As diretrizes de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) e do Atendimento Cardiovascular de Emergência (ACE) foi construída com o intuito dos profissionais e pessoas leigas executarem uma ressuscitação de forma adequada, através das recomendações mais importantes.
A importância da RCP é manter a oxigenação e circulação para que seja restabelecida à vítima sem prejudicar os órgãos. Assegurando, assim, a sobrevida até que tenha um atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Os profissionais de saúde devem sempre deixar o local calmo e solicitar assistência ao deparar uma vítima inconsciente, o mais rápido possível, ficando em todo tempo alerta a seus sinais vitais antes de acionar o serviço médico de emergência.
O que mudou na diretriz de RCP em relação à anterior
Na nova atualização de 2020 pode-se observar um novo conceito, que é sobre a recuperação do paciente pós a parada cardiorrespiratória (PCR). Geralmente quem atua nessa parte é o fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e fonoaudióloga. Esse elo é muito importante para o paciente que teve a parada cardíaca, pois a recuperação começa no hospital e termina no domicílio por um tempo indeterminado até o paciente ter uma qualidade de vida adequada.
A epinefrina no American Heart Association (AHA) 2020 está reforçada como uma droga útil para o tratamento da parada cardiorrespiratória que a aumenta a recirculação espontânea.
Sobre o algoritmo de pós-PCR para adultos, não mudou muita coisa, mas foi alterado no controle dos parâmetros respiratórios, a saturação era maior que 94%, o alvo agora é de 92%-98%. Na prática isso vai evitar a hipóxia, para não permitir que o paciente sature menos que 92% e evitar também a hiperóxia, para que não sature mais que 98%.
É recomendado na nova diretriz que os socorristas leigos iniciem precocemente a RCP para uma suposta PCR, pois o risco de dano ao paciente é baixo se o paciente não estiver em PCR. Podendo ganhar mais tempo até a chegada dos profissionais.
O Feedback pode ser aconselhável usar dispositivos de feedback audiovisual durante a RCP para otimização em tempo real do desempenho da RCP.
É recomendado também os recursos de acompanhar a curva da pressão diastólica de uma pressão intrarterial, para melhorar a qualidade da compressão, da RCP e o desfecho.
A desfibrilação sequencial dupla não é recomendada pois não demostra melhoria nos resultados obtidos.
Pacientes que receberam drogas pelo acesso intravenoso (IV) tiveram a chance de sobrevida maior do que os paciente que receberam por via intraósseo (IO), por isso o acesso IV é preferível em relação ao acesso IO.
| Diretriz nova | Diretriz anterior |
| O cuidado com o paciente com PCR começar no hospital e terminar em seu domicílio por um tempo indeterminado. | Não tinha esse elo enfatizado entre o profissional e o paciente. |
| Confirma a epinefrina como uma droga eficaz para o tratamento. | Epinefrina começou a ser utilizada. |
| Saturação alvo agora é 92%-98%. | Saturação era maior que 94%. |
| Socorrista leigos na dúvida do estado do paciente começar a manobra. | Tinha que ter a certeza da parada cardíaca para iniciar o RCP. |
| Dá o feedback audiovisual através da tecnologia em tempo real. | Não era utilizado esse método. |
| É recomendado o monitoramento fisiológico para a qualidade da RCP. | Não havia o monitoramento fisiológico durante a RCP. |
| A desfibrilação sequencial dupla não é recomendada. | Utiliza com frequência a dupla desfibrilação. |
| Acesso intravenoso (IV) obteve mais chance de sobreviver do que por via intraóssea (IO). | A via intravenosa não era a preferência. |
Epidemiologia/Etiologia
A equipe de serviços médicos de emergência (SME) fez uma estimativa no ano de 2015, no Estados Unidos, onde mostram em dados comprovados por eles, que entorno de 350.000 adultos que foram atendidos pelo SME, apresentaram PCR não traumática extra-hospital (PCREH). Com esses dados, sabemos que 40% dessas pessoas chegou a receber RCP iniciada por pessoas leigas, sendo que 12% têm um desfibrilador externo automático (DEA), que usam antes da chegada dos serviços médicos de emergência. Ademais, em torno de 1,2% dos adultos que estão hospitalizados, passam por PCR intra-hospitalar (PCRIH).


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Fisiopatologia
A ressuscitação cardiopulmonar (RCP) é o método utilizado para reverter quando o indivíduo tem uma parada cardiorrespiratória (PCR). Quando falamos sobre PCR estamos falando que o indivíduo está tendo uma disfunção cardíaca sem algum fator desencadeante ou quando a pessoa já tem algum evento terminal evolutivo de muitas doenças, podendo ser indivíduos cardiopatas ou não-cardiopatas.
Quando falamos dessa situação, estamos falando que o individuo está com uma baixa perfusão tecidual, por conta do débito cardíaco que está inadequado, ou seja, não está perfundindo nos órgãos onde deveria estar sendo oxigenado, com isso reduz a quantidade de sangue levado até o coração, podendo ocorrer uma parada cardiorrespiratória. Sendo assim, leva o metabolismo anaeróbio a levar uma acidose láctica, o que pode ocorrer um efeito negativo na sístole do coração.
Se ocorrer uma parada cardiorrespiratória prolongada, pode afetar totalmente o organismo levando a algumas fisiopatologias irreversíveis, como a interrupção das funções do fígado e os rins. Caso não restabeleça a circulação e oxigenação de imediato, podem ocorrer uma acidose prolongada e hipoxia, assim, fazendo com que ocorra uma morte orgânica. Os respectivos órgãos supracitados podem perder suas funções como de desoxidação e excreção, assim estimulando resíduos de metabólitos prejudiciais na circulação, e, ocorrer anuria, devido a falta da filtração, reabsorção, excreção e secreção, como consequência de distúrbios histológicos causados pela redução do fluxo sanguíneo, como necrose cortical bilateral e tubular aguda.
A PCR pode ocasionar uma interrupção dos batimentos cardíacos, movimentos respiratórios e perda imediata da consciência, ocasionando lesão cerebral levando até a morte, para não chegar ao ponto do indivíduo perder a vida, é necessário que tenha medidas adequadas para estabilizar o paciente. Lembrando, que o coração ao ter um baixo débito cardíaco, resulta em uma diminuição de fluxo sanguíneo em suas artérias coronárias, complicando a isquemia do miocárdio. Ou seja, quando a uma baixa redução do fluxo sanguíneo do miocárdio, a um baixo débito cardíaco.
Abordagem inicial
Deve-se fazer uma avaliação inicial do local, ver se está em um local que não coloque em risco o socorrista e a vítima em seguida, ver o grau da emergência e a situação que o paciente se encontra se é em um estado de Parada Cardiorrespiratória (PCR), Parada respiratória (PR) ou Choque sempre começando do mais grave para ganhar tempo e não evoluir para uma situação de piora. Imediatamente pedir ajuda para alguém próximo que chame uma equipe de emergência e informe a situação. Com isso iniciar a manobra de RCP até a chegada de uma equipe de emergência.
Diagnóstico da RCP
Na RCP não é necessário o diagnóstico de imediato, pois quando o paciente é encontrado inconsciente e sem sinais vitais, deve ser iniciado imediatamente a ressuscitação. Depois, do paciente estiver estável é necessário realizar os exames físicos, laboratoriais e exames complementares, como Ecocardiografia, radiografia de tórax ou ultrassonografia de tórax, Monitor cardíaco e ECG para que o profissional da saúde descubra a causa.
Tratamento da RCP
O tratamento adequado depois de uma parada cardiorrespiratória, engloba um conjunto com pessoas, preparação de equipamentos para o treinamento e instituições. É muito importante ter locais que tenha o DEA, pessoas que estão no local disponibilizando seu tempo, serviço de emergência e socorristas de suporte básico à vida (SBV) e suporte avançado à vida (SAV) que trabalham no sistema móvel especializado (SME), com toda essa equipe formada, irá favorecer uma RCP qualificada de parada cardiorrespiratório extra hospitalar (PCREH). Depende também dos fabricantes que fornecem os equipamentos, as indústrias e empresas farmacêuticas, dos profissionais a qual vão instruir as pessoas leigas, etc.. Para um melhor desempenho requer também auxílio de profissionais especializados em restauração e reparação cognitiva, física e psicológica. Um projeto bem desenvolvido com todos esses requisitos de tratamentos e suporte desses profissionais é fundamental para contribuir com um bom resultado.
Durante a hospitalização
Durante toda hospitalização, tem uma equipe preparada para dar assistência ao indivíduo que passou por uma PCR, sendo essencial o serviço de enfermeiros e médicos, terapeutas respiratórios, dos farmacêuticos, psicólogos, e outros profissionais que contribuem para um bom desempenho nos resultados da ressuscitação. Assim, na nova atualização, os sobreviventes de PCR vão adquirir uma avaliação de reabilitação multimodal e tratamento para prejuízos fisiológicos, neurológicos e cognitivos antes da alta do hospital; planejamento de alta abrangente e multidisciplinar para incluir recomendações de tratamento médico; Avaliação estruturada para ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e fadiga para os sobreviventes de PCR e seus cuidadores.
Prevenção
Alguns hábitos para prevenir que um individuo tenha um ataque cardíaco, e seja necessário realizar um RCP, seria: Criar o hábito dos exercícios físicos, tenha controle sobre a hipertensão, diminuir a quantidade de açúcar, diminuir a quantidade de sal e ter hábito de uma alimentação saudável.
Autores, revisores e orientadores:
Autor(a): Quimilda Gabriela Machado de Castro Alves Pontes Soares- @qgabicastr; Lauro de Freitas Lemes Junior- @laurojunior_2
Revisor(a): Samuel Henrique Carvalho – @samuel_henrique29
Orientador(a): Cristiano da Silva Granadier
O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências:
Ex.: CAPLAN, L. R. Overview of the evaluation of stroke. Waltham (MA): UpToDate, Inc., 2015. Acesso em: 29 fev. 2020. https://www.uptodate.com/contents/overview-of-the-evaluation-of-stroke
ftp.medicina.ufmg.br/ped/Arquivos/2014/Destaques_das_Diretrizes_da_American_Heart_Association_2010_para_RCP_e_ACE_03012014.pdf
AMERICAN%20HEART%20ASSOCIATION%202020-%20DIRETRIZES%20DE%20RCP%20E%20ACE.pdf Atualização-das-Diretrizes-de-RCP-e-ACE-2015.pdf