Os distúrbios da circulação ocorrem quando há alteração da homeostasia, que está relacionada com o coração, com os vasos sanguíneos e com os linfáticos.
A circulação sanguínea exerce três tipos de forças sobre o vaso:
- Distensão
- Extensão longitudinal
- Cisalhamento
Quando essas forças sofrem alterações, ocorre o remodelamento estrutural dos vasos, surgindo assim, lesões variadas que estão relacionadas com a congestão e o edema.
O derrame é o acúmulo anormal de líquido na região a qual está armazenado, sendo de diversos tipos e características.
Congestão: Definição
A Hiperemia é quando ocorre o aumento de sangue no interior dos vasos de um órgão, que pode ser dividida quanto ao tempo; aguda ou crônica e quanto a atividade: ativa ou passiva.
A forma ativa ocorre quando há dilatação das artérias com o aumento do fluxo sanguíneo, que pode ser fisiológica como nas atividades físicas ou patológicas, no caso de inflamações agudas.
A forma passiva, também conhecida como congestão, ocorre quando há diminuição da drenagem venosa, a região adquire coloração vermelho-escuro, devido a alta concentração de hemoglobina desoxigenada. Sua característica pode ser localizada, quando ocorre a obstrução de uma veia ou sistêmica quando altera todo o corpo.
Em relação ao tempo, na congestão aguda os vasos se tornam distendidos, enquanto que na crônica, o órgão pode sofrer hipertrofia, que geralmente está relacionado com a presença de edema, devido ao aumento da pressão hidrostática. Dentre as congestões as que se destacam são a pulmonar, do fígado e do baço.
Edema: Definição
É o acúmulo de líquido no interstício ou em cavidades do organismo causado pelo aumento da permeabilidade vascular. Pode ser localizado ou sistêmico; em relação a sua composição, pode ser do tipo Transudato que é um líquido com baixo teor de proteínas e com a densidade < 1.020 g/ml, com a permeabilidade preservada, já o Exsudato é um líquido com alto teor de proteína > 1.020 g/ml, com a presença de células inflamatórias e aumento da permeabilidade vascular.
Fisiopatologia do Edema
O volume do líquido corporal é de aproximadamente 20% (16% líquido intersticial e 4% volume sanguíneo). A homeostase é regulada por basicamente 3 fatores:
- Receptores de pressão intraluminal: estão localizados nos átrios, ventrículos, vasos pulmonares, veia porta, seio carotídeo, arco da aorta e artérias periféricas
- Receptores para volume: artérias periféricas, aparelho justaglomerular
- Concentração de sódio no plasma
Há ainda a participação do sistema nervoso, em relação ao controle da sede e na liberação dos líquidos no organismo.
O edema é formado pelos mecanismos relacionados com as pressões a o sistema linfático:
- Quando ocorre aumento da pressão hidrostática intravascular
- Quando há redução da pressão oncótica do plasma, que é a gerada pelas proteínas no plasma sanguíneo.
- Aumento da permeabilidade capilar
- Obstrução da drenagem linfática
O edema pode ser do tipo generalizado, caracterizado por aumento do líquido intersticial em órgãos, provocando assim, uma alteração sistêmica. As causas podem ser por insuficiência cardíaca, doença renal, cirrose hepática e diminuição da pressão oncótica; enquanto o edema localizado atua localmente e pode ser o início do edema generalizado, que ocorre nos membros inferiores, edema pulmonar e cerebral.
Derrame: Definição
É o acúmulo de líquido em uma determinada cavidade.
São conhecidos alguns tipos de Derrames, vamos nos ater ao Derrame Pleural, Derrame Articular.
A pleura é uma fina membrana que reveste o pulmão, sendo formada por duas camadas uma que reveste o pulmão, pleura visceral e uma que está em contato com a caixa torácica, pleura parietal, entre essas duas membranas existe um líquido, que quando há alteração pode causar o Derrame Pleural, que é o resultado do desequilíbrio entre a absorção e produção do líquido pleural. Dentre as causas mais comuns estão insuficiência cardíaca, pneumonia, neoplasia, tuberculose, embolia.
Enquanto que o Derrame Articular ocorre comumente por um aumento do próprio líquido articular devido a uma resposta inflamatória, dentre os sintomas há aumento do volume articular, dor e edema.
O derrame cerebral, também conhecido como Acidente Vascular Encefálico (AVE), é um termo antigo, pouco utilizado na atualidade.
Imagem 1: Como acontece o derrame pleural.
Imagem 2: Fisiopatologia do Derrame Articular
Diagnóstico de Congestão, Edema e Derrame
O diagnóstico vai depender da clínica do paciente e das queixas relacionadas aos órgãos acometidos.
Pode estar relacionado com dor, inflamação, desconforto respiratório e cardíaco.
Tratamento de Congestão, Edema e Derrame
O tratamento da congestão deve ser relacionado com uma doença, exigindo um tratamento específico que envolve o uso de medicamentos que auxiliem a tornar o sangue mais diluído e diminuir o risco de formação de coágulos.
Da mesma forma, o edema deve ser tratado de acordo com a doença base, para alívio do sintoma, pode ser feito repouso, elevação dos membros acometidos, restrição salina e o uso de diuréticos.
Já em relação ao derrame, quando relacionado a articulação, pode ser feito o uso de anti-inflamatórios, analgesia e punção de alívio, e o derrame pleural está relacionado com antibioticoterapia e drenagem torácica, sempre levando em consideração o que causou tal distúrbio, visando o tratamento da causa, não apenas dos sintomas.
Autor(a) :Flávia Santos – @flaviasantos0301
Referências:
FILHO, G. B.et al. Bogliolo. Patologia Oitava Edição. Belo Horizonte.2011
HASHIZUME, R. T. Derrame Pleural na Sala de Emergência (SP), Inc., 2018
Acesso em: 01 fev 2022. https://www.hcrp.usp.br/revistaqualidade/uploads/Artigos/218/218.pdf
ROHDE, L.E., et al. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda (RJ),Inc ., 2018
Acesso em:01 fev 2022 https://abccardiol.org/article/diretriz-brasileira-de-insuficiencia-cardiaca-cronica-eaguda/
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