O primeiro caso com diagnóstico de síndrome respiratória aguda por coronavírus na pandemia foi relatado em janeiro de 2020. Pacientes acometidos podem ser assintomáticos, apresentar sintomas leves, moderado ou graves com insuficiência respiratória aguda, síndrome do desconforto respiratório agudo e insuficiência renal aguda.
O diagnóstico da SARS-COV-2, atualmente, é realizado através da técnica de reação em cadeia por polimerase (PCR) para detecção do RNA viral na amostra; ensaio de imunoabsorção enzimática para detectar a presença de anticorpos no soro e tomografia computadorizada.
A técnica PCR tem melhor acurácia quando realizada entre 2 e 5 dias do início dos sintomas, com coleta de material por swab nasal/oral ou escarro, testes sorológicos podem ser coletados a partir do sétimo dia. A evolução propiciou redução no tempo de execução do exame e quantificação utilizando primers do genoma do coronavírus, realizando a técnica PCR, a transcrição reversa é capaz de monitorar o progresso do processo na medida em que ocorre.

Método
São estipulados como critérios de elegibilidade:
- Pacientes com suspeita de infecção por coronavírus
- Diagnóstico de coronavírus efetuado por PCR
- Coleta de amostras por swab nasofaringe (NF) e/ou orofaríngeo (OF)
- Estudos em diagnostico de SARS, MERS e SARS COV-2
- Ensaios clínicos de melhor evidência e qualidade
- Sem limite de período ou idioma
- Textos completos disponíveis para acesso, com resultados em especificidade e sensibilidade da PCR
- Excluídos estudos com dados incompletos de especificidade e sensibilidade e painel viral para diagnostico etiológico de infecção do trato respiratório
Resultados dos estudos serão colocados em tabela 2×2, onde os verdadeiros positivos, falsos positivos, verdadeiros negativos e falsos negativos serão compilados. As divergências serão resolvidas por consenso e discussão entre todos autores.
Análise de dados
Os dados serão extraídos para o desfecho principal da acurácia do teste RT-PCR no diagnóstico de coronavírus. Os resultados coletados serão verdadeiros positivos, falsos positivos, verdadeiros negativos, falsos negativos, sensibilidade e especificidade e analisados em tabela do softwear Catmaker Tables. Os resultados dos estudos incluídos poderão ser agregados e meta-analisados através do softwear Meta-Disc, através do qual serão obtidos resultados da sensibilidade, especificidade, razão de verossimilhança positivo, valor razão de verossimilhança negativo e curva SROC.
Resultados
Para evidenciar a avaliação foram recuperados 1260 estudos, dos quais foram analisados por completo 22 textos e destes selecionados 13, tendo como critérios de exclusão a comparação entre as técnicas CT e RT-PCR e a falta de dados de especificidade; os treze estudos inclusos foram efetivamente transversais, sem cálculo amostral, conduzidos em uma única instituição, com um total de 6295 amostras colhida através de swab nasal, orofaringe ou ambos; levando em consideração índice elevado de sensibilidade e especificidade do teste RT-PCR, localidades diferentes de coleta, pacientes com diagnóstico clínico e sorológico, além de diferenças entre amostras saudáveis e doentes.
Através da meta-análise os estudos apresentaram sensibilidade da técnica PCR para diagnóstico de coronavírus de 86% e a estimativa de especificidade de 96%, o resultado para a razão de verossimilhança positivia foi 18,8 e verossimilhança negativa de 0,13 e com o uso do SROC no diagnóstico de coronavírus por PCR foi estimado o valor de área sob a curva de 0,977 e Q=0,93.
Discussão
Casos de síndrome respiratórias, cuja etiologia é decorrente de infecção por coronavírus, com dois surtos epidêmicos precedentes (SRAS-COV e MERS) ocorrem desde 2003, no entanto em novembro de 2019 teve início um novo surto, com proporções de pandemia e alto índice de mortalidade e morbidades.
Foram utilizados estudos com suspeita ou diagnóstico de infecção respiratória por coronavírus em pacientes humanos e com a técnica PCR adotada em todos os estudos, com pequenas variações que não interferem na acurácia do trabalho.
Os pontos avaliados através da meta-análise foram: sensibilidade (86%), especificidade (96%), razão de verossimilhança positiva (18,82), razão de verossimilhança negativa (0,13) e área sob a curva (0,97).
De acordo com a prevalência da doença, a acurácia do teste PCR para diagnóstico de coronavírus pode ter alterações, como na simulação de 3 situações:
- Em uma prevalência de 50%, comum entre profissionais da saúde com sintomas respiratórios, obtemos uma probabilidade pós-teste de 96%.
- Em uma prevalência de 20%, teremos probabilidade pós-teste de 84%.
- Para uma prevalência de 5%, obtemos uma probabilidade pós-teste de 55%.
O que mostra que mesmo com sensibilidade e especificidade alta o teste PCR pode apresentar diferentes resultados na sua eficácia, ou seja, o teste em condições de baixa prevalência da doença, permite diagnosticar com certeza 55% dos casos, mas se realizado um segundo teste consecutivo no mesmo paciente, considerando uma prevalência de 96% (probabilidade pós teste do primeiro teste com prevalência inicial de 50%) obtêm-se uma probabilidade pós-teste de aproximadamente 100%.
Existem ainda outros fatores que podem exercer influência no resultado do exame como a técnica e o local da coleta, tempo do início dos sintomas, armazenamento e transporte do material até o local do exame.
Portanto, vale ressaltar apesar da técnica por PCR no diagnóstico do coronavírus ter sensibilidade e especificidade elevadas, ela deve ser aplicada em situações de alta prevalência de infecção e em caso de dúvida, realizar segunda coleta de amostra para confirmação do diagnóstico
Autores, revisores e orientadores
Autor: Cintia Mendes de Sousa – @cintiamendes540
Coautor: Matheus Leonel Oliveira de Freitas – @leonelmatheus
Revisor(a): Brennda Moreira Santos (@brennda.ms)
Orientador(a): Frederico Augusto Rocha Ferro – @fredrocha_fisio
Liga: Liga Acadêmica de Anatomia Humana e Cirúrgica – @laahcporto
O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
CALIENDO, A.M.; HANSON, K.E. COVID-19: Diagnosis. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/covid-19-diagnosis?search=covid%20acuracia%20do%20pcr&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1
DIRETRIZ ACURÁCIA DO TESTE DE REAÇÃO EM CADEIA POR POLIMERASE (PCR), NO DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA POR CORONAVÍRUS: REVISÃO SISTEMÁTICA E META-ANÁLISE. Disponível em: https://amb.org.br/wp-content/uploads/2020/09/RT-PCR-NA-INFEC%C3%87%C3%83O-POR-COVID-19-FINAL-14.07.2020.pdf
Uptodate.COVID-19: Questions and answers – Virology and transmission. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/covid-19-questions-and-answers?search=covid%20acuracia%20do%20pcr&source=search_result&selectedTitle=3~150&usage_type=default&display_rank=3