Anúncio

Divertículo de Meckel: o que você precisa saber sobre | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

O divertículo de Meckel (DM) representa a anomalia congênita mais
frequente do trato gastrintestinal. Estima-se que está presente em cerca de 2%
da população (dado impreciso, já que pode estar presente durante a vida sem
apresentar sintomas) e que é duas vezes mais constante em homens do que em
mulheres.

Como o próprio nome já diz, trata-se
de um divertículo, uma saliência formada no trato intestinal, e, nesse caso, é
classificado como verdadeiro, pois envolve a evaginação de todas as camadas da
parede intestinal, como ilustrado na Imagem 1. Localiza-se na borda
antimesentérica do íleo, em sua porção distal, geralmente a uma distância de 30
a 150cm da válvula ileocecal.

  • IMAGEM 1: Representação da herniação de todos os componentes da parede intestinal presente no divertículo de Meckel.
Fonte: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/diverticulo-de-meckel

História

A primeira descrição dessa condição
foi por Fabricius Hildanus em 1598, mas somente em 1809 Johann Meckel
desenvolveu a teoria embrionária da formação dessa estrutura, relacionada ao
fechamento inadequado do ducto vitelino. Sua teoria foi precisa, visto que hoje
sabe-se que essa estrutura resulta da obliteração incompleta do ducto
onfalomesentérico, antigo ducto vitelino, que é responsável por conectar o saco
vitelínico ao intestino médio no início do desenvolvimento embrionário. No
período entre 7ª e 8ª semana da embriogênese, esse ducto normalmente é
obliterado, o que não ocorre em uma parcela da população que apresenta essa
evaginação de forma patente.

Fisiopatologia

Devido a sua origem embrionária, boa
parte dessa estrutura apresenta um tecido pluripotente, sobretudo com células
da mucosa gástrica e de tecido pancreático. As células dessa mucosa
naturalmente produzem ácido clorídrico, que é um dos fatores primordiais para
irritação e danificação do trato intestinal, resultando em hemorragias, principais
manifestações clínicas desse divertículo.

Manifestações clínicas

A maioria dos indivíduos com DM se
encontram assintomáticos e somente são diagnosticados indiretamente, por meio
de uma laparoscopia ou laparotomias, ambas realizadas na extração de outra
condição enferma concomitante.

No entanto, a apresentação sintomática
pode estar presente e ser causa de hemorragia digestiva nas crianças de até 2
anos de idade, devido à ulceração ocasionada pela mucosa gástrica do DM.

Os principais sintomas encontrados
são: massa abdominal à palpação, distensão abdominal, vômitos fecaloides,
parada de eliminação de gases e fezes e quadro de cólica abdominal.

Em adultos, a obstrução é o achado
mais comum, em virtude de herniação patente, torção ocasional da estrutura ou intussuscepção
intestinal (uma condição em que parte do intestino se dobra por cima de outra
seção dele). A obstrução deve ser diagnosticada brevemente e tratada
cirurgicamente, pois pode evoluir para peritonite, necrose e óbito do paciente.

A diverticulite aguda é uma
complicação inflamatória, cujos sinais são bem parecidos com a apendicite,
caracterizando um diagnóstico diferencial em que uma tomada de decisão errada
pode piorar a situação do paciente, o qual pode evoluir com necrose,
perfuração, formação de abscessos, fístulas e peritonite. Essa inflamação pode
ser desencadeada por um corpo estranho causando a obstrução do divertículo,
danificando a mucosa ileal.

Diagnóstico

Como foi ilustrado, a DM é de difícil diagnóstico e a maioria dos exames complementares evidencia as alterações decorrentes das complicações, como diverticulite, obstrução da luz intestinal, hemorragia ou perfuração.

 Como a maioria dos casos de diverticulite é assintomático, seu diagnóstico é acidental, em razão de uma laparoscopia utilizada inicialmente em busca de outros diagnósticos. É considerada método eficaz na inspeção da cavidade e tem a vantagem de realizar simultaneamente o diagnóstico e sua correção. No entanto, extensa distensão intestinal é uma contraindicação à realização desse procedimento. A imagem 2 mostra a presença do DM durante realização de uma videolaparoscopia.

  • IMAGEM 2: Representação de um divertículo de Meckel.
Fonte: http://www.endoscopiaterapeutica.com.br

Aliados às manifestações clínicas,
alguns exames auxiliam no diagnóstico correto, dos quais serão abordados a
ultrassonografia e a cintilografia abdominais.

Cintilografia

  • É o
    método mais utilizado para diagnóstico de DM;
  • Apresenta
    especificidade de 95 a 100% e sensibilidade em torno de 85%;
  • Possui
    a propriedade de marcação de mucosa gástrica pelo elemento tecnécio 99,
    localizando tecido gástrico ectópico funcional, como evidenciado na Imagem 3;
  • O
    exame tem acurácia em torno de 90% em pacientes pediátricos;
  • Em
    adultos, essa mucosa gástrica é pouco presente na gênese diverticular, o que
    dificulta o diagnóstico.
  • IMAGEM 3: Resultado de tecido gástrico ectópico presente na maioria dos DM vistos na cintilografia.
Fonte: http://www.endoscopiaterapeutica.com.br

Ultrassonografia

  • A
    ultrassonografia é discutida na literatura como método para diagnosticar complicações
    do DM, principalmente em casos de processo inflamatório e intussuscepção
    intestinal;
  • É
    útil em sangramentos retais com resultado da cintilografia negativo.
  • Na
    presença de obstrução diverticular, é possível observar estrutura tubular
    distendida, com conteúdo líquido, conectada à cicatriz umbilical, conforme está
    presente na Imagem 4.
  • IMAGEM 4: Ultrassonografia mostrando a presença de um divertículo de Meckel.
Fonte: http://www.endoscopiaterapeutica.com.br

Tratamento

            O tratamento
definitivo do divertículo de Meckel é cirúrgico, com indicação absoluta em
pacientes sintomáticos por meio de uma diverticulectomia simples ou ressecção
ileal segmentar com anastomose, procedimentos realizados através de cirurgia
aberta ou laparoscópica, em que ocorre a retirada do divertículo.

Ao considerar a maioria dos casos, que
são assintomáticos, não há consenso se há necessidade cirúrgica, visto que as
taxas de complicações são baixas e os riscos inerentes ao procedimento
cirúrgico é bem considerável, embora alguns autores tratem de uma
diverticulectomia profilática como sendo benéfica, principalmente nos jovens
adultos e nas crianças, uma vez que, nesses grupos, as complicações são mais
frequentes.

Por fim, foi evidenciado que o divertículo de Meckel é uma condição que pode trazer inúmeras complicações e, por isso, há a necessidade de se realizar um diagnóstico e um tratamento adequado, no qual, em sua abordagem, deve-se analisar cada caso, tendo em mente a relevância de variáveis como sexo, idade, características do divertículo e experiência do cirurgião.

Confira o vídeo:

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀