Descreve-se como “catarata”, qualquer tipo de perda de transparência (opacidade) do cristalino (lente situada atrás da íris), seja ela congênita ou adquirida, independente de causar ou não prejuízos à visão.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a catarata é responsável por 47,8% dos casos de cegueira no mundo, acometendo principalmente a população idosa.
A catarata pode causar cegueira parcial ou total, deixando a visão turva, diminuindo a visão noturna e causando fotofobia. Dos 45 milhões de cegos no mundo, 40% perdem a visão devido a catarata.

Epidemiologia/Etiologia
Sabe-se que a catarata é multifatorial, podendo ser congênita ou adquirida. A mais comum é a relacionada à idade, caracterizada pelo envelhecimento do cristalino, conhecida como catarata senil. Estima-se que 10% da população norte-americana tem catarata, e que a prevalência aumenta em 50% no grupo de 65-74 anos e que a incidência aumenta para 75% em pessoas acima de 75 anos.
Há outros fatores que desencadeiam o surgimento e aceleração da catarata, como uso de medicamentos (esteroides), substâncias tóxicas (nicotina), radiações (raio x, uv), doenças metabólicas (DM, galactosemia, hipocalcemia, hipertireoidismo, doenças renais), trauma, doença ocular (alta miopia, uveíte, pseudoesfoliação), cirurgia intra-ocular prévia (fístula antiglaucomatosa, vitrectomia posterior), infecção durante a gravidez (toxoplasmose, rubéola), fatores nutricionais (desnutrição).
Abordagem inicial
Inicialmente, é comum o relato do paciente com queixa de turvação visual e com uma progressão da baixa acuidade visual.
Ao exame, consta-se uma diminuição da acuidade visual e na biomicroscopia do segmento anterior consegue visualizar a catarata, podendo classifica-la ao diagnóstico. Assim, o oftalmologista indicará a melhor conduta e orientações ao paciente.

Diagnóstico da Catarata
O diagnóstico da catarata é clínico, através do exame oftalmológico juntamente com a anamnese.
Na maioria das vezes a catarata não pode ser diagnosticada a olho nu e nem mesmo é percebida facilmente pelos próprios portadores da catarata nas suas fases iniciais. Os principais sintomas da catarata são: sensação de visão embaçada, alteração contínua da refração (grau dos óculos), maior sensibilidade à luz, espalhamento dos reflexos ao redor das luzes e percepção que as cores estão desbotadas.
Geralmente há uma piora da miopia com redução da visão em baixo contraste e baixa luminosidade principalmente para longe, comparativamente à visão para perto. Somente o oftalmologista poderá solicitar os exames necessários para a confirmação do diagnóstico, bem como, indicar o melhor procedimento cirúrgico para tratamento.
Exames recomendados
É importante entender que para cada caso, há uma orientação individual que depende do paciente juntamente com o diagnóstico, assim como a conduta aplicada pelo médico oftalmologista.
Segue então, alguns exemplos de exames recomendados no pré operatório:
Biomicroscopia do segmento anterior (realizado na consulta), Tonometria de Aplanação, Biometria, Acuidade Visual Potencial (PAM), Microscopia Especular da Córnea e o Mapeamento de retina (cristalino transparente) ou Ultrasonografia diagnóstica (no caso de cristalino opaco).
Classificação quanto à gravidade
- De acordo com a idade:
- A – Congênita
- B – Infantil
- C – Juvenil
- D – Adulta
- E – Relacionada a Idade (Senil)
- De acordo com a localização da Opacidade na Lente:
- A – Nuclear
- B – Cortical
- C – Subcapsular Posterior
- De acordo com o grau de opacidade presente:
- A – Imatura: fibras cristalianas transparentes presentes
- B – Intumescente: inchaço do cristalino com fendas d’agua
- C – Matura: opacificação de todas as fibras cristalianas
- D – Hipermadura: liquefação de fibras da lente opaca (Morganiana)
- E – Pós-Facectomia: opacificação da capsula posterior ou persistência de fibras da lente após facectomia.
- De acordo com a taxa de desenvolvimento:
- A – Estável: permanece na mesma classificação por anos.
- B – Progressiva: acometimento rápido das camadas do cristalino.

Tratamento/Condutas da Catarata
Primeiramente, é preciso saber que o único tratamento para a catarata é a cirurgia. O tratamento cirúrgico é recomendado aos portadores da catarata de acordo com o seu comprometimento visual, independentemente da idade. Podendo assim, ser submetido a cirurgia desde que tenha sua capacidade ocular prejudicada pela doença e apresente condições de recuperação pós-cirurgia.
A cirurgia, denominada por facectomia, consiste na remoção do cristalino (lente transparente e natural) opaco e sua substituição por uma prótese transparente (lente intraocular).
O tratamento da catarata depende da classificação. As cataratas congênitas se forem pequenas (inferiores a 3 mm) ou periféricas, não precisam de intervenção cirúrgica de imediato, pois permite uma boa visualização do fundo ocular que são compatíveis com o desenvolvimento normal do sistema visual.
Entretanto, se a catarata for total realiza-se a facectomia com anestesia local em adulto e em crianças anestesia geral.
E como é realizada a cirurgia?
Atualmente, a incisão é de cerca de dois milímetros, a catarata é emulsificada (fragmentada) em pequenos pedaços e aspirada por um aparelho chamado de facoemulsificador e a lente intraocular é dobrável. A incisão de pequeno tamanho e arquitetura auto selante, geralmente, dispensa a utilização de suturas. Trata-se de um procedimento microscópico de alta complexidade, é muito seguro, porém, como qualquer procedimento invasivo, não é isento de riscos. A tecnologia atual e a experiência do cirurgião reduzem significamente esse risco.
Lembrando que, a saúde geral e ocular do paciente, bem como sua história familiar, são fatores que influenciam diretamente o resultado cirúrgico. Além disso, é fundamental que o paciente siga as orientações pré e pós operatórias de seu oftalmologista para minorar os riscos.

Na emergência
Em serviços de emergência oftalmológica é comum o número de casos de pacientes que desenvolvem uma catarata traumática após um relato, por exemplo, de um trauma contuso. Após esse relato, o paciente apresentará queixa de baixa acuidade visual e turvação visual. Assim, é encaminhado para a realização de cirurgia de catarata, independentemente da idade.
Durante a hospitalização
As orientações sobre os cuidados pós-operatórios são específicas para cada caso e serão fornecidas pelo oftalmologista responsável.
Prevenção
Não há como evitar a predisposição genética e nem o envelhecimento do cristalino. Porém, algumas medidas preventivas podem ser realizadas visando reduzir alguns fatores de risco para o desenvolvimento da catarata. Reduzir o tabagismo, proteger-se contra a radiação ultravioleta (principalmente UVB) e traumas, controlar o Diabetes Mellitus, e evitar o uso de corticoides são cuidados que podem ser eficazes na prevenção da catarata. É fundamental ter consciência dos perigos da automedicação.
De acordo com a etiologia e fatores de risco, a educação pública tem papel de suma importância. Sabendo que a tendência da catarata na terceira idade é maior no Brasil como no mundo todo é importante a prevenção dos fatores de risco bem como consultas regulares.
O que muda no dia seguinte
A cirurgia de catarata é a cirurgia mais realizada na oftalmologia e foi uma das técnicas cirúrgicas que mais evoluiu nas últimas décadas.
A tecnologia atual e a experiência do cirurgião reduzem significamente esse risco. A saúde geral e ocular do paciente, bem como sua história familiar, são fatores que influenciam diretamente o resultado cirúrgico. Além disso, é fundamental que o paciente siga as orientações pré e pós operatórias de seu oftalmologista para minorar os riscos.
Autores, revisores e orientadores:
Autor(a) : Taiane Palácio – @tataipalacio e Andreza Mosinho – @andreza.mosinho
Revisor(a): Raíza Pereira – @raizapereira
Orientador(a): André Portes
O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências:
Clique para acessar o catarata-diagnostico-e-tratamento.pdf
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72802018000500255#B2