Projetando a dinâmica de transmissão do SARS-CoV-2 durante o período pós-pandemia.
No período de pandemia em que estamos vivendo é comum que surjam dúvidas sobre o comportamento do vírus e a escalabilidade da sua transmissão no futuro.
Modelo de transmissão do SARS-CoV-2
Para responder a algumas dessas questões Stephen M. Kissler e colaboradores do Departamento de Imunologia, Doenças infecciosas e Epidemiologia da Universidade de Harvard, construíram um modelo de transmissão do vírus com base na sazonalidade, imunidade e imunidade cruzada com outros vírus do gênero betacoronavírus para avaliar a possível extensão da pandemia.
Nos cenários analisados foi constatado que o SARS-CoV-2 quando estabelecido no inverno/primavera tende a causar picos mais altos de infecção, um ponto importante que o artigo traz é que por ter um forte caráter sazonal de transmissão, surtos durante o verão possuem um pico mais baixo porém amplia a população suscetível (aqueles que ainda não possuem imunidade) à novos surtos durante o inverno, sendo que se a imunidade conferida após o contato com o vírus não for permanente é provável que ele entre em circulação regular, assim como ocorre com a gripe comum.
Caso a imunidade ao vírus seja permanente um ressurgimento pode ocorrer após 5 anos do último surto grave.
Propostas para contenção do SARS-Cov-2
Uma
das propostas dos pesquisadores para a questão da sazonalidade e o possível
retorno do vírus é o chamado distanciamento social intermitente, que consiste
em períodos de distanciamento na faixa temporal em que ocorreria um novo pico
da doença, o modelo calcula que tal atitude pode reduzir em até 60% o R0
(número que determina a capacidade de transmissão) da doença.
Os autores reforçam que novas terapêuticas e vacinas poderiam aliviar a necessidade de distanciamento social rigoroso para manter o controle da epidemia.
Na ausência de tais intervenções, a vigilância e o distanciamento intermitente (ou distanciamento sustentado, se for altamente eficaz) podem precisar ser mantidos até 2022, o que apresentaria uma carga social e econômica substancial.
Para encurtar a epidemia de SARS-CoV-2 e garantir atendimento adequado aos pacientes críticos, aumentar a capacidade de atendimento crítico e desenvolver intervenções adicionais são prioridades urgentes.
Enquanto isso, testes sorológicos são necessários para entender a extensão e a duração da imunidade ao SARS-CoV-2, o que ajudará a determinar a dinâmica pós-pandêmica do vírus.
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