma “bexiga trabeculada”.
Classificação
Podem ser classificados em divertículos verdadeiros e falsos. O divertículo verdadeiro possui todas as capas da parede vesical (mucosa, muscular e serosa), já os divertículos falsos carecem de uma capa muscular.
Divertículos congênitos e adquiridos
Em outra classificação é dividida em divertículos congênitos e divertículos adquiridos.
Nos divertículos congênitos, a saculação é consequência de uma deficiência muscular.
Os divertículos Adquiridos são maiormente múltiplos, acometem mais o sexo masculino na quinta ou sexta década de vida com tendências a bloqueio ou possuir um mau funcionamento da bexiga devido a uma lesão em um nervo ou até uma recente cirurgia na bexiga. Também é frequente em crianças com síndrome de Ehlers – Danlos. O tratamento deve ser individualizado de acordo com a natureza e a gravidade do bloqueio.
Localização mais frequente
Normalmente os divertículos vesicais estão localizados perto dos hiatos ureterais e parede posterolateral da bexiga, sua localização é devida aos pontos de maior debilidade da parede da bexiga.
Sintomas e Complicações
São pequenos e assintomáticos, ainda que alguns possam progredir em tamanho.
Apresentam um quadro clínico com queixa de jato fraco e esforço miccional com saída de pouca urina, sensação de esvaziamento incompleto e micções repetidas.
Também podem apresentar retenção urinaria, hematúria, formação de litos, desenvolvimento de neoplasias, infecções, principalmente urinária, e a repetição, ruptura espontânea do divertículo, hidroureteronefrose por refluxo vesicoureteral e obstrução ureteral.
O desenvolvimento de carcinoma celular transitório tem um prognóstico ruim pela grande facilidade de penetração nas paredes finas sem o suporte muscular do diverticulum.
Divertículo vesicular e carcinoma celular transitório
Em um estudo realizado em um período de 15 anos com 146 pacientes com divertículo de bexiga, 9 deles apresentaram o carcinoma celular transitório da bexiga, destas nove, 3 pessoas apresentaram no diverticulum, outras 3 adjacentes ao ostium do diverticulum e as últimas três em lugares remotos do diverticulum.
Os três pacientes com carcinoma no diverticulum morreram de metástases, enquanto os outros 6 sobreviveram mais de 5 anos.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito pela clínica do paciente e exames de imagem.
A uretrocistografia retrógrada e miccional avalia tamanho e localização, permite ver o que acontece durante o esvaziamento.
A Ultrassonografia do trato urinário e da pelve, no homem, permite localizar o tamanho e o número dos divertículos e o espessamento da parede vesical (hipertrofia).
A Tomografia computadorizada mostra o divertículo em seu aspecto tridimensional independente do sexo.
Também pode-se ser visto através de exames de imagem, como a ressonância magnética e radiografia com contraste.

Tratamento
Não existem muitos casos relatados na literatura, mas nos que foram publicados, os pacientes regrediram os sintomas com antibióticos de amplo aspecto se constatado infecções e anti-inflamatórios para melhora de dor. Tratar sua causa primária.
Em casos graves em que o tamanho do divertículo se compara ao tamanho da bexiga o tratamento de eleição neste caso é cirúrgico.
O tratamento tem como objetivo restaurar a drenagem adequada da ablação ou completa da cavidade diverticular, não é recomendado diverticulectomia em casos assintomáticos e descomplicados.
As técnicas cirúrgicas que podem ser utilizadas são Diverticulectomia aberta extra ou transvesical, ressecção endoscópica do pescoço diverticulum, associada ou não à fulguração da mucosa diverticular para produzir sua retração.
A técnica mais usada é a Diverticulectomia laparoscópica da bexiga transperitoneal ou extraperitoneal.
O artigo Transperitoneal laparoscopic bladder diverticulectomy descreve alguns procedimentos para melhorar o resultado da cirurgia laparoscópica:
“a) identificação do diverticulum por transiluminação através de cistoscopia rígida ou flexível.
b) colocação endoscópica de sondas do tipo Foley, Councill e/ou Tiemann, que são infladas dentro da cavidade diverticular e/ou bexiga para facilitar sua identificação e dissecção permitindo o isolamento e o preenchimento de ambas as cavidades separadamente.
c) uso de cateteres ureterais para a localização correta do ureter e diminuição do risco de lesão ureteral nesses divertículos próximas ao caminho ureteral.
d) uso de ultrassonografia intraoperatória.” (6)
Autora: Mainara Polotto
Instagram: mainarap
Bibliografia
- https://www.revistachilenadeurologia.cl/urolchi/wp-content/uploads/2014/05/09_diverticulitis_vesical.pdf
- http://www.uropelve.pt/index.php?page=cons_bdiverticulo
- https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/pediatria/anomalias-renais-e-geniturinárias-congênitas/anomalias-vesicais?query=Defeitos%20da%20bexiga#v28385907_pt
- https://www.mymedfarma.com/pt/guia-da-saude/16-urologia-nefrologia/1876-diverticulos-da-bexiga
- http://scielo.isciii.es/pdf/aue/v32n10/v32n10a19.pdf
- http://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-06142006000800008
- https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0022534717451913
- https://pt.iliveok.com/health/diverticulo-da-bexiga_75972i15945.html
- Divertículo da bexiga – causas, sintomas, diagnóstico e tratamento (medicalformat.com)
- Divertículo de bexiga. O que é? – Dr. Francisco Fonseca
