INTRODUÇÃO
Antes de tudo, é importante saber que existe uma regulação Acidobásica no nosso corpo, devido a uma associação de mecanismos reguladores respiratórios e renais com o tamponamento químico extra e intracelular, mantendo o pH arterial sistêmico entre 7,35 e 7,45. Os limites desse pH compatíveis com a vida flutuam entre 6,8 e 8,0.
Os componentes regulatórios do pH são descritos na equação de Henderson-Hasselbalch:

A regulação do íon H+ deve ser precisa, pois interfere em todas as funções corporais e celulares, já que influencia no sistema enzimático corporal.
As alterações do equilíbrio ácido-básico podem se tornar críticas, já que geralmente causam diversas disfunções orgânicas. Algumas das manifestações clínicas encontradas são edema cerebral, vasoconstrição pulmonar, vasodilatação sistêmica etc.
ACIDOS E BASES
São considerados ácidos as moléculas capazes de liberar íons hidrogênios (H2CO3 ® H+ + HCO3), enquanto as bases são capazes de receber esses íons H+ (H+ + HCO3– ® H2CO3). As proteínas do nosso corpo se comportam como bases, pois alguns aminoácidos apresentam cargas negativas capazes de receber os íons hidrogênios.
O termo ALCALOSE é referente à retirada excessiva e H+ do meio, já a ACIDOSE é a adição sua adição excessiva.
MECANISMOS REGULATÓRIOS
O organismo apresenta 3 mecanismos:
- SISTEMA TAMPÃO
É a resposta instantânea do organismo, em fração de segundos, ele não elimina ou acrescenta íons hidrogênios ao meio, mas sim os mantem controlados para que a hemostasia possa ser adquirida.
Dessa maneira, é considerada a primeira linha de defesa contra as variações do pH.
Ele é formado pelo bicarbonato, ossos, hemoglobina, proteínas plasmáticas e intracelulares.
- COMPONENTE RESPIRATÓRIO
Apresenta uma resposta em minutos, sendo considerado a segunda linha de defesa do organismo contra os distúrbios metabólicos.
De uma maneira geral, esse componente regula a concentração de CO2 no líquido extracelular pelos pulmões, o aumento da ventilação gera uma diminuição do pH devido a maior quantidade de CO2 expelido, já uma menor ventilação gera um aumento do pH, pois ocorre um acúmulo de CO2.
A excreção deficiente de dióxido de carbono gera uma hipercapnia, e a excreção excessiva causa uma hipocapnia.
O dióxido de carbono é constantemente formado pelos processos metabólicos intracelulares, dessa maneira, a expiração pulmonar de dióxido de carbono contrabalança a formação metabólica do mesmo.
- COMPONENTE RENAL
O controle renal do balanço acidobásico ocorre por meio da excreção de uma urina ácida ou básica. É a terceira e última barreira, demorando horas ou dias para agir, entretanto, o resultado é o mais duradouro de todos os 3 mecanismos.
Ocorre remoção de base do sangue devido as grandes quantidades de bicarbonato (HCO3–) que são filtradas para os túbulos renais. A remoção de ácido do sangue acontece devido a secreção de H+ das células epiteliais tubulares no lúmen tubular. Quando ocorre maior secreção de H+ em comparação ao HCO3– gera uma perda real de líquido extracelular; quando o HCO3– é filtrado em maior quantidade quando comparado a secreção de H+ ocorre uma perda real de base.
ALCALOSE METABÓLICA
A alcalose metabólica é uma manifestação de uma doença primária, gerando um aumento do pH arterial, da concentração sérica de HCO3– e da PaCO2, frequentemente é acompanhada de hipocloremia e hipopotassemia. A maneira de estabelecer um diagnóstico é pelo pH arterial.
A causa da alcalose metabólica é o aumento da concentração de HCO3– no líquido extracelular, que é parcialmente compensado pela redução da frequência respiratória e pelo aumento da PaCO2.
As compensações primárias que ocorrem com uma diminuição da ventilação, para gerar um aumento da PaCO2, e uma maior excreção renal de HCO3–.
A manutenção da alcalose metabólica é um sinal de que os rins não são capazes de eliminar de forma normal o HCO3– , eles irão reter esse excesso de bicarbonato quando ocorre uma deficiência de volume, cloreto e íon potássio quando associados a uma redução da taxa de filtração glomerular ou devido a uma hipopotassemia gerada por uma hiperaldosteronismo autônomo.
As causas mais comuns de alcalose metabólica são: depleção de volume e uso de diuréticos.
Os sinais e sintomas geralmente estão relacionados com a causa de base. Em situações onde ocorre uma hipocalcemia, o paciente pode apresentar cefaleia, letargia e excitabilidade neuromuscular, infrequentemente delirium, tetania e convulsões.
O diagnóstico é realizado pela gasometria arterial e eletrólitos séricos.

O tratamento é voltado principalmente para a causa base. Em situações onde o problema ocorre devido a uma deficiência de volume, cloreto e íon potássio quando associados a uma redução da taxa de filtração glomerular a alcalose é corrigida com a administração de NaCl e KCl. Quando ela ocorre devido a hipopotassemia, deve-se corrigir a alcalose farmacologicamente, não sendo indicado administrar uma solução salina.
Autora: Alice Loiz
Instragram: @aliceloiz
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
REFERÊNCIAS
Medicina interna Harrinson
Tratato de Fisiologia Médica Guyton & Hall 12ªed.
Manual MSD: Alcalose metabólica.
Revista PUC-SP: Revisão – Distúrbios do equilíbrio ácido-básico. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/RFCMS/article/viewFile/2407/pdf