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Distúrbios de Hipersensibilidade: o que são e seus tipos

distúrbios de hipersensibilidade

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Saiba neste artigo tudo sobre Distúrbios de hipersensibilidade e entenda como pode contribuir na sua prática clínica.

Os distúrbios de hipersensibilidade estão no centro de muitas condições imunológicas que afetam milhões de pessoas ao redor do mundo. Quando o sistema imunológico, que deveria proteger o corpo contra ameaças externas, de forma exagerada ou prejudicial, ele pode desencadear reações prejudiciais ao organismo.

Assim, esses distúrbios abrangem desde alergias leves até condições graves, como doenças autoimunes, e são classificados em diferentes tipos com base nos mecanismos imunológicos envolvidos.

Desse modo, o objetivo deste artigo é explorar o que são os distúrbios de hipersensibilidade, como eles se manifestam, e detalhar os quatro tipos principais que ajudam a entender melhor essas respostas imunológicas. Acompanhe!

O que é hipersensibilidade? 

A hipersensibilidade se refere a processos patológicos que são oriundos de interações imunologicamente específicas entre antígenos (exógenos ou endógenos) e anticorpos humorais ou linfócitos sensibilizados.

Esta definição exclui alguns distúrbios nos quais os anticorpos não apresentam qualquer significado fisiopatológico conhecido (por exemplo, o anticorpo para tecido cardíaco, que surge após cirurgias cardíacas ou infarto do miocárdio), embora sua presença possa ter um certo valor diagnóstico.

Qual a importância da imunidade adaptativa? 

A imunidade adaptativa apresenta-se como uma importante função de defesa contra infecções microbianas. Contudo, as respostas imunológicas são também capazes de causar lesão tecidual ou doença. Com isso, os distúrbios causados pela resposta imunológica são chamados de distúrbios de hipersensibilidade.

Até mesmo as respostas imunológicas contra antígenos de diferentes fontes podem ser causa subjacente de distúrbios de hipersensibilidade.

Respostas imunológicas

As principais respostas imunológicas são: 

  • Autoimunidade: A falha dos mecanismos normais de auto tolerância resulta em reações contra células e tecidos próprios. As doenças causadas pela autoimunidade são denominadas doenças autoimunes;
  • Reações contra micro-organismos: ocorre quando as reações são excessivas ou quando os micro-organismos são persistentes. A resposta mediada por células T contra micro-organismos persistentes pode originar uma inflamação grave, com formação de granulomas. Vale lembrar que essa é a causa de lesão tecidual na tuberculose e outras infecções crônicas;
  • Reações contra antígenos ambientais: a maioria dos indivíduos saudáveis não reage contra substâncias ambientais comuns. Contudo,  cerca de 20% da população responde de forma anormal a uma ou mais dessas substâncias. Esses indivíduos produzem anticorpos IgE que causam doenças alérgicas. Alguns indivíduos tornam-se sensíveis a antígenos ambientais e químicos, quando em contato com a pele, e desenvolvem reações mediadas por células T que desencadeiam inflamação mediada por citocinas, resultando em sensibilidade de contato.

Em todas essas condições, os mecanismos de lesão tecidual são os mesmos, que normalmente apresentam a função de eliminar patógenos infecciosos. Esses mecanismos incluem resposta imunológica inata, anticorpos, linfócitos T, várias outras células efetoras e mediadores da inflamação.

O problema nas doenças de hipersensibilidade é que a resposta é desencadeada e mantida de forma inadequada. Desse modo, as doenças de hipersensibilidade são comumente classificadas de acordo com o tipo de resposta imunológica e o mecanismo efetor responsável pela lesão celular e tecidual.

Classificação dos Distúrbios de Hipersensibilidade

Qualquer classificação de hipersensibilidade está fadada a ser excessivamente simplificada. Algumas baseiam-se no: 

  • Tempo necessário para o aparecimento dos sintomas ou nas reações a testes cutâneos após exposição a um antígeno (por exemplo, as reações de hipersensibilidade imediata e tardia)
  • Tipo de antígeno (por exemplo, nas reações a drogas)
  • Na natureza do envolvimento orgânico.

Além disso, as classificações não levam em consideração o fato de que possa estar ocorrendo mais de um tipo de resposta imune ou que mais de um tipo de resposta possa ser necessária para produzir uma lesão imunológica.

Coombs e Gell, em 1963, propuseram um esquema de classificação, no qual denominaram a hipersensibilidade alérgica do tipo descrito por Portier e Richet como tipo I e ampliaram a definição da hipersensibilidade para incluir:

Tipo I

As reações do Tipo I, onde os antígenos (alérgenos) se combinam com anticorpos IgE específicos que estão ligados aos receptores de membrana sobre mastócitos teciduais e basófilos sanguíneos.

A reação antígeno-anticorpo provoca a liberação rápida de potentes mediadores vasoativos e inflamatórios, que podem ser pré-formados (por exemplo, histamina, triptase) ou recentemente gerados a partir dos lipídeos da membrana (por exemplo, leucotrienos e prostaglandinas).

Durante horas, os mastócitos e basófilos também liberam citocinas pró-inflamatórias (por exemplo, interleucina-4 e interleucina-13). Os mediadores produzem: 

  • Vasodilatação
  • Maior permeabilidade capilar
  • Hipersecreção glandular
  • Espasmo da musculatura lisa
  • Infiltração tecidual com eosinófilos e outras células inflamatórias.

Modo II

As reações do Tipo II (citotóxicas) ocorrem quando o anticorpo (IgG e IgM) reage a componentes antigênicos de uma célula ou elementos teciduais, ou a um antígeno ou hapteno que ficou intimamente ligado a uma célula ou tecido.

A reação antígeno-anticorpo pode ativar certas células citotóxicas (células T exterminadoras ou macrófagos) para produzir citotoxicidade mediada por células anticorpo-dependentes. Ela geralmente envolve a ativação do complemento e pode causar aderência opsônica através do recobrimento da célula com anticorpos.

A reação se desenvolve pela ativação dos componentes do complemento através de C3 (com consequente fagocitose de célula) ou pela ativação de todo o sistema complemento, com subsequente citólise ou lesão tecidual.

Tipo III

As reações do Tipo III – de imunocomplexos (IC) resultam da deposição de imunocomplexos Ag-Ac (antígeno-anticorpo) circulantes, solúveis em vasos ou tecido. Os IC ativam o complemento e iniciam, desta forma, uma sequência de eventos que resulta na migração de células polimorfonucleares e liberação de enzimas proteolíticas lisossômicas e fatores de permeabilidade em tecidos, produzindo uma inflamação aguda.

As consequências da formação de IC dependem, em parte, das proporções relativas de antígeno e anticorpo contidas no IC. Com um excesso de anticorpo, os IC se precipitam rapidamente no antígeno local (por exemplo, nas articulações, na artrite reumatóide) ou nos macrófagos do fagocitam, o que evita danos. Com um nível excessivo de antígeno, os imunocomplexos apresentam maior solubilidade e podem causar reações sistêmicas ao se depositarem em vários tecidos.

Modo IV

As reações do Tipo IV são de hipersensibilidade celular, mediadas por células, tardias ou do tipo tuberculina, causadas por linfócitos T sensibilizados após contato com um antígeno específico. Exemplos de linfócitos T induzindo respostas indesejadas são:

  • Sensibilidade de contato (por exemplo, a níquel ou plantas, como hera venenosa);
  • Respostas de hipersensibilidade tardia da hanseníase ou tuberculose;
  • Resposta exagerada a infecções virais, tais como sarampo;
  • Sintomas persistentes da doença alérgica.

Os anticorpos circulantes não estão envolvidos e nem são necessários para desenvolver a lesão tecidual. A transferência da hipersensibilidade tardia de pessoas sensibilizadas para outras não sensibilizadas pode ocorrer com leucócitos periféricos, mas não com soro.

Os linfócitos T sensibilizados que se desencadeiam ou ativam pelo contato com um antígeno específico podem provocar lesão imunológica por um efeito tóxico direto ou através da liberação de substâncias solúveis (linfocinas). Na cultura de tecidos, os linfócitos T ativados destroem as células-alvo após sensibilização pelo contato direto. As citocinas liberadas dos linfócitos T ativados incluem vários fatores que afetam a atividade de macrófagos, neutrófilos e células linfóides exterminadoras

Passados alguns anos, tem-se tornado aparente que a classificação de Coombs e Gell dividiu artificialmente reações de anticorpos relacionadas com seus mecanismo (tais como tipos I, II e III), as quais contribuem para a fisiopatologia de muitas doenças imunomediadas comuns, enquanto inclui reações mediadas pelas células T de hipersensibilidade tipo tardia (HTT) em uma mesma classificação (denominada tipo IV).

Quando o termo “alérgeno” foi utilizado pela primeira vez? 

O termo alérgeno foi utilizado primeiro por von Pirquet, em 1906, para cobrir todas as substâncias estranhas que poderiam produzir uma resposta imune.

Subsequentemente, a palavra “alérgeno” passou a ser utilizada seletivamente para as proteínas que causam “supersensibilidade”. Assim, um alérgeno é um antígeno que dá início a hipersensibilidade imediata.

Fonte: Fernandobragança.com.br; adaptado

Quais os sintomas da hipersensibilidade do tipo I?

Caracteriza-se como uma reação alérgica que ocorre imediatamente após o contato com o antígeno ou alérgeno. Geralmente, ela ocorre em pessoas que apresentam algum histórico familiar de alergia. Seus sintomas clínicos incluem: 

  • Asma;
  • Eczema;
  • Febre; e
  • Urticária e alergia a comida. 

Fisiopatologia da reação de hipersensibilidade tipo I

As reações do tipo I dependem de IgE ligadas a mastócitos ou basófilos. Quando a IgE se liga ao antígeno, ela sensibiliza os mastócitos a degranularem, levando ao processo inflamatório.

Quando os mastócitos são ativados, liberam citocinas como a IL-3 e IL-4, que atuam nos mastócitos, e outras que ativam os linfócitos B a produzir e secretar IgE. IL-5, IL-8 e IL-9 parecem ativar a quimiotaxia e a ativação de células inflamatórias no sítio de inflamação.

Como ocorre a produção de IgE? 

A produção da IgE depende da apresentação do antígeno por uma APC e da cooperação entre células B e TH2. Apesar de a IgE durar alguns dias, os mastócitos e basófilos permanecem sensibilizados para a IgE por meses devido à alta afinidade que a IgE apresenta para o receptor Fc, o que evita a destruição da IgE por proteases séricas.

Apesar de a IgE durar alguns dias, os mastócitos e basófilos permanecem sensibilizados para a IgE por meses devido à alta afinidade que a IgE apresenta para o receptor Fc, o que evita a destruição da IgE por proteases séricas.

Referências bibliográficas

  • ABBAS, A.K.; LICHTMAN, A.H.; PILLAI, S. Imunologia Celular e Molecular. 8ᵃ Edição. Elsevier, 2015 (livro-texto)
  • DELVES, P.; MARTIN,S.J; BURTON,D.R.; ROITT, I.M. Fundamentos de Imunologia. 12ª Edição – GUANABARA KOOGAN. 2013

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