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Dislipidemias: definição, epidemiologia e mais

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Confira um artigo completo que falamos sobre as Dislipidemias para esclarecer todas as suas dúvidas. Ao final, confira alguns materiais educativos para complementar ainda mais os seus estudos.

Boa leitura!

Dislipidemias: introdução

Apesar do considerável progresso, a morbidade e a mortalidade decorrentes de doenças vasculares são substanciais e provavelmente aumentarão, em razão de doenças epidêmicas associadas a lipídios, como a obesidade e o diabetes, assim como por conta dos hábitos exportados do Ocidente para o mundo em desenvolvimento.

Mediadores recém descobertos do metabolismo dos lipídios continuam a oferecer uma nova percepção sobre os mecanismos causadores de níveis alterados de colesterol e triglicerídeos, que estão entre os problemas mais comuns encontrados pelos médicos em sua prática profissional.

Classificação de dislipidemias

Classificam-se os principais fatores de risco (FR) em maiores e menores, e em mutáveis e imutáveis. Diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial, tabagismo e dislipidemias são considerados FR maiores e mutáveis, enquanto a idade, o gênero masculino e a existência de doença cardiovascular prévia ou na família são maiores e imutáveis.

Os FR menores e mutáveis incluem obesidade, sedentarismo, fatores psicossociais, hiper-homocisteinemia, hiperfibrinogenemia, aumento de lipoproteína (a) e de proteína C reativa.

O estudo prospectivo de Framingham, nos EUA, demonstrou efeito aditivo dos FR sobre a incidência de eventos cardiovasculares fatais.

Epidemiologia e Definição das Dislipidemias

A Dislipidemia é elevação de colesterol e triglicerídeos no plasma ou a diminuição dos níveis de HDL que contribuem para a aterosclerose. 

A incidência mundial de doença cardiovascular (DCV) apresentou grande progressão nas últimas décadas, como observado em 1990, com cerca de 14 milhões de casos, e a perspectiva de 25 milhões para 2020 no Oriente e Ocidente.

Estudo brasileiro investigando a presença de dislipidemia em 22.542 indivíduos com mais de 20 anos de idade, atendidos no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas, demonstrou em adultos (até 60 anos) alterações nos níveis de colesterol total, LDL-C e triglicerídeos em 44%, 38% e 37%, respectivamente, e em 55%, 48% e 41%, respectivamente, em idosos (acima de 60 anos).

Os resultados desse estudo mostraram, ainda, que 35% dos adultos e 32% dos idosos apresentavam níveis reduzidos de HDL-C. A dislipidemia combinada (hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia) foi também muito prevalente. Em outro estudo nacional, com 81.262 indivíduos, demonstrou-se um valor médio de colesterol dentro dos limites recomendados pela National Cholesterol Education Program (NCEP).

Entretanto, analisando indivíduos com um fator de risco para doença coronariana, demonstrou-se que 40% tinham níveis de colesterol acima de 200 mg/dL e 14% apresentavam colesterol maior que 240 mg/dL. Em indivíduos sem fatores de risco, essas porcentagens caíam para 30% e 8%, respectivamente.

Em conjunto, esses dados indicam que a dislipidemia é um importante problema de saúde pública no Brasil. Estudos procurando caracterizar as mutações responsáveis pela hipercolesterolemia familiar no Brasil demonstram mutações conhecidas no receptor de LDL, mas novas mutações no gene desse receptor também foram descritas em pacientes brasileiros.

Dislipidemias: Metabolismo Lipídico

Aspectos gerais

Lípides são substâncias insolúveis no meio aquoso, sendo representadas, principalmente, por triglicérides (TG), fosfolípides (FL) e colesterol. Seu transporte na circulação linfática e sanguínea é realizado pelas lipoproteínas (LP). Estes agregados macromoleculares são formadas por um núcleo hidrofóbico que abriga lípides neutros, como colesterol esterificado (CE) e TG, além de vitaminas lipossolúveis.

Em sua superfície hidrofílica inserem-se colesterol livre ou não esterificado (CL), fosfolípides (FL) e diversas apolipoproteínas (apo) as quais garantem solubilidade, arcabouço estrutural e direcionamento metabólico, visto atuarem como ligantes de receptores celulares e cofatores para diversas proteínas e enzimas.

Ilustração Estrutura da lipoproteína.

Imagem: Estrutura da lipoproteína. Fonte: Clínica médica da USP, vol.5, cáp 34, pág 376

Cinco tipos principais de LP são classificados por sua densidade e tamanho, determinados pela composição em lípides e apolipoproteínas. Os quilomícrons (QM) são as maiores partículas, caracterizados pelo mais elevado conteúdo de TG advindo da dieta. As VLDL (very low density lipoprotein), ou LP de muito baixa densidade, são partículas também grandes, porém um pouco menores do que os QM, de modo que a separação entre elas depende do tempo de ultracentrifugação.

Há, ainda, as LP de densidade intermediária ou IDL (intermediate density lipoprotein) e as LP de baixa densidade ou LDL (low density lipoprotein). As LP de alta densidade ou HDL (high density lipoprotein), são mais ricas em proteínas com menor conteúdo de colesterol e TG, o que determina seu menor tamanho e maior densidade.

Dos pontos de vista fisiológico e clínico, os lípides biologicamente mais relevantes são os fosfolípides, o colesterol, os triglicérides (TG) e os ácidos graxos. Os fosfolipídeos formam a estrutura básica das membranas celulares. O colesterol é precursor dos hormônios esteroides, dos ácidos biliares e da vitamina D.

Além disso, como constituinte das membranas celulares, o colesterol atua na fluidez destas e na ativação de enzimas aí situadas. Os TG são formados a partir de três ácidos graxos ligados a uma molécula de glicerol e constituem uma das formas de armazenamento energético mais importantes no organismo, sendo depositados nos tecidos adiposo e muscular. Os ácidos graxos podem ser classificados como saturados (sem duplas ligações entre seus átomos de carbono), mono ou poli-insaturados, de acordo com o número de ligações duplas em sua cadeia.

Os ácidos graxos saturados mais frequentemente presentes em nossa alimentação são: láurico, mirístico, palmítico e esteárico (que variam de 12 a 18 átomos de carbono). Entre os monoinsaturados, o mais frequente é o ácido oleico, que contém 18 átomos de carbono. Quanto aos poli-insaturados, podem ser classificados como ômega 3 (Eicosapentaenoico − EPA, Docosahexaenoico − DHA e linolênico), ou ômega 6 (linoleico), de acordo com presença da primeira dupla ligação entre os carbonos, a partir do grupo hidroxila.

Metabolismo das lipoproteínas

Ilustração Ciclos de transporte de lípides no plasma.

Imagem: Ciclos de transporte de lípides no plasma. Fonte: Atualização da diretriz brasileira de dislipidemias e prevenção da aterosclerose, 2017.

Nesta figura, mostra de forma esquematizada que as lipoproteínas participam de três ciclos básicos de transporte de lípides no plasma:

  1. Ciclo exógeno, no qual as gorduras são absorvidas no intestino e chegam ao plasma, sob a forma de quilomícrons, e, após degradação pela lipase lipoproteica (LPL), ao fígado ou aos tecidos periféricos;
  2. Ciclo endógeno, em que as gorduras do fígado se direcionam aos tecidos periféricos; a lipoproteína de densidade muito baixa (VLDL) é secretada pelo fígado e, por ação da LPL, transforma-se em lipoproteína de densidade intermediária e, posteriormente, em LDL, a qual carrega os lípides, principalmente o colesterol, para os tecidos periféricos;
  3. Transporte reverso do colesterol, em que as gorduras, principalmente o colesterol dos tecidos, retorna para o fígado; as HDL nascentes captam colesterol não esterificado dos tecidos periféricos pela ação da lecitina-colesterol aciltransferase (LCAT), formando as HDL maduras. Por meio da proteína de transferência de CE (CETP), ocorre também a transferência de ésteres de colesterol da HDL para outras lipoproteínas, como as VLDL.

SE LIGA! Os ácidos graxos livres liberados pela lipoproteína lipase, como também pelo tecido adiposo graças a ação de lipases hormônio-sensíveis, são transportados quase exclusivamente pela albumina e constituem o principal substrato energético do plasma, além de fonte de formação de triglicerídeos no fígado.

Dislipidemia e Aterosclerose

Ilustração Estrutura básica da placa ateromatosa.

Imagem: Estrutura básica da placa ateromatosa. Fonte: KUMMAR, Vina, et. Al. Robbins & Cotran. Bases patológicas das doenças. 8ª ed. Rio de Janeiro. Elsevier, 2010.

A aterosclerose é caracterizada por lesões na íntima, chamadas ateromas (ou placas ateromatosas ou ateroscleróticas).

As placas ateromatosas são lesões elevadas compostas por centro mole e grumoso de lipídios (principalmente colesterol e ésteres de colesterol, com restos necróticos), recobertas por uma cápsula fibrosa.

As placas ateroscleróticas podem obstruir mecanicamente o lúmen vascular e se romper, evoluindo para trombose catastrófica dos vasos. Essas também enfraquecem a média subjacente e levam a formação de aneurisma.

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