Disfagia é a dificuldade de deglutição. Essa condição é secundária ao impedimento do transporte de líquidos, sólidos ou ambos, da faringe para o estômago. Ela não deve ser confundida com a sensação de globo, uma sensação de ter um caroço na garganta, que não se relaciona com a deglutição e ocorre sem alteração do transporte alimentar.
O aparato para a deglutição consiste em faringe, esfíncter esofágico superior (cricofaríngeo), corpo do esôfago e esfíncter esofágico inferior (EEI). O terço superior do esôfago e as estruturas proximais a ele são compostos por musculatura esquelética; o esôfago distal e o EEI são compostos por músculo liso.
Esses componentes trabalham como um sistema integrado que transporta material da boca para o estômago e evita que reflua para o esôfago. Obstrução física ou doenças que interferem na função motora (doenças de motilidade esofágica) podem afetar o sistema.
Epidemiologia da Disfagia
A disfagia é um problema frequente. Uma em cada grupo de 17 pessoas apresenta alguma forma de disfagia durante sua vida. Um estudo realizado no Reino Unido em 2011 descreve uma taxa de prevalência de disfagia de 11% na comunidade em geral.
A condição afeta 40–70% dos pacientes com AVC, 60–80% dos pacientes com doenças neurodegenerativas, até 13% dos adultos de 65 anos e > 51% dos pacientes idosos institucionalizados, bem como 60–75% dos pacientes submetidos a radioterapia por câncer de cabeça ou pescoço.
A maior prevalência de doenças crônicas deve ser entendida como fator de risco para a disfagia. Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), os idosos com 75 anos e mais, têm de conviver, em média, com 3,5 doenças crônicas.
Somado a isso, as mudanças fisiológicas implicam em menor reserva funcional e equilíbrio instável, tornando o idoso mais vulnerável ao descontrole dessas doenças diante do estresse e das demandas orgânicas facilmente transponíveis em outras fases da vida. Assim, a prevalência da disfagia em idosos pode variar de acordo com a presença de doenças crônicas.
É difícil fornecer dados epidemiológicos a nível mundial, pois a prevalência da maioria das doenças que causam disfagia tende a diferir entre as diferentes regiões e continentes. Portanto, só podem ser feitas aproximações em escala global. As taxas de prevalência variam dependendo da idade dos pacientes, e deve ser lembrado que o tipo de patologia que leva a disfagia em pediatria difere daquele das patologias dos grupos de maior idade.
Em pacientes mais jovens, a disfagia está frequentemente relacionada a lesões de cabeça e pescoço por acidentes, ou câncer de boca e garganta. A disfagia ocorre em todas as faixas etárias, mas sua prevalência aumenta com a idade.
A prevalência de tumores difere entre os países. Por exemplo, enquanto nos Estados Unidos e na Europa o adenocarcinoma é o tipo mais frequente de câncer esofágico, na Índia e na China a patologia mais frequente é o carcinoma de células escamosas. Também, estenoses cáusticas do esôfago (ingestão de agentes corrosivos com intenção suicida) e tuberculose podem ser importantes em sociedades não ocidentais.